Entrevista com Consultora de imagem Sona Fati sobre o livro “Tu és demais”

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FOTO: Sona Fati, autora do Blog Notes de Beauté

Manuel Matola

A Consultora de Imagem Sona Fati, autora do Blog Notes de Beauté, vai lançar esta sexta-feira o primeiro livro da sua autoria intitulado “Tu és demais”, fruto de reflexão em torno de temáticas sociais “muito trasversais a diferentes épocas”, mas especialmente situações contemporâneas.

“O foco principal do livro é, através de histórias reais, procurar passar a mensagem da necessidade da perseverança, de força, de coragem, do auto-empoderamento para que em algum momento da nossa vida nunca desistamos”, diz autora luso-guineense Sona Fati, que é igualmente colunista na área da Moda no jornal É@GORA.
Acompanhe a entrevista:

Qual é a essência desta livro?
São acontecimentos da vida, do quotidiano, de experiências vividas. É um livro que convida à reflexão..

Reflexão sobre que aspetos?
Os desafios, as dificuldades, as lutas diárias, as vitórias conseguidas, a essência e importância do Eu para estar empenhado para viver os episódios e a forma de encarar as experiências que estão aí relatadas no livro.

E essas experiências passam por aquilo que o mundo está hoje a viver?
Parte, sim, passa. Há aí no meu livro textos que falam sobre situações que são muito contemporâneas, são atuais daquilo que o mundo está a passar. As dificuldades que as pessoas estão a viver por causa da pandemia, episódios de perdas de vida por diversos motivos. Agora o episódio mais recente que temos da filha de um músico popular português. Há textos no livro que são muito trasversais a diferentes épocas e que são muito atuais.

Numa das passagens do livro dá conta de que em “todas as dificuldades nunca desistiu” de si. É este foco que pretende passar também, entre várias coisas: não desistir?
A mensagem que pretendo passar no livro é realmente uma mensagem de alento: nunca desistir. Acredito que enquanto houver vida, enquanto houver saúde a desistência nunca deve fazer parte dos nossos planos. Vamos sempre procurar estar em ação, agir. Não reagir, agir, para levar a cabo os nossos desejos e objetivos. Nutrirmo-nos de conhecimento. O foco principal do livro é, através de histórias reais, procurar passar a mensagem da necessidade da perseverança, de força, de coragem, do auto-empoderamento para que em algum momento da nossa vida nunca desistamos.

Quando fala desta perseverança fala também daquilo que terá sido o seu percurso em termos profissionais, saíndo de uma área para outra?
Sim também passa, em termos profissionais e pessoais. E sem querer entrar em partes pessoais, falo essencialmente em termos profissionais, porque estive durante 18 anos a trabalhar numa área que é diferente da que exerço hoje em dia e foi necessário alguma visão, perseverança, acautelar algumas medidas antes de tomar a decisão que eu tive que tomar e acreditar que com trabalho, com foco, iria conseguir vencer da mesma forma que consegui na área em que eu estava há 18 anos atrás, independentemente de tudo.

Estamos a falar de que áreas, só para situar os leitores?
A minha formação base é gestão de empresas, e trabalhei na saúde, na área de gestão de património e gestão de compras. Quando tomei essa decisão tive que acreditar em mim, nos meus conhecimentos e na minha capacidade de combate perante a vida – combate não bélico -, mas o de não desistir para produzir riqueza e impacto na vida de outras pessoas numa área que é minha atualmente: a Consultoria de Imagem e Técnicas de Comunicação.

É tão difícil pensar em não desistir na área que está agora a exercer?
Na vida, no geral, é dificil pensar em não desistir porque os fatores que possam condicionar são muitos. Em termos profissionais é muito mais porque a profissão acaba por estar subjacente à nossa sobrevivência. Nós vivemos num mundo que é gerido pelo dinheiro, pelo poder de compra e o trabalho é que sustenta essa capacidade ou não de ter o poder de compra através da remuneração. Portanto, sim, é difícil esse pensamento.

No seu livro há um texto com o título “Valorização do outro”. Na sua área há essa valorização do outro?
É fundamental da minha área atual. Como Consultora de Imagem – porque sabemos que a imagem tem um impacto brutal na vida das pessoas, seja na social ou, principalmente, na vida profissional -, este impacto pode ser condicionante para que as pessoas consigam ascender a determinados lugares, a determinadas áreas. A imagem, no fundo, é um abre-portas. Muitos não têm noção disso, mas nós somos primeiro vistos antes de falarmos. E a valorização do outro é o pilar essencial da minha atividade atual.

Recuando um bocado. Neste exercício de mudança, há aqui uma passagem no seu livro que diz: “Acautela o que tens de acautelar e depois toma o teu caminho”, ou seja, o título é “Vai”. Esta decisão requer ajuda das pessoas ou tem que ser tomada de forma individual?
É uma excelente pergunta. Primeiro que tudo, a decisão tem que ser tomada de forma individual. Aonde é que entra a ajuda das pessoas? Quando eu falo de acautelar-se é no sentido de nós medirmos o mercado ou os apoios que possamos ter ou a capacidade perante o novo para o qual queremos ir. Só conversando com as pessoas mais experientes do que nós que nos conseguem dar visão para termos essa cautela que eu falo nesse ponto no livro. Mas depois a decisão final terá que ser sempre nossa, porque somos nós que vamos ser autor nessa mudança e não propriamente os outros. E independentemente de as pessoas concordarem ou não, desde o momento que nós consideremos que estamos munidos das ferramentas e da confiança necessárias, avançamos.

