Entrevista: “Há um discurso de ódio contra os imigrantes” em Portugal – Presidente da Casa do Brasil

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Cyntia de Paula

Manuel Matola

A presidente da Casa do Brasil em Lisboa, Cyntia de Paula, considera que a pandemia de Covid-19 afetou de “forma bastante severa” os imigrantes brasileiros em Portugal, que têm sido vítimas do “discurso de ódio” nos diversos meios, sobretudo, nas redes sociais. A responsável aponta o dedo a um grupo particular por esses atos: os partidos de extrema direita.

Acompanhe a entrevista dada ao Jornal É@GORA na qual Cyntia de Paula fala sobre o impacto da Covid-19 na maior comunidade estrangeira residente no território português, o futuro político do Brasil e de Portugal, onde, assinala, “a participação política de pessoas imigrantes e de minorias étnico-raciais é urgente” que aconteça.

Como é que descreve a situação dos imigrantes brasileiros em Portugal nesta fase da pandemia de Covid-19?

Qualquer crise afeta de forma desigual as pessoas. As comunidades imigrantes assim como pessoas que pertencem a minorias étnico-raciais e nacionais de classes sociais mais baixas são mais afetadas. O que percebemos nessa situação inédita que vivemos de pandemia é que a comunidade imigrante brasileira, maior comunidade imigrante em Portugal, foi afetada de forma bastante severa, sobretudo com a perda de rendimentos e dificuldade de manter nos postos de trabalho. Muitos/as imigrantes trabalham nos serviços, como restauração,hotelaria, etc. Setores altamente afetados pela pandemia. Além disso, a relação contratual nem sempre existe, o que dificulta o acesso aos direitos sociais.

Quais são as principais preocupações e queixas que os membros da comunidade brasileira e não só têm apresentado?

É fundamental considerarmos que muitas pessoas imigrantes pertencem a classe trabalhadora e possuem muitas vezes condições precárias de trabalho e com a impossibilidade conseguir rendimentos houve um aumento das situações de vulnerabilidade e de pedidos de ajuda para alimentação, apoio para informações sobre as medidas que foram criadas como a suspensão do pagamento das rendas, a “regularização temporária” das pessoas que já haviam iniciado o seu processo no SEF -Serviço de Estrangeiros e Fronteiras prevista no Despacho 3863-B/2020, o acesso à saúde e mesmo o retorno ao Brasil. Outras questões, como por exemplo, o aumento de situações de xenofobia e discurso de ódio também foram verificadas. [Conforme escrevi no Artigo] “Novos e velhos tempo de xenofobia — Por onde anda Portugal?”, publicado por Cyntia de Paula, Psicóloga, e Ana Paula Costa, Cientista Social, no blog “Ella — Encuentro Latinoamericano de Feminismos”: “Em Portugal, nestes tempos de crise sanitária e económica, temos observado o aumento da xenofobia, do preconceito, da discriminação e do discurso de ódio contra as pessoas imigrantes através de diversos meios, que variam desde o discurso de partidos de extrema direita até as redes sociais. Estas, particularmente, têm nos mostrado que a forma como a xenofobia é praticada também se reinventou, pois cada vez mais existem páginas nas redes sociais, perfis falsos e comentários online com discurso de ódio e anti-imigração. Esse novo local para praticar a xenofobia nos revela duas coisas, pelo menos: a primeira é que a xenofobia social, ou seja, aquela praticada pelas pessoas no dia a dia, ainda é um grande desafio; a segunda é que não bastam haver bons índices de integração baseados na política de Estado se na sociedade portuguesa continuam presentes comportamentos xenófobos e discriminatórios contra as pessoas imigrantes”.

Recentemente, aproximadamente 500 brasileiros pediram repatriamento ao governo brasileiro. Qual é a leitura que faz de todo esse processo de retorno dos imigrantes, especialmente, em relação à atuação do governo brasileiro a quem os imigrantes acusaram de ter sido pouco colaborativo?

Com o agravar da situação pandémica e as consequências causadas pela perda de emprego, pela redução dos rendimentos e o agravar das situações de vulnerabilidade muitos/as imigrantes brasileiros/as entraram com o pedido para o retorno voluntário que é gerido pela OIM -Organização Internacional das Migrações – com a intenção de retornar ao Brasil. Porém, muitos outros e outras imigrantes durante o estado de emergência solicitaram o repatriamento também aos Consulados do Brasil em Portugal. O repatriamento, nessas situações, é por norma para pessoas que estejam em trânsito e que ficam retidas no país, regra que dificulta muito a situação dos/as residentes que pretendem retornar ao país de origem mas já são residentes em Portugal, com ou sem autorização de residência. O que não exclui a responsabilidade do governo brasileiro para com os/as seus e suas cidadãos e cidadãs que estão em situação de extrema vulnerabilidade longe de casa.

