Fabiano de Abreu pertence aos 2% dos mais inteligentes do planeta. É imigrante

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Fabiano de Abreu

Manuel Matola

É uma das mentes mais brilhantes do mundo. Chama-se Fabiano de Abreu. É imigrante em Portugal. O jornal É@GORA entrevistou-o em dois momentos distintos: no início da primeira vaga da pandemia e agora que se caminha para a quarta vaga. A centralidade do seu raciocínio foi sempre sobre um ponto que há anos o inquieta: a regressão da inteligência das crianças. “Peço desculpa pelo termo, mas as crianças estão a ficar dementes. Não conseguem dialogar nem se expressar. Não têm conhecimento útil”, diz, apontando, como exemplo, o impacto da exposição destas aos aparelhos eletrónicos e às redes, sobretudo, a uma rede social que tem influenciado para o desenvolvimento cognitivo dos menores. “O TikTok está a libertar a dopamina de forma constante, fazendo com que as crianças fiquem viciadas na aplicação. No mundo todo já foram contabilizados 20 suicídios de jovens e crianças por causa do TikTok”, lamenta o luso-brasileiro que pertence a Mensa International, a maior, mais antiga e mais famosa sociedade que congrega pessoas com alto QI do mundo.

O que é que o Fabiano tem feito durante o período da Covid-19, do ponto de vista académico e científico?

Fiz uma descoberta de uma inteligência, que é a DWRI (Development of wide regions of intelectual interference). Foi aprovada pelo comité científico. É uma inteligência que foi baseada no facto de que existem pessoas de alto QI que podem apresentar “falhas” cognitivas e existem pessoas com um alto QI que têm uma cognição altamente desenvolvida e organizada. Ou seja, pessoas de alto QI que não têm interferência cognitivas tendem a desenvolver as demais inteligências e a ter uma inteligência global mais desenvolvida. Em relação à vida, maneira de viver e comportamento, vai ter uma facilidade maior em lidar com as situações. Tenho muitos outros artigos que são provenientes desse, relacionados à inteligência de pessoas de alto QI.

Como é o seu caso?

Não me posso auto-avaliar e também não sou bom nisso, sou inseguro, fiz 4 testes de Qi em minha vida e ainda sou capaz de fazer mais por causa da insegurança [risos]. Eu tenho uma relação com pessoas de alto QI, entrevistei muitas, e cheguei a essa conclusão, não só baseado nos estudos, mas também nas entrevistas. Pessoas sem equilíbrio emocional, pessoas superdotadas que discutiam com as outras na Internet sabendo que isso ia prejudicá-los. Ou seja, essa falta de premonição e falta de precaução das consequências está relacionada com a inteligência. A inteligência manipula as ações prevendo as consequências e o que poderia resultar negativamente. Toda essa análise e avaliação tem de estar dentro dessa inteligência global. Se o emocional prevalecer e não tiver controlo sobre ele, então há uma falha intelectual. A inteligência lógica fica no lobo frontal do cérebro e coordena todo o cérebro em si. O raciocínio lógico está no córtex pré-frontal. Nós evoluímos a inteligência quando evoluímos essa região do lobo frontal. É o que nos diferencia dos demais animais. Se essa região é bem desenvolvida, ao ponto de tirar uma nota alta no QI, e mesmo assim não consegue segurar a emoção a ponto de acabar por agir de forma incoerente podendo trazer resultados negativos, então há uma falha nessa conexão, sistema límbico (emoção) e córtex pré-frontal (raciocínio lógico e tomada de decisões). Neste período também criei duas terapias, que chamou atenção do canadiano Henry Oh, que ganhou o último prémio como melhor professor dos Estados Unidos, responsável pelo departamento de saúde e tecnologia no Estado de Idaho. É o professor principal e chefe dessa área. Escrevemos juntos um artigo científico, em que [na verdade] ele analisou o meu artigo. Antes de enviar para o comité para ser publicado na revista científica, ele aprovou e participou na conclusão do artigo. Gostou tanto que participou no segundo artigo científico sobre a esclerose múltipla. Ele é biólogo – que também é uma das minhas formações -, cientista e responsável na Universidade de Idaho em compilações respiratórias de doentes de esclerose múltipla. O que chamou à atenção do professor foi o meu artigo e a questão da inteligência. Ele tem muitos amigos da Mensa na Universidade, e disse: “Se tu vieres para cá, consigo colocar-te em congressos e algo mais”. Mas não quero ir para os EUA porque a minha família também vale muito, assim como minhas escolhas e decisões. A inteligência da DWRI saiu no SAPO, e isso foi bom, ajuda, incentiva. Quando falo em ajudar, não é ajuda financeira, é reconhecimento, incentivo, argumentos para se conseguirem apoios e acessos às pesquisas e laboratórios. Falta incentivo em Portugal, consegue estar pior que o Brasil neste aspeto. Tive dificuldades em reconhecer meu doutoramento na Universidade Nova de Lisboa, não por eles, pela DGES, assim como busquei acesso aos laboratórios nesta universidade cuja reitora de reconhecimentos me atendeu tão bem, mas é tudo setorizado, dá trabalho. Tentei bolsas em Portugal com o meu teste de QI e fui ignorado. Portugal está academicamente muito atrasado. Perceba, minha renda vem dos clientes do Brasil, assessoro desde artistas à médicos, advogados, empresários. Tenho mais de 20 colunas espalhadas em diversos países e isso não me dá renda, tenho dois jornais em Portugal e nunca recebi um euro por eles, nem de anunciante. Percebo que a economia aqui gira lentamente e não há uma cultura publicitária como em outros países. Mas não há sequer boa vontade do governo com pessoas que possam somar ao país, muito menos das instituições.

