Facebook forma imigrantes, refugiados e ciganos em técnicas para combater discurso de ódio na Internet

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Representante do Facebook para Portugal e Espanha reconhece que há proliferação do discurso de ódio nos meios digitais

A rede social Facebook realizou duas formações a dirigentes de associações de imigrantes, refugiados e das comunidades ciganas em Portugal sobre recursos e mecanismos a usar para prevenir e combater o discurso de ódio na Internet, numa parceria com o Alto Comissariado para as Migrações (ACM).

O curso sobre “Prevenção e Combate ao Discurso de Ódio na Internet e no Facebook” foi ministrado esta semana em Lisboa e Porto, e centrou-se em técnicas de “como denunciar o discurso de ódio” naquela que é a maior rede social e “em como criar e divulgar contra narrativas para o combater”, refere uma nota do Alto Comissariado para as Migrações, a que o jornal É@GORA teve acesso.

“Além dos Padrões da Comunidade, as duas representantes do Facebook presentes no evento dinamizaram dois workshops centrados em como denunciar o discurso de ódio naquela rede social e em como criar e divulgar contra narrativas para o combater, desafiando os/as participantes a juntarem-se em grupos e a criarem campanhas”, refere o ACM.

A iniciativa que contou com a presença do representante do Facebook para Portugal e Espanha, Guillermo Serrano, e do Alto-comissário para as Migrações, Pedro Calado, decorre num momento em que o tema assume particular pertinência face à proliferação do discurso de ódio nos meios digitais.

Durante o seminário, o diretor do Departamento de Relações Internacionais, Política Migratória e Captação de Migrantes do ACM e a Coordenadora do Gabinete de Apoio à CICDR falaram sobre os mitos e os factos sobre migrações e comunidades ciganas, bem como sobre os mecanismos legais de combate à discriminação racial em Portugal.

Segundo o comunicado de imprensa do Alto Comissariado para as Migrações, a Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial (CICDR) em Portugal tem registado um “crescimento exponencial” de queixas recebidas ligadas aos conteúdos e expressões de discriminação e ódio divulgados na Internet.

O último Relatório Anual sobre a situação da Igualdade e Não Discriminação Racial e Ética refere que, num universo de 346 queixas recebidas no ano passado pela CICDR, 49 diziam respeito à Internet.

De acordo com o mesmo documento, os setores de “Media Social/Internet” e o do Comércio também registaram um número considerável de queixas relacionadas com a discriminação.

A sessão inaugural do curso em Lisboa contou com a presença da Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Rosa Monteiro, que assinalou a importância destas iniciativas e da cooperação interinstitucional para a promoção da igualdade em Portugal.

As duas sessões simbolizaram “um passo importante para nos munirmos de recursos que nos permitam melhor cumprir a nossa missão”, a de reforçar as estratégias de prevenção e combate ao discurso de ódio, disse Rosa Monteiro.

A governante sublinhou ainda a relevância do espírito de cooperação interinstitucional da iniciativa “porque em políticas de âmbito transversal, todas as organizações contam”, seja pelo “cunho agregador” das intervenções conjuntas, quer pela natureza de cada uma das entidades aí representadas, lê-se na nota. (MM)

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