É esta decisão que acaba tornando também naquilo que refere no livro sobre a “Mulher de Hoje” quando diz: “toda mulher batalhadora um dia ganha a sua independência e torna-se resiliente”…
Sim. Claro que o facto de eu ser feminina, o Tu que está aí é uma voz muito feminina, mas que é extensível ao universo masculino. Mas sim, é essa decisão, porque hoje em dia fala-se muito no empoderamento no feminino. As mulheres sempre foram empoderadas. Antes não tinham a oportunidade de expressarem isso. Hoje em dia, todas do mundo dito desenvolvido têm a oportunidade de expressarem o seu empowerment . Mas, sim, é essa voz que eu falo que para o “Vai”, esse título que está no livro, é necessário termos ferrramentas. E uma das ferramentas é realmente o conhecimento das nossas capacidades e depois a coragem.

Este é o seu primeiro livro. Ele vai ser lançado apenas em Portugal ou vai estender-se a outros espaços territoriais da lusofonia e não só?
O lançamento do livro para já está planeado para Portugal, mas não quero que a comercialização fique só por Portugal. Quero que chegue ao universo dos países falantes da língua portuguesa, até porque há textos no livro que são escritos a pensar também nas vozes femininas de alguns dos países falantes da língua portuguesa. O lançamento é cá, mas a possibilidade do acesso ao livro não é só para quem está em Portugal. Todas outras pessoas que estão nos países que falam o português têm a possibilidade de ter o acesso ao livro.

“Sou viciada no ato de respeitar”

Essa intenção de fazer chegar o livro às mulheres tem também a ver com a questão que aborda no livro – a violência doméstica?
Não só. Tem tudo a ver com o conceito de empowerment, ou motivação que está subjacente ao livro. Estando nós todos num mundo global e havendo tanto a partilha entre todos, principalmente, com os países falantes de língua portuguesa, em que muito desses países a luta pelo empowerment feminino é muito mais presente do que se calhar em Portugal – porque muitas de nós temos a liberdade para a nossa ascensão -, em alguns países de língua portuguesa sabemos que não é asim que acontece. É todo conceito de motivação, de resiliência, de dar poder, de inspiração que está subjacente ao livro. É essa mensagem que eu quero também que as mulheres que estejam nos países de língua portuguesa tenham a oportunidade de beber destas palavras. É mais por aí. O episódio de violência doméstica que é relatado no livro é um de muitos que depois tem subjacente a força para que todas tenham capacidade de nunca desistir.

Há aqui outra questão que tem que ver com a violência contra a mulher no geral e que temos estado a assistir, sobretudo, em Portugal com denúncias relativamente ao cyberbullying. Qual é opinião que tem olhando até para aquilo que diz num dos textos do livro intitulado o “Tratamento ao outro”. A luta contra violência contra a mulher passa por aí: por saber tratar bem o outro?
Primeiro que tudo é uma questão de civilidade. Depois vai dar ao trato, porque nas condições normais a civilidade tem o que ela representa: que nós respeitemos o outro, sobretudo, independentemente de concordarmos com as suas opiniões, suas posições: que respeitemos o outro, porque só através do respeito que há cordialidade e a vivência num espaço coletivo que é de todos. Primeiro que tudo é uma questão de civilidade. Segundo é uma questão de nós sabermos como atuarmos todos num espaço que de repente virou um palco mundial, que são as redes sociais. Porque de que forma temos acesso uns aos outros? Não é sentado num café do bairro ou do shopping mais próximo de casa de cada um. Temos acesso uns aos outros através do palco mundial que são as redes sociais. E é a partir daí que temos acesso aos pensamentos, às vivências que cada um vai mostrando.

A chamada “Aldeia Global”…
É como se fosse um livro aberto em que todos têm acesso e alguns se acham no direito – no facto de terem acesso – de tratar da forma como acham que têm que tratar os outros. Isso é um pensamento que, na minha opinião, não é correto. Mas o posicionamento também tem que passar pelo lado de cada mulher; no sentirmos que muitas vezes nós precisamos de ter e até utilizarmos o dito nosso sexto sentido para prevenirmos, através de comportamentos nossos – eu sei que é um tema um bocado polémico, mas é assim que eu penso e acredito -, de nos colocarmos nas redes sociais um bocadinho mais na condição autoprotetora em alguns pontos. E essa autoproteção também vale o que vale porque haverá sempre alguém que entenda que simplesmente tem que chegar ai e atacar. Infelizmente há isso. Mas desde o momento que nós tenhamos consciência da forma como atuamos, como cuidamos da nossa imagem no digital – porque é um montra para o mundo – penso que será muito menor a probabilidade de sermos atacados como muitos são atacados. Porém, indepentemente de tudo, ninguém tem o direito de atacar ninguém e, apesar de o palco ser mundial, é necessário termos civilidade para estarmos neste palco.