Fiquei curioso de quantas coisas faz…

É uma pergunta que sempre me fazem, como consegue Fabiano?(risos) Não sei, estou a viver. Fundei um Centro de Pesquisas, uma revista científica no Brasil, tenho minha empresa de comunicação, assessoria de imprensa, marketing, mídia social, consultoria. Sou diretor da ONG Coalizão Internacional, como relações públicas, também com mesmo cargo na Câmara Portuguesa. Sou orientador em duas universidades nos Estados Unidos e de uma escola especial de superdotados em São Paulo no Brasil. Tenho jornais no Brasil e em Portugal. Membro de ordens, associações, etc. Vou lançar meu primeiro curso de neurociência raiz, como chamo, com base nos cursos que fiz em Harvard e na Duke, ambas nos Estados Unidos. Seus métodos são os melhores que vi, eu que fiz neurociência em mais de um país. Dou consultoria para pais de crianças superdotadas. Sou cientista em uma fábrica de suplementos. Ah, orientador em uma faculdade no Brasil, do centro de inteligência da faculdade. Sou também um apresentador de pessoas sem fina lucrativos (risos), apresento pessoas, elas se beneficiam e fico feliz com isso. E sou membro da associação brasileira e portuguesa de neurociências, da Federação Europeia, ah, um monte de coisa, tem que ir lembrando ou me chamam no whatsapp para algo e me lembram [risos]. Não posso esquecer dos cursos: estou fazendo mais de uma pós, especialização e mais um doutoramento que ganhei bolsa nos Estados Unidos.

Mais novidades desde a nossa última conversa…

Fui convidado para um doutoramento em Neurociência na Universidade Unilogos, que é uma universidade americana e que tem parceria no Camboja cujo diploma é válido na Ásia. Ganhei uma bolsa 100%. É com base nessa bolsa do doutoramento – ou seja, do meu segundo doutoramento – que estou a escrever a tese, [cujo resultado] vai criar um vínculo com o laboratório e com a própria Universidade de Idaho. Esta universidade também tem o título reconhecido pela convenção de Bolonha, pela França e automático com a universidade Ubadol na Bolívia. Antes de aceitar o convite fiz um interrogatório [risos]. Ainda vou descobrir mais parcerias deles para aproveitar essa oportunidade e prometo que vou ajudar a fazê-los serem merecidos pela oportunidade. Fazer jus ao meu título de fazer pessoas e empresas famosas. É algo que está a surgir agora. Mais do que os livros, os artigos científicos têm me ajudado. O Brasil tem um investimento maior na ciência do que Portugal. Acho que o Brasil é o 6º país no mundo que mais investe em ciência. Mas eu não estou lá [risos]. Como filho de portugueses que escolheu morar em Portugal, eu tenho um apoio maior do Brasil, mas não estou no Brasil. Isso afeta de certa forma porque precisava de estar lá para ter mais auxílio nas pesquisas. Seja laboratório ou pessoas, preciso de ajuda nas pesquisas. Aqui em Portugal, nem a imprensa se importa. Quero fazer a minha parte para mudar isso. E outra coisa que aconteceu de lá para cá: abri um centro de pesquisas no Brasil com grande facilidade dentro dos requisitos exigidos, mesmo lá sendo um país com muitas burocracias. Pedi informações, aqui, ao meu contabilista sobre centros de pesquisa e quase ninguém me sabe dar informação, por isso que abri no Brasil. Também fundei uma revista científica no Brasil já que aqui não encontrei nada. Aqui em Portugal tem que conhecer as pessoas certas, pode ser que não as conheci ainda para fazer as coisas acontecerem, ou, realmente é isso. Em Portugal, mais que no Brasil, tem que correr atrás, não estenderão as mãos. Não que precisei disso algum dia, que estendessem as mãos, resolvi sempre tudo sozinho. Mas pelo menos dar ouvidos e ter caminhos. Um exemplo do que estou a dizer, tenho licenciaturas no Brasil de Biologia e História. A faculdade brasileira está listada na DGES o que seria um reconhecimento automático, de nível, só que rápido, mas a universidade escolhida, a de Lisboa, não a Nova, respondeu que o setor ia entrar em contato e já se passaram meses. Um outro caso, a universidade americana que tenho graduação em psicologia e neurociência, não está listada na DGES, pois alegam que não está na CHEA, acreditadora privada. Sendo que nos EUA não há obrigações de estar nesta, mas pode estar em outras acreditadoras privadas. E ela está na ASIC, que é internacional já que possuem sedes em outros países, a ASIC está na lista da CHEA, mas não me dão solução. Entenda como isso é, pois é surreal isso; na lista da DGES não aparece a universidade, pois não aparece na lista da CHEA, e parece que a DGES puxa a lista da CHEA. Mas a universidade aparece na lista da ASIC, que é internacional, a ASIC aparece na lista da CHEA. Quando questionada, a DGES responde como um robô, sem soluções e sem nem ao menos analisar meu histórico. Tenho mais de 50 títulos e isso importa? As coisas são tão tão lentas que me agoniam. Até um jardineiro é difícil. Sou muito acelerado e me faz mal quando as coisas não acontecem como deveriam. Falei do jardineiro pois pago mensalidade e mesmo assim ele some e aparece depois que já está uma selva em meu jardim.

Como é que se chama a revista?

É a CPAH Scientific Journal of Health, que é a abreviação de Centro de Pesquisas de Análises Heráclito. Eu tenho publicações em diversas revistas científicas e sei o quanto é difícil, demorado e caro a publicação. Resolvi lançar uma que fosse dinâmica e barata, na verdade só cobro preço de registro, não ganho nada. É uma maneira de dar a oportunidade à pessoas que precisam de artigos publicados. E uma estratégia, já que meus mais de 40 doutores e profissionais na área da saúde podem publicar seus conceitos, pesquisas, estudos sem burocracia. Também tenho um sistema de suporte para artigos, onde ajudamos na montagem do conteúdo como auxílio já que muitos não tem tempo.