Que ilações a Casa do Brasil tira desta situação toda: os imigrantes brasileiros podem contar com a representação diplomática em Portugal?
É fundamental que os consulados trabalhem de forma próxima dos/as pessoas para identificar situações de risco e que dialogue com ambos os estados para que sejam criadas soluções de modo a garantir que os direitos fundamentais dos/as seus/as cidadãos/cidadãs sejam garantidos na diáspora, em situação de pandemia ou não.

Em entrevista recente ao jornal É@GORA, a presidente da Casa do Brasil apelou a uma participação política dos 151 mil imigrantes brasileiros que residem em Portugal onde constituem a maior comunidade estrangeira no país. Qual é a leitura política que este regresso pode ter na eventual pretensão de alguém da comunidade querer levar avante a proposta de participação política?
A participação social e política, em todos os níveis e por todas as pessoas que vivam num país, sejam imigrantes ou não, é fundamental para que se construa uma sociedade mais igualitária. A situação pandémica inédita que vivemos deixou ainda mais claro como as pessoas imigrantes ocupam espaços determinados na sociedade, como os serviços e cuidados. Setores que muitas vezes são marcados pelos baixos salários, relações contratuais precárias, etc. Ainda é preciso percorrermos um caminho que passe não só pela participação política mas também pelo combate à desqualificação profissional, pela melhoria das condições de trabalho de forma geral e não apenas para as pessoas imigrantes. A participação política de pessoas imigrantes e de minorias étnico-raciais é urgente para que possamos também fazer parte da transformação social. A representatividade em locais de poder e de decisão é um importante caminho para que sejam construídas respostas sociais que não deixem ninguém para trás e para que se crie de fato igualdade de oportunidades. Além disso, é fundamental para a desconstrução de estereótipos e preconceitos acerca das pessoas imigrantes das mais diversas nacionalidades.

O Governo brasileiro está preparado para ter uma diáspora com o perfil como o dos novos imigrantes brasileiros, sobretudo, os que vivem em Portugal?

A imigração brasileira com os seus mais diversos perfis migratórios não é recente e continuará a ter Portugal como destino. Porém, acredito que muitos fatores irão determinar a manutenção dos números elevados de chegada de novos/as brasileiros/as dos últimos anos, sobretudo a forma como Portugal irá se recuperar da crise económica que a pandemia irá gerar, mas também a situação política e social do Brasil.

Acha que no pós Covid-19 ainda valerá a pena imigrar para Portugal?

Infelizmente, há muitas incertezas sobre o futuro próximo do Brasil que tem sido marcado por um governo genocida, inconsequente, machista, racista e perverso. Além da crise económica que afeta o país, há constantes ameaças de ataque à democracia o que tem motivado muitas pessoas a deixar o país. (MM)

9 COMENTÁRIOS

  1. Quem lê esta entrevista, percebe claramente que o discurso de “odio” relatado por essa senhora que representa apenas o seu proprio discurso. Definitivamente não é a percepção dos imigrantes brasileiros aqui em Portugal apenas a pandemia agravou sim a situacao economica não só de imigrantes mas de milhoes de pessoas em todo o mundo.
    Estehamos sim atentos a essa pessoa que aproveita de um cargo, para destilar veneno entre dois pivos e atacar o governo brasileirototalmente contra corrupcao e com apoio maçico do povo.

  2. “Infelizmente, há muitas incertezas sobre o futuro próximo do Brasil que tem sido marcado por um governo genocida, inconsequente, machista, racista e perverso. Além da crise económica que afeta o país, há constantes ameaças de ataque à democracia o que tem motivado muitas pessoas a deixar o país. (MM)” Ainda bem que é a sua opinião desta pessoa.
    Só esqueceu de falar que não é corrupto

  3. Essa senhora não me representa! Nem a mim e nem muitos amigos brasileiros! Quem é digno, quem trabalha, quem não infringe as leis, é bem aceito na sociedade sim!!! Eu posso dar exemplos de muitos brasileiros que pensam como eu! Será que ela consegue nomear??? Fica o desafio!