No seu livro diz: “Sou viciada no ato de respeitar”. É preciso termos este vício para evitar estas questões todas?
É preciso e necessário termos este vício. Nós sabemos, por experiência de vida, que na família somos muito mais descontraídos e à vontade uns com os outros. Exemplo: enquanto que numa brincadeira de primos só capaz de chamar um primo de parvo, já numa publicação de alguém só porque essa pessoa entra-me pela minha tela todos os dias não me dá direito nem autoridade para chamar essa pessoa de parva. Ela não é minha íntima. Mesmo que essa pessoa tenha lá publicações com as quais eu não concorde, por uma questão de civilidade, essa pessoa não é próxima a mim. Não faz parte do meu universo de confraternizaão. Essa pessoa faz parte do meu universo digital em que eu me inspiro nela ou aprendo alguma coisa com ela, ou então eu acho que não concordo com alguma coisa nela. Por isso, o ato de respeitar é uma coisa que deve estar sempre subjacente em cada um de nós porque isso vai nos impelir ou controlar sempre que tivermos estímulo de pegar na tecla e fazer algum comentário na publicação, ou no site de notícia sobre algum assunto com o qual concordemos ou não.

É como a autora Sona Fati diz no livro: “É preciso ter consciência do nosso espaço”…
Temos que ter consciência do nosso espaço. Nós estamos num mundo em que todos achamos que temos direitos. Eu faço só esta pergunta: então quem é que tem obrigações e deveres, se todos achamos que temos direito.

Há aqui a necessidade de haver uma relação mais educada, é isso que está a sugerir?
Não, o que estou a sugerir é que as pessoas pensem. Todos levantam voz a dizer que têm direitos. As pessoas então que pensem: quem é que tem deveres e obrigações. É uma questão que eu deixo sempre no ar e que cabe a cada um dar essa resposta.

Sona Fati este é o seu primeiro livro….
Espero que seja o primeiro de muitos.

E já falando de muitos, quer avançar com alguma informação eventualmente confindencial sobre aquilo que estará a ser preparado?
Não, não (risos). Para já o livro é recente, vai ser lançado e depois vai ser promovido e espero que seja do agrado de cada pessoa que tiver acesso ao livro e depois o futuro sempre se verá. O futuro é feito com muito trabalho que continua, por isso, logo se verá.

Nesse seu livro fala sobre o 08 de março, dia internacional da mulher. Apesar de ser distante de hoje, essa data é para ser lembrada todos os dias – e o Natal podia ser o momento ideal para tal?
Sim podia, muito embora o Natal tem outro conceito. O Natal não sendo entendido em todas as sociedades, em todas as casas da mesma forma, por uma questão de religião, poderá ser ou não. Primeiro que tudo, esse dia (8 de março) é mencionado no livro para que acima de tudo ganhe o sentido da reflexão. E esse sentido da reflexão fazer parte do dia a dia. Eu não sou contra datas comemorativas – quando era mais nova questionei-me mais em relação às datas comemorativas -, agora na casa dos 40 anos tenho uma melhor relação e melhor entendimento relativamente às datas comemorativas. Na minha opinião, elas são nada mais nada menos que reavivar memórias de que aqueles assuntos existem e que em algum momento do ano eles têm que ser o palco do mundo. A única questão que eu coloco sempre nessas situações é que os assuntos são tão importantes mas ficam muitas vezes apenas naquelas datas e não deviam. Os assuntos deviam fazer parte do dia a dia, todos os dias como tanto os outros assuntos fazem parte do dia a dia pela sua gravidade, pela sua importância. É como a publicidade: é batendo sempre na mesma tecla que as coisas entram mais nas cabeças das pessoas, não propriamente numa data específica. Muito embora não sendo contra as datas, é esta questão que às vezes me coloco sempre relativamente às datas. Se eu pudesse, há datas que deviam ser debatidas, conversadas, deviam estar na agenda todos os dias.

E a questão da mulher tem que estar todos os dias, na sua opinião?
Sim, a questão da mulher devia estar todos os dias sem atropelar a questão do homem.

Não teme que as pessoas digam qualquer coisa como este tema é demais…
(Risos) Poderá ser demais pela positiva. Mas quando ela for demais pela positiva é porque todos já interiorizamos que a mulher não é um ser menor. É um ser tão capaz quanto o homem. Ambos são seres humanos, primeiro que tudo. Somos diferentes pela nossa biologia, mas ambos somos seres humanos. Atuamos num espaço comum, procuramos todos o mesmo, que é conhecimento, inspirações e experiências e à partida temos todos mesma intenção, que é contribuir para o mundo melhor. Então não vejo aqui em que há momentos em que a mulher tem que ser menorizada e o homem ascendido. Não entendo, não faz sentido e não tem que ser assim. (MM)

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