E o seu 11º livro?…

Chama-se “Nas Profundezas da Razão, a Pandemia da Saúde Mental”. Em 2018 falei que a internet estava a deixar as crianças e as pessoas menos inteligentes. A pandemia comprovou isso. Vários professores do Brasil deram razão ao que disse quando voltaram às aulas. Eu estou tentando ajudar a nossa sociedade. Não sou o dono da verdade, apenas gostaria de mais atenção antes que seja tarde, não custa raciocinar sobre fatos com comprovações científicas. O que está a acontecer no Brasil com as redes sociais está a ser absorvido pelos jovens daqui. Uma filha de uns amigos meus está viciada no TikTok. Nessa cultura de rede social pandémica brasileira que está a prejudicar a mentes dos jovens brasileiros e vai acontecer o mesmo com as crianças em Portugal. Analise quais as músicas e danças seus filhos fazem, os chamados memes, Youtubers que assistem, se não são do Brasil. Peço desculpa pelo termo, mas as crianças estão a ficar dementes. Não conseguem dialogar nem se expressar. Não têm conhecimento útil. O TikTok não é nada mais do que uma aplicação com uma estratégia para libertação excessiva de dopamina, que é o neurotransmissor na recompensa e que vicia. Quanto mais conquista, mais quer conquistar. O TikTok está a aumentar a secreção da dopamina de forma constante, fazendo com que as crianças fiquem viciadas na aplicação. No mundo todo já foram contabilizados 20 suicídios de jovens e crianças por causa do TikTok.

Disse que já estava tudo pronto até ao 15º livro. Neste momento, está a este nível?

Estou com dificuldades em encontrar uma editora porque não adianta lançar o livro no Brasil e trazer para cá [risos]. A editora e a impressão são muito caras em Portugal, esse é o meu maior problema. E não se recupera pois hoje em dia poucos compram livros. Já até enviei um email para editora Porto que ignorou, disse nem ter vaga. Me senti um estrangeiro pedindo favor a grande editora do Norte, mesmo sendo português e cotidianamente em programas e rádios no Brasil.

Recuemos ao ano 2020

Tem um currículo brilhante. O Fabiano lançou o livro “Filosofia da Educação”. É um livro meramente académico, ou nem por isso?

É um livro que fala de como a Filosofia é importante na educação, como temos de buscar uma nova filosofia de educação. Ou seja, a educação num todo. Seja nas escolas, seja a educação dos pais para os filhos porque temos que nos adaptar à evolução.

O que é que está a falhar para não nos adaptarmos a essa evolução?

Por exemplo, aqui em Portugal durante o confinamento procurei muitos cursos online. Num período em que a gente não se pode expor e ter contacto com outras pessoas, por mais evoluídos que nós estejamos em relação à internet, quase que não temos ensino à distância e o que há, é fraco. Eu tenho de estudar constantemente porque tenho uma ansiedade natural, genético. Eu gosto dessa ansiedade porque uso-a em meu favor. Existem vários tipos de ansiedade. Há as pessoas que são geneticamente ansiosas, que já nascem com a ansiedade mais potencializada do que em outras pessoas. E depois há pessoas que promovem a ansiedade devido à vida, ao comportamento. Eu tenho uma ansiedade de nascença, tem relação com a superdotação. Não curto muito essa palavra, superdotação, mas é o melhor termo que define.

Relativamente à “Filosofia da Educação”, o que é que este livro apresenta em termos de propostas?

É exatamente isso, sobre a adaptação. Como eu disse, utilizo a minha ansiedade estudando então procuro cursos online o tempo todo porque trabalho muito. Não tenho tempo para me deslocar e encontrei alguns cursos em Portugal e no Brasil, mas há muitas burocracias. O online não está preparado para ensinar as pessoas como deveria. Eu fiz 4 cursos pós- universitário em Portugal. Escolhi cursos diferentes para ver qual a melhor plataforma e método de ensino. Nenhum deles tem um bom método de ensino. Principalmente comparada as plataformas dos cursos que fiz nos Estados Unidos e do Brasil. Fiz cursos online na Espanha que usam a plataforma americana, muito bom também. Universidade de Madrid e Carlos III.

Qual seria um bom método de ensino?

Os cursos que fiz nos Estados Unidos, a qualidade de vídeo, o material, a forma e as estratégias que têm para prender as pessoas, e não só isso. O método de fiscalização é um método criado para que não compense ir procurar respostas noutro sítio. É um método que te vai levar ao conhecimento. Eu procuro métodos de ensino em que a pessoa tenha vontade de aprender. O maior problema no mundo de hoje, nesta nova linha cronológica evolutiva, é a ansiedade que faz com que tenha desinteresse em determinadas coisas. E nós precisamos de usar a atenção e emoção para aprender. As técnicas utilizadas têm que fazer com que você goste daquilo, trazer emoção para que você tenha uma memorização mais fácil. Sei bem como é isso [pois] presto consultoria para processos de memorização e tenho alguns artigos sobre isso. Enquanto a prova é obsoleta, estratégia do passado, pode ser usada, mas não é o primordial. Você estuda a matéria, faz a prova e depois quem te garante que não vai esquecer? Isso é uma das coisas que falo no livro, mas também a educação dos pais com os filhos. Vários tipos de educação. Por exemplo: eu percebo que em Portugal mimam as crianças demais. Eu nasci no Brasil, sou filho de madeirenses que emigraram para o Brasil, mas fui criado numa colónia portuguesa e sei como é a cultura de lá e a cultura daqui. Ou seja, Brasil e Portugal não têm muita diferença cultural em termos de adaptação. Lá existe um mimo menor e uma liberdade maior, mas isso está relacionado com a cultura e incentivo de Portugal por ter poucas crianças e ter necessidade de ter mais crianças. Quase que inconsciente, o português vê na criança algo quase raro e então protege demais. Psicologicamente resulta em péssimos adultos. Se dá tudo e se faz tudo o que a criança quer, quando for adulto vai achar que tem de ter tudo. E como a vida não dá a pessoa entra em frustração. No meu livro tenho vários temas, como por exemplo, [questiono se] estamos a dar liberdade demais para os jovens. Temos de educar os jovens em relação à sociedade, valores éticos e morais com conhecimento dentro de uma lógica e sem idealismo, a política fez com que os jovens tivessem voz porque os políticos usaram os jovens a seu favor. Só que os jovens não podem ter voz.

