Éric Zemmour e a sombra do obscurantismo na França

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Oliver Quinto

No mundo virtual do Wikipédia, Éric Zemmour é tido como um escritor ensaísta, jornalista e comentador político da direita francesa. Na vida real, é um estreante político racista, misógino, anti-imigração, polemista de direita radical que tenta reescrever a história fazendo-a retornar à pré-história.
Para as eleições presidenciais que vão ocorrer em abril de 2022, esse nome até então pouco tradicional está a embaralhar o cenário da política francesa. O jornalista de extrema-direita coloca-se como candidato nas próximas eleições e tem poder de fogo para ameaçar a reeleição do atual presidente Emmanuel Macron. Sondagens dos meios de comunicação atribuem-lhe 17 a 18 por cento das intenções de voto à frente de Marine Le Pen, da Frente Nacional. Filho de imigrantes sefarditas da Argélia e às vezes chamado de “Trump francês”, em referência ao ex-presidente norte-americano, pode tornar-se no primeiro candidato presidencial judeu do pós-guerra.
Em meio à crise dos refugiados que abalou a Europa por volta de 2015, Zemmour foi uma das vozes que mais criticaram a chegada dos imigrantes africanos e árabes à França. Já foi condenado por incitamento ao ódio e tem em seu currículo várias afirmações polémicas que envolvem imigrantes. Em 2011, Zemmour referiu-se aos imigrantes muçulmanos como “invasores”; em 2016, disse que a maioria dos traficantes de drogas são árabes ou africanos.
Assim como Chega em Portugal, Bolsonaro no Brasil e Donald Trump nos Estados Unidos (até há pouco tempo), a política do retrocesso lança sua sombra obscura na sociedade francesa.

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