  4. É fácil atacar o governo no Brasil quando se tem liberdade pra falar, o engraçado que o ataque não é direto ao governo e sim ao presidente que anda com pessoas pretas, gays e com mulhres.
    Aos comunistas que perderam a teta de mamar do governo facilmente, volte a trabalhar e ganhar do seu próprio suor ou espere até 2022 e coloque um corrupto ao seu favor. Agora discursinho barato? Só otario pra ler. Nem perdi meu tempo, vi o final da matéria e me deu NOJO

  5. BOLSONARO, A ENCARNAÇÃO DO HOLOCAUSTO.
    A candidatura dessa criatura peçonhenta “duzinferno”, serviu para dar uma clara consciência da coisa medonha que é esse povo brasileiro, pelo menos, em sua grande maioria. Caiu a máscara do “povo bonzinho”. “Hospitaleiro”

    O “mequetrefe” destampou o bueiro do ESGOTO SOCIAL e fez transbordar toda podridão, revelando o tamanho da cambada de Nazistas fdp que viviam em silêncio.
    Os que se dizem “Homens de Deus e da Família”
    Os “Assassinos do Bem”.

  6. Governo genocida???? De onde a senhora tirou isso???! Graças a Deus temos um presidente sério pela primeira vez em muitos anos! O último estava atrás das grades até poucos dias….

  7. Primeiramente, esta senhora não tem autoridade e muito menos conhecimento de causa para acusar quem quer que seja, no Brasil, de genocida, racista ou coisa que o valha, até arrisco a afirmar que ela nem sequer sabe o significado da palavra “genocida”. Que ela se preocupe com os problemas do país dela e não se meta a criticar o país alheio. Ninguém pediu a opinião dela sobre o Brasil ou sobre o nosso governo.

  8. É de direito a interpretação de diversas formas o discurso da Cyntia de Paula, isso chama-se democracia e sabemos que todos são diferentes, sua situação como imigrante como residente e o impacto realmente foi diferente para cada um.

    Mas fatos são fatos, independente de como os interpretamos ou queremos interpretar os mesmos, Portugal é um excelente país isso é inegável, lindo, cheio de vida e cultura.

    Mas não tenham duvida que xenofobia é uma verdade e agora com a pandemia apenas se destacou mais entre as mídias sociais, disser que não existe é mentir para si mesmo, tentar esconder uma realidade cultural e claro não podemos dizer que é algo novo ou que vai passar com o tempo.

    Fato sempre existiu e sempre vai existir, isso não podemos atribuir apenas a Portugueses mesmo falando de Portugal nessa reportagem, todos os povos tem os seus momentos contra imigrantes, o que realmente me surpreende é achar que uma bandeira ou um país é melhor que o outro ou o pior o seu povo é melhor.

    Lamento informar mas todos os povos independentes de suas bandeiras, território ou idioma como o próprio Covid-19 provou morrem indiscriminadamente, não tem classe social que evite a morte pela doença, e mesmo com isso tudo os povos e suas bandeiras são diferentes? Por favor olhem para o lado, todos os países estão em crise de saúde e econômica, não interessa o tamanho do seu território ou seu idioma todos estão morrendo e ficando mais pobres em relação a dinheiro e o que considero pior… pobres e espirito.

    Quantas provações o tal planeta terra e seus povos prisão ser provados, que uma arma muito mais mortal que seus arsenais podem matar, que atinge não mil mais milhares e milhares de pessoas, independente de bandeira, idioma, cultura, idade, classe social e continente que vive.

    E não vamos falar de religião por não cabe usar a religião ou crescença das pessoas, porque todos morrem de igual forma, não adianta culpar o destino ou algo espiritual porque os verdadeiros culpados somos nós mesmos que não aprendemos nada com as verdades que estão a nossa frente.

    Vão ter criticas ao meu texto e a outros mas isso nada mais é que o não querer ver a verdade, basta condenar e culpar o texto escrito em um blog e seguir em frente, tirando fotos de uma vida perfeita no Instagram, mas lembro que essa vida perfeita não existe mais e talvez nunca mais existe se não tiver uma mudança e não falo de governos mas sim de pessoas independente se sua bandeira ou território.

  9. Mas uma matéria com o objetivo da desinformação contra o Presidente do Brasil , Jair Messias Bolsonaro ! No mínimo deve ser uma petista frustrada e mal amada com esse discurso de ódio contra o Brasil 🇧🇷!

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