Isso não é repressivo?

Não, é a maneira que se dá a voz. Uma coisa é ter voz para ter opinião, outra coisa é ter voz e achar que manda e que sabe tudo. Aí é que está o problema. Os jovens acham que são imortais, acham que sabem tudo. O respeito pelos mais velhos, que muito orgulhava Portugal, vai diminuindo.

Portugal e o debate da disciplina Cidadania. A sua abordagem faz alguma menção a esse tipo de discussão que está a acontecer dentro da sociedade portuguesa?

Agora houve muitos protestos em Portugal e quando iam fazer entrevistas aos jovens e perguntavam o que estavam a fazer ali muitos não souberam responder. Os adultos, ao invés de terem uma opinião formada por mero achismo, devem ter uma opinião formada baseada na experiência. O nosso desenvolvimento cerebral cognitivo vai de acordo com a experiência. O jovem ainda está a formar o lobo frontal que finaliza a sua formação até os 24 anos de idade, é cientificamente comprovado que ainda não possuem a região do raciocínio lógico totalmente formada, o que garante que suas emoções prevalecem mais que a razão. A neurogénese é a formação de novos neurónios. Fazemos a neurogénese, ou seja, produzimos novos neurónios no hipocampo até à velhice, mas são neurónios para sustentar a memória. A experiência conta no processo de desenvolvimento cognitivo, o que você viu e passou na vida, cada erro e cada falha que teve de aprimorar moldou a sua inteligência cognitiva de uma maneira que o jovem não tem.

Os jovens não têm direito a pensar e a errar com base na sua idade?

Os jovens têm direito a pensar até porque é impossível tirar o direito de alguém pensar.

E a errar também?

Se eles não errarem eles não vão aprender. É com o erro que você aprende, mas o que quero dizer é que estamos dando voz, razão e não debatemos nem ensinamos. É uma liberdade excessiva em que eles fazem o que querem e não há ninguém para dizer se eles estão certos ou errados. Você só vai ter voz e errar para aprender, se alguém mostrar que aquilo é um erro. E eles precisam ter a consciência que um dia serão velhos, que a experiência tem peso nas decisões, deve-se ter sempre a consultoria dos mais velhos assim como o respeito por eles. A maneira com que alguns jovens se comportam não é inteligente, pois estão promovendo uma cultura que, depois, quando velhos, serão afetados, esquecidos. Temos que plantar hoje para colher amanhã, mesmo que o amanhã pareça distante. Pessoas com muita inteligência sempre pensam no amanhã.

Como é que o Estado deve atuar estando na democracia em que vivemos?

Democracia entre aspas. Eu não sou político, não gosto de política, mas para mim é uma democracia entre aspas porque eles têm o controlo de tudo e a manipulação que têm faz com que não seja assim tão democrático aos olhos de quem pensa com lógica. Interessa ao Governo ter o jovem ao lado dele, isso é uma política óbvia.

Acha que há um embrutecimento da parte do Estado para que com os jovens?

Eu acho que há uma manipulação, dando aos jovens aquilo para se sentirem confortáveis e os apoiarem porque as eleições são de 4 em 4 anos. Um pré-adolescente com 14 anos, daqui a 4 anos já está a votar.

O conceito de ‘cidadania’ não passa também pelos pais?

Também falo disso no meu livro. Mas aí temos o problema de que os pais não estão educando como se educava antigamente. Hoje, com a vida atribulada que temos, com a necessidade de ganhar mais dinheiro para sustentar a família, você passa mais tempo trabalhando do que dando atenção para os filhos. E mais, em Portugal as crianças ficam o dia inteiro na escola. E os pais pensam ‘Eu deixo-o na escola, e a escola educa’. Mas a escola não educa, ensina matérias para o conhecimento didático. E é o gatilho para desvios.

Com os confinamentos, esta realidade não terá mudado, uma vez que quase todos os pais estavam com os filhos em casa?

Existe uma tentativa de adaptação. Acredito que ainda é pouco tempo para mudar de como era antigamente. Isso é uma opinião minha. Este tempo de confinamento ainda é pouco para poder causar uma mudança porque estamos a falar de anos e anos para criar uma cultura. E estamos a falar de menos de um ano para determinar uma mudança. Acredito que possa ter uma mudança em relação à questão tecnológica. Agora, é cedo para poder determinar uma mudança psicológica em relação ao convívio. O que posso afirmar é que a ansiedade nos causou danos que podem ser irreversíveis.

Qual é a proposta que o Fabiano faz, uma vez que o livro foi escrito agora (durante o primeiro confinamento)?

Eu tenho vindo a escrever o livro e terminei-o agora, mas não tem o confinamento como referência porque escrevi um livro para que seja lido agora e depois. Falando do método de educação, onde estão os nossos erros que estamos cometendo em relação à educação. Nós temos uma memória genética e ela é determinada consoante a nossa evolução. Tivemos uma mudança abrupta e ainda não nos adaptamos a essa realidade. O nosso código genético está determinado para uma situação mais ancestral. Isso tem que ser levado em consideração junto à globalização e o avanço tecnológico para estipular um método de ensino mais adequado. A educação está obsoleta com métodos de um outro tempo.

Há pouco o Fabiano esteve a falar de como usa a ansiedade para o bem e para aprender mais. A forma como vemos as pessoas falarem da ansiedade é errada?

Eu respeito qualquer pessoa que possa ter voz para falar de algo que ajude na saúde mental das demais pessoas. Qualquer um que possa usar do seu tempo para ajudar as pessoas é válido. O preocupante é quando as pessoas não têm uma base para falarem de um assunto e que fale algo errado. Ao estudar psicanálise ou psicologia, você aprende métodos e por mais que eu conheça a sua vida e os comportamentos, o estudo fornece uma amplitude de conhecimento muito maior para saber lidar com situações sem ter consequências. Por exemplo, se tem uma ansiedade relativa e há um transtorno de personalidade devido a um trauma passado, não adianta estar a ouvir formas de curar a ansiedade se tem um problema lá atrás. Há técnicas e uma responsabilidade muito grande quando se fala em saúde mental, não é brincadeira. Não concordo com pessoas sem formação brincando de serem o que não são. Estamos a falar de vida.

