Fim da longa espera: Há quatro voos humanitários entre Lisboa-Maputo-Lisboa

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FOTO: TAP ©

Precidónio Silvério

Cidadãos em espera em Portugal e Moçambique poderão, nos próximos dias, voltar aos seus países, com a introdução de quatro voos humanitários de repatriamento entre Lisboa e Maputo e vice-versa, segundo avança um comunicado da embaixada portuguesa na capital moçambicana.

É o fim de mais um clamor de cidadãos que se encontravam retidos tanto em Portugal como em Moçambique, depois de mais de quatro meses sem saber quando poderiam retornar aos seus destinos.

O documento, a que o jornal É@GORA teve acesso, indica que os voos da TAP estão agendados para os dias 16, 18, 23 e 25 de Julho. As reservas para estes itinerários vão obedecer certos procedimentos que a companhia deverá dar a conhecer muito em breve.

Por enquanto, o comunicado avança algumas regras restritivas para viajar por estes voos. Com efeito, para a rota Lisboa-Maputo, só são permitidos nacionais moçambicanos, residentes legais em Moçambique e cidadãos com autorização excepcional de entrada ao abrigo do decreto 51/2020 de 2 de Julho, número 2 do artigo 10.

De Maputo para Lisboa, podem viajar cidadãos nacionais da União Europeia, nacionais de Estados Associados ao espaço Schengen, membros das suas respectivas famílias, isto sob a Directiva 2004/38/CE do Parlamento e do Concelho.

Ainda para a mesma rota, serão aceites nacionais de países terceiros com residência local num Estado-membro da União Europeia em trânsito para o país de origem ou residência legal.

Mais de 200 tripulantes chegaram

No sábado, chegou a Lisboa um voo com mais de 200 tripulantes, depois de longa espera dos cidadãos que pretendiam voltar a Portugal ou de lá seguir para outros países da União Europeia.

O voo tinha sido agendado para decolar na hora 11 da manhã, horário de Maputo, mas isso só aconteceu uma hora depois.
No aeroporto internacional de Maputo, pais e filhos se abraçavam, maridos e mulheres se beijavam, mães rompiam-se-lhes lágrimas, mas não eram de tristeza, mas sim a felicidade de voltar a casa, para alguns, para outros o alívio de poder voltar ao trabalho.

A manhã do sábado despontava um dia diferente e atípico naquele lugar. Por estes dias, é um tanto extraordinário conseguir viajar por entre continentes.

Ana Isabel é portuguesa e tem 58 anos de idade. Passavam, já, quatro meses retida em Maputo, desde que chegou em março. Contou que por duas vezes não conseguiu viajar, depois de ver voos cancelados, entre outros constrangimentos que teve para seguir nos últimos voos especiais. Almada (Margem Sul) era o seu destino. Sua satisfação foi maior ao saber que havia uma nova chance de seguir à Lisboa.

“Estou feliz em poder viajar. O último voo que perdi foi o de 27 de junho. Vim a Maputo para turismo, mas a situação não permite sair e conhecer lugares, então é melhor voltar, mas gostei de cá estar e pretendo voltar”, contou Ana Isabel.

Braga era o destino de Célia José, moçambicana, cuja família vive em Maputo, inclusive seu filho de cinco anos de idade. Há cinco meses que não conseguia, sequer, uma oportunidade para viajar.

Célia é empreendedora e já começa a fazer balanço de receitas perdidas, depois de retida na capital moçambicana.
“Estou com meu estabelecimento fechado. Faz seis meses que não trabