Exílio de Gungunhana há 123 anos relembrado a partir deste sábado nos Açores

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Gungunhana sentado à direita dos seus companheiros de exílio nos Açores

A Câmara Municipal da Angra do Heroísmo vai lançar este sábado um ciclo de eventos evocativos para relembrar a chegada de Gungunhana e seus companheiros de exílio àquela cidade açoriana há 123 anos, onde o Imperador de Gaza se tornou no mais importante imigrante e preso político do espaço lusófono.

O tributo começa no mesmo dia em que, em 1896, o Imperador de Gaza (Moçambique) desembarcou em Angra do Heroísmo, a bordo do navio “África”, após ter sido capturado pelo capitão Mouzinho de Albuquerque que comandou um regimento português, em Chaimite, o último reduto da resistência vátua (ou angune, etnia dos líderes de Gaza).

A cerimónia do dia 27 de julho em tributo a Gungunhana vai contar com a participação do embaixador de Moçambique em Portugal, Joaquim Bule, em representação do Estado moçambicano, refere o programa a que o jornal É@GORA teve acesso.

A homenagem a Gungunhana inclui um ciclo de conferências que se estende durante um ano, até julho de 2020, período em que será debatida a importância política de Gungunhana nas várias sessões a serem organizadas pelo Instituto Histórico da Ilha Terceira, uma associação cultural de natureza privada, que se dedica à investigação e divulgação da História dos Açores.

O tributo ao Imperador de Gaza vai culminar com a inauguração, já em 2021, quando se comemorar os 125 anos da condenação ao exílio, de “uma estátua ou monumento” em Angra do Heroísmo, segundo garantiu recentemente ao Jornal É@GORA o presidente daquela autarquia.

De acordo com o programa a que tivemos acesso, a primeira fase de debates, a partir de sábado, vai reunir pelo menos três académicos ligados à História Militar: o diretor da Fortaleza de Maputo, Moisés Timba, que irá falar sobre a “Prisão de Gungunhana em Chaimite e a sua transferência para Lisboa”.

Já o diretor do Museu Militar de Lisboa, Coronel Albuquerque, irá debruçar-se sobre “A estadia de Gungunhana em Lisboa e a sua deportação para (Ilha) Terceira” nos Açores, devendo o genealogista Jorge Forjaz abordar “A vida de Gungunhana e da restante comitiva real Africana na Terceira”, naquilo que representará uma exposição cronológica da filiação do Imperador de Gaza assente no estudo que o académico realizou tendo como objeto a pesquisa da linhagem do homenageado.

Além dos debates, no sábado haverá um passeio evocativo, o descerramento da placa evocativa da efeméride e ainda a estreia mundial de um documentário sobre o Imperador de Gaza, em inglês, intitulado “Forgotten Royalty”.

A estreia global do documentário feito pelo zimbabueano Mosko Kamwendo realça a importância de Gungunhana enquanto o último monarca da dinastia Jamine, de origem zulu que, entre 1884 e 1895, reinou mais de 1,5 milhão de habitantes num território de 90 mil quilómetros quadrados, no sul de Moçambique.

O realizador zimbabueano, que há alguns anos também produziu uma película sobre o percurso do primeiro Presidente moçambicano, Samora Moisés Machel, irá discursar sobre o “Papel do cinema como canal condutor da História, da Memória e da Recordação”. (MM)

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