Está a haver uma má abordagem na forma como as coisas estão a ser feitas e ditas ao nível da ansiedade?

Exatamente. É muito complexo as pessoas falarem de ansiedade sem colocar nuances e saber o motivo do porquê daquela pessoa ter ansiedade. Depende da forma que vai falar e do conhecimento que tem para falar de ansiedade. Não nos podemos esquecer que a ansiedade é algo natural que faz com que a gente se levante. É a resposta, é a fuga, é resolver a pendência. Se a ansiedade não existisse nós não nos levantávamos para resolver as coisas.

“Eu era um aluno rebelde”

Como é que as pessoas podem fazer um bom uso da ansiedade?
Eu acredito que tudo o que estejamos a sentir que fuja de um padrão e que traga algo que não seja confortável, já é um motivo para repensar em si mesmo.

Se você está vivendo uma vida de equilíbrio está utilizando o método para sobreviver, é o que nós queremos. Nós não somos mais nada do que células reprodutivas que precisam de evoluir para sobreviver. Se está sentindo que algo incomoda, então há que repensar e fazer um autoconhecimento para ver o que está errado e encontrar métodos em busca da homeostase. A ansiedade afeta quando mexe com os neurotransmissores. Nós temos mensageiros químicos e um dos mensageiros é a dopamina, que é o neurotransmissor da recompensa. Você sente fome, a ansiedade é que faz você levantar para comer. E quando come libera dopamina, que é a satisfação. Quer conquistar cada meta que coloca na sua vida, para liberar cada vez mais dopamina. Recentemente, há 5 mil anos, usávamos a dopamina como uma conquista pré-determinada, ou seja, vou caçar, vou relacionar-me para reproduzir. E a cada conquista secretamos dopamina. Hoje em dia, colocamos milhares de metas simultâneas a secretar constantemente a dopamina. Por exemplo, quando publicamos uma foto na rede social e tem gostos e comentários é a sensação da dopamina que faz com que publique de novo. Mas porque é que queremos publicar na rede social? Porque há uma pendência que não estamos resolvendo. Por exemplo, temos a pandemia que afetou a economia e a própria doença, esses fatores aumentam a ansiedade porque não sabe o que vai acontecer, pensa em ansiedade como pendência que quando não resolve, aumenta, não está nas suas mãos resolver esse problema do vírus e da economia. Então, isso ativa ainda mais a ansiedade. Fora o facto de que não estamos a usar a ansiedade para a rotina que tínhamos. Esse excesso de pendência trás uma negatividade, já que a ansiedade busca na amígdala cerebral, região que arremete à memórias de traumas e negativas armazenadas, como um mapa de opções e demonstrações, para que encontre uma melhor saída. A pessoa então procura na publicação da rede social a dopamina e a felicidade que precisa naquele momento já que não está tendo por outros meios. Só que isso não adianta nada porque as pendências não vão sair do lugar.

O Fabiano foi considerado uma das pessoas mais inteligentes do mundo. O que é que é isto, exatamente?

É uma pergunta interessante porque isso pode trazer-me coisas boas e negativas. Quando o meu QI saiu nas notícias as pessoas ‘apontaram o dedo’ e perguntaram “Como assim?”. Eu não tenho essa vaidade em relação ao meu QI. Para mim não significa tanta coisa. O que significou foi eu entender o meu passado, a minha personalidade e comportamentos. Para isso é que foi importante. Eu bati um recorde mundial em alçar pessoas à fama e um jornalista famoso comentou sobre eu fazer teste de QI, então eu disse que já tinha feito com 17 anos, mas que não tinha mais os papéis. Então fui indicado à Roselene Wagner, uma importante psicóloga do Rio de Janeiro, que faz testes de QI em pilotos de companhias aéreas. O primeiro teste dela não era de pontuação, era de inteligência geral e aptidão. Me encorajou de fazer o da Mensa, depois fiz mais 3 testes de QI, ou seja, são 4 com pontuação e um sem. Teve um que fui cobaia de um novo teste lançado.

Com quantas figuras trabalha neste momento?

Trabalho com 50, todos fora de Portugal. E isso tem dois motivos: um é porque ainda não há essa cultura aqui, pois mal entendem no que trabalho. Quando eu vim para cá a Comissão de Carteira Profissional De Jornalista (CCPJ) disse-me que não posso ser assessor de imprensa e jornalista em Portugal. Então decidi não ter nenhum cliente cá. Eu tinha carteira de jornalista em Portugal, tenho no Brasil e a nível internacional e lancei um jornal digital na minha vila pelo simples facto de que não existia. O intuito do meu jornal é puramente social. Lancei em prol da sociedade. A CCPJ tomou minha carteira de jornalista alegando que sou assessor, mesmo sendo no Brasil e não em Portugal, incoerente não? No Brasil todo assessor é jornalista. Ou seja, deixei de atender pessoas ou tentar atender aqui para tomarem minha carteira. Fui denunciado no ERC também, em meu jornal, que está me dando trabalho. Também fui denunciado no órgão de nutrição, porque em minha rede social estava escrito nutricionista clínico, tive que ir à justiça comprovar que tenho especialização avançada em nutrição clínica, que não sou nutricionista, mas que não atendo pessoas e nunca passei uma receita. É muito surreal tudo isso, a denuncia partiu de uma escrita no Facebook e sem qualquer prova documentada de atendimento. As pessoas me denunciaram umas 5 vezes aqui, não percebo isso, eu não ligo, óbvio que tudo que anuncio tenho como comprovar ou não teria mais de 20 colunas em jornais, revistas, em grandes portais em Angola, Brasil e Portugal. Nem participaria de programas de TV e rádios no Brasil todos os dias. Eu gosto de dizer a frase que: para os que não têm capacidade, o seu sucesso pode ser extraordinário demais para ser verdade. Mas vejo tudo sempre pelo lado bom, essas denúncias me exigem respostas que podem ser lucrativas e ainda conheço mais pessoas, é uma movimentação. Aconteceu o mesmo quando cheguei na vila, teve um boato que correu de que eu estava fugido. Como alguém pode fugir e se expor na imprensa? [risos]. Acontecem coisas muito engraçadas, mas percebo, nós portugueses precisamos andar pra frente, estávamos e ainda estamos parados no tempo.

Tem intenção de abrir a Mensa cá em Portugal?
Não, isso dá trabalho e não é lucrativo, está abrindo uma Mensa em Portugal, mas não sei muito sobre ela ainda. Na Mensa internacional a Mensa de Portugal aparece como não independente. Acredito que terá um português dedicado na Mensa daqui; em Portugal tem algo que admiro, as pessoas investem tempo e energia em coisas com baixo poder lucrativo, se contentam com pouco, isso é interessante… No Brasil as pessoas trabalham mais e querem sempre mais.

Sobre os testes de QI…
Quando fiz o teste da Mensa eu estava muito ansioso e isso pode ser significativo no resultado. Então, aproveitando que estava no Brasil a passar 4 meses, fui à São Paulo fazer um poderoso teste com a ex-presidente da Mensa, 3 dias de testes que o resultado viria 20 dias depois. Então, dois dias depois deste teste, a Mensa me ligou a confirmar que eu havia sido aprovado, não podemos revelar o resultado do teste da Mensa, o que é super correto. Só pode entrar acima de 98 de percentil. Depois recebi o teste da Cristiane de São Paulo, este eu posso revelar, mas não era meu interesse em dizer. Este meu “amigo” jornalista me ligou perguntando se eu tinha passado na Mensa e eu disse que sim, perguntou o resultado e eu disse que não poderia dizer. Mas comentei que tinha feito um em São Paulo com uma importante psicóloga e que eu estava assustado, pois ela mesma disse que era muito alto. E comentei dos 99 de percentil. Ele pediu para ver pois estava curioso de como era, simplesmente ele publicou e não gostei na época. Por isso aqui em Portugal ficaram a saber. Mas em paralelo, eu não estava a acreditar, foi então que procurei outra psicóloga e fiz mais um que se confirmou. Depois outro como cobaia de um teste lançado e novamente o mesmo resultado. O percentil é o mais correto já que há testes que valem 150 pontos, outros 200, não é correto a pontuação, é complexo essa questão. Pode uma pessoa ter 148 de Qi num teste de desvio padrão 15 ser mais inteligente que uma pessoa com 180 pontos num teste desvio padrão 24 e inferior. Não tenho como explicar aqui, valeria um dia de conversa. Hoje entendo perfeitamente como funcionam os testes e posso afirmar que a maioria dos números que vocês lêem na internet estão errados. O percentil é o melhor para definir, o máximo que existe é 99 podendo ser dízimas.

Neste momento está dedicado ao livro e à escrita. A produção de celebridades também continua?

Sim, é meu ‘ganha pão’, só que tenho mais profissionais de saúde que celebridades. Claro, tenho meus fiéis clientes como Fernanda D’avila, Petkovic, entre outros. Mas o meio artístico está sem dinheiro já os empresários e profissionais da saúde querendo investir. No Brasil, assim como Estados Unidos, onde também tenho empresa de assessoria, é cultural contratar uma assessoria. Faz parte do negócio e querer crescê-lo. Aqui será assim em breve. Sobre os livros, estou mais dedicado aos artigos científicos, pois exploram mais a criatividade e isso me alimenta. Os livros poucos lêem. Desanima.

E fez isso tudo num ano?
Sim, tudo no mesmo ano. Em 2018. Eu vou na impulsão. No confinamento fiz mais de 10 cursos.

O que é que representa esta percentagem tão alta em termos de conhecimento. Significa ler um livro de quantas páginas? Qual é a capacidade real que o Fabiano tem?

Sem vontade não consigo absorver uma página sequer. Quando tenho interesse no conteúdo, quanto maior o interesse, mais fácil de gravar. Por isso sou contra as provas, eu mesmo, se ler um dia antes da prova sou capaz de tirar uma nota alta, mas não sei se, ao fazer esta mesma prova meses depois tiraria a mesma nota. Eu decoro muito fácil as coisas, mas se não reforçar depois, relembrar no caso, obviamente se perde. Fica escondido na verdade. Eu sou preguiçoso para ler livros, pois a maioria não são objetivos e isso me confunde. Prefiro ler artigos científicos, são sempre mais objetivos e me fornece conhecimento. Eu tenho uma sede desde pequeno de saber a razão das coisas. Por isso tenho formações em psicologia, psicanálise, antropologia, neuropsicologia, especialização em nutrição clínica (tenho que escrever certinho esse), história, neurociência, derivados da neurociência, neuroplasticidade, entre outros. São mais de 50. É muito difícil responder o que é ter um QI alto quando se é assim toda vida e, obviamente é o eu interior que conheço, eu precisaria viver outra vida sem ter o QI alto para comparar. Algo que sei que tenho é a capacidade de projetar imagens com a mente de forma bem real. Não, não é esquizofrenia, é manipular a imagem projetada sabendo que está sendo criada propositalmente. Num dos meus testes a psicóloga disse: como você acetou toda essa combinação de números que mandei memorizar e repetir. Eu disse: Usei sua parede branca e todos eles estão lá ainda. Mas uma coisa que percebo bem é a questão cognitiva, a percepção do óbvio e das intenções. Isso me intriga demais, pessoas com comportamentos incoerentes. Será que não sabe que estamos percebendo a sua intenção? Depois descobri que não, podem não saber. A inteligência tem isso de muito bom. Perceber a intenção das pessoas nos mínimos detalhes. Uma característica é a manipulação do bem, de uma maneira satisfatória para todos os lados para um equilíbrio, isso se faz com inteligência. Olha, posso conversar consigo sobre personalidades e comportamentos inteligentes e mostrar a diferença com base na ciência e experiência própria, mas precisa ser outro artigo, pois senão esta entrevista não acaba nunca. Só tenho uma coisa a dizer, inteligência é primordial na vida humana, desenvolvemos e nos definimos devido à sua evolução. Mas inteligência para mim não é apenas relativa ao teste de QI e sim ao conhecimento. Ninguém anda com teste de QI pendurado e ele não define o quanto se tem de conhecimento. Numa sociedade, em nossa cultura, inteligente é quem tem conhecimento, portanto, não interessa o QI, tenha conhecimento e seja inteligente.

As pessoas aproximam-se de si com entusiasmo ou com medo?
Os dois. Antes de ser conhecido já tinha esse problema só pela maneira que comunico e que falo. Por exemplo, uma pessoa vem conversar comigo e diz que ‘Portugal roubou o ouro do Brasil’. Eu não vou conseguir ouvir isso sem dar uma explicação dizendo que está errado e que não roubaram o ouro. Em todos os diálogos que tinha, eu vinha com argumentos para tentar explicar que não está totalmente certo. E isso, às vezes, acaba por ser ofensivo.

Sente-se mais português ou brasileiro?
Quando nascemos, nossa personalidade de priori é genética, que se molda de acordo com o ambiente. Obviamente as circunstâncias da raiz definem o ser. No Brasil eu era chamado de Portuga, em Portugal de brasileiro. Fiz um teste de ADN e uma amiga portuguesa também o fez, no meu deu 97% europeu e no dela 89%, eu ganhei no ibérico dela. Então perguntei, de onde veio a sua família, ela disse que todos de Portugal e se surpreendeu com as suas origens no ADN. Eu tenho 29% na região escocesa e irlandesa que é da família do meu pai. Falando em passado, não posso deixar de registar aqui que sou descendente de António de Abreu o navegador que está na torre dos navegadores em Lisboa, vou à Madeira este ano ainda pegar os documentos para escrever o livro sobre a história. Vai ser divertido pois com a ajuda de uma arqueóloga, cheguei à Normandia e à Escandinávia. Vou comprovar a passado nórdico na Ilha da Madeira. Isso me diverte. Sim, Abreu tem passado nórdico.

Em que período de tempo escreveu os 10 livros?
Foi rápido, escrevo 100 páginas em 3 dias, mas tenho problemas em reler. Odeio reler o que escrevo. Então contrato alguém para ler e corrigir se tiver erros. Eu sigo um ritmo bom na escrita, mas não posso voltar atrás para ler novamente, então, sempre haverá um erro para consertar. Portanto, se acharem erros, não ligue, eu não ligo.

Como é que escreve?
No computador, às vezes no telemóvel. Escrevo todos os dias frases de pensamentos, trechos de artigos, minhas colunas, nossa, cansei só de pensar. Não consigo fazer meu ginásio, quando começo a fazer, como normal, liberamos neurotransmissores que nos trazem melhores ideias, portanto, elas chegam e tenho que abandonar o ginásio para escrever e não deixar escapar o fio do raciocínio.

Quantas horas trabalhou por dia para terminar o livro?
Eu só consigo trabalhar de dia. Começou por escrever no telemóvel enquanto estou na passadeira e depois continuo a escrever no computador até à hora de almoço. Às vezes estou a atender os meus clientes e tenho uma ideia, então paro e escrevo. Eu nunca parei para calcular o tempo.

Quais os livros que o Fabiano tem estado a ler para se inspirar?
Eu não leio o livro dos outros por falta de tempo.

Não teme que as ideias que está a escrever já existam?
Se eu escrevo a partir de um pensamento próprio e único, as chances de ter um pensamento igual a alguém são quase nulas [sobretudo] quando a minha ideia é mais cientifica. Eu fiz Neuropsicologia aqui em Portugal e fiz o meu TCC (Terapia Cognitiva Comportamental) num dia e entreguei-o sem citações. Eles disseram que precisava de citações e me perguntaram em que me tinha baseado. E respondi “Baseei-me no conhecimento do que aprendi”. Eu fiz um bacharelato em Neurociência nos Estados Unidos, também passei por Harvard. Toda a teoria que queria colocar no TCC já estava na minha mente e comecei a escrever. Quando entreguei eles não aceitaram. Porque é que eu tenho de ir buscar fontes e não pode ser da minha cabeça? Se o professor vai corrigir e estiver errado ou achar plágio reprova-me. Mas e se estiver tudo certo?

Qual é que terá de ser a base de análise comparando esta forma de colocar as ideias com a dos seus colegas que têm de citar os livros?

Imagine que está na faculdade e consegue memorizar o que foi falado, e depois vai escrever o que foi dito. Se você escreveu o que memorizou, porque é que a faculdade não vai acreditar que tenha memorizado aquilo? A comprovação se dá, de forma fácil, tem até programa para isso, analisando se há plágio.

Acha que há falta de preparação e de compreensão das escolas para pessoas superdotadas como o Fabiano?
Totalmente.

E voltando ao livro. Esta será uma abordagem que também estará no livro?
Também. Quando me inscrevi na universidade nos Estados Unidos, fui para lá de propósito porque sei o método que os americanos avaliam as pessoas superdotadas, assim como os ingleses. Eu mandei o meu teste de QI, eles entraram em contacto com a Mensa, confirmaram o meu perfil, e disseram que não precisava de fazer provas de admissão e ainda disseram para mandar todas as formações que tinha. Numa semana, a universidade disse que ia tirar todas as matérias básicas e desnecessárias. Quando é que vão fazer isso aqui em Portugal? E claro, recebi bolsa. Aqui não estão a se importar com QI.

Qual é o universo de pessoas como o Fabiano, em termos numéricos?
Não faço ideia.

Não há um contacto entre as pessoas com a mesma capacidade do Fabiano?
Só na Mensa é que conversamos entre nós. Tenho mais contacto com os brasileiros da Mensa devido ao idioma. Os dados dizem que acima de 98 são 2% da população, segundo dados da Mensa. E no caso de 99 é 0.8% da população.

O Fabiano sente-se discriminado da sociedade devido à sua inteligência?
Eu entendo, perfeitamente, que o jornalismo coloque que eu tenho um QI maior do que o Einstein porque o QI dele foi medido por especialista baseado no que ele fez. Ele não fez um teste de QI. Steve Jobs e Bill Gates fizeram o teste de QI. E como o meu deu um maior número do que o deles. Mas a discriminação está na comparação. São tempos diferentes, meu record, minhas descobertas, qual impacto disso no futuro? Hoje em dia não se fazem mais estátuas e nem as quero. Mas a questão é que, estamos na era do imediatismo. Uma descoberta hoje é vista por 1 milhão de pessoas, na época por 500 mil e se tornou história, essa de 1 milhão é logo esquecida ou pouco se importam com ela. Também estamos na era do narcisismo patológico, a rede social causou uma disfunção em que todos pensam ser alguém poderoso. Isso fez com que acabasse a admiração pelo outro e também aumentou a raiva pelo sucesso do outro. Como se o outro fosse uma ameaça para o trono.

Se contabilizar os cursos que tem estado a fazer, quantos tem?
Tenho mais de 55 creio, entre bacharelado, licenciatura, mestrado, doutoramento, especializações, pós universitários.

Estamos a falar de que áreas?
Neurociência, psicanálise, neuro tudo(risos), biologia, história, inteligência artificial, sou IPI da Intel, programação em Python.

Desde que ano começaram a decorrer as formações?
Só em 2020 completei 5 pós-graduações e algumas especializações. Vou contar uma coisa interessante. Eu tive de pedir que 2 cursos em Portugal abrissem [uma formação] online para mim porque disse que acabaria o curso em 2 meses. E eles disseram que não podiam porque o curso é de 1 ano, mas falei para abrirem porque consigo fazer em 2 meses. Eles abriram e concluiu o curso em 2 meses. Foi em nutrição clínica e riscos psicossociais e neuropsicologia.

Como é que se vê daqui a 5 anos em termos de formações?
Na verdade, não sei. Eu escrevi uma frase que diz o seguinte, ‘Eu não estudo para colecionar diplomas, eu estudo para parecer menos idiota num diálogo’.

Mas isto é tudo feito na base da ansiedade. Não será um distúrbio?

São metas. Eu coloco metas na minha vida porque ao estudar eu estou a fazer a neuroplasticidade cerebral, que liga novas conexões no cérebro. Já fiz exames suficientes para entender que não é um distúrbio (risos), sou perturbado de natureza [risos]. Meus exames não constataram nada de anormal.

Quando absorvemos conhecimento, abrimos novas conexões no cérebro o que faz retardar a demência e manter o cérebro bom por mais tempo. Também é uma técnica que utilizo para não sentir tristeza e para me sentir útil. Faz-me bem falar para uma rádio sobre saúde e como evitar a depressão, e saber que estão pessoas a ouvir e que vou ajudá-las. Isso faz-me bem porque é como se a minha vida não fosse em vão. Tudo na minha vida está ligada à morte. Acho que o morrer é algo muito injusto [risos]. A gente nasce e mal aprende as coisas já está na escola. Depois da escola temos de trabalhar. Temos obrigações o tempo todo. Quando chegamos no momento de curtir a vida, estamos reformados. Mas aí já estamos com problemas mentais porque passamos a vida inteira com obrigações. Quando chegamos à reforma sentimo-nos inúteis porque já não tem de fazer as tarefas do quotidiano. Inclusive sentimo-nos esquecido porque não estamos a fazer nada. Por exemplo, o senhor tem um jornal e faz algo de útil, passar informação. Não só passa informação como ajuda a sociedade. Eu quero sentir-me útil. Tenho muitas colunas em meu nome, Brasil, Angola, Portugal. Na altura o Presidente de Angola convidou-me para fazer uma palestra e o dono do maior portal do país chamou-me para ter uma coluna. E eu pensei ‘Claro que sim, porque vou ajudar o povo angolano’. São colunas onde falo de saúde mental. Eu ganho a vida assessorando pessoas no Brasil. Eu já tenho programado que a partir dos 50 anos de idade paro com a assessoria e começo a trabalhar com a área da saúde. A minha meta é abrir um curso para ajudar mais pessoas, principalmente pessoas que os outros não entendem. Outro problema que temos na educação é que não é singular, é plural. Nas redes sociais cada um tem um perfil e temos de nos ver como um perfil. Eu era um aluno rebelde não queria estudar porque não gostava do método da professora. Mas quando ia fazer a prova, eu tirava uma nota alta.

Como é que é o dia-a-dia do Fabiano?

Eu tento ir dormir antes da meia-noite. É muito difícil para mim porque como trabalho até às 22:00/22:30 o fuso horário do Brasil atrapalha muito. Temos de dormir 8 horas por dia, e é à noite – não é de madrugada – nós produzimos melatonina, que é um neurotransmissor do sono. À noite e não de madrugada. O ideal é adormecer às 23:00 e acordar às 07:00, mas não consigo. Então vou dormir entre a 00:30 e a 01:00.

Isso tem influenciado em termos de saúde ou em termos de raciocínio?

Sim, interfere. Se for dormir às 02:30 e acordar às 08:00, a minha motivação cai muito e fico fatigado. De manhã quando vem alguma ideia à minha cabeça que não posso deixar escapar, eu largo a passadeira e vou para o computador porque no telemóvel já não é o suficiente. A minha ansiedade fica ativa de uma maneira que o telemóvel parece ser muito pequeno [risos]. Durante o confinamento ia para a passadeira estudar as coisas do curso, depois ia para o computador continuar o curso para fazer a prova no dia seguinte. (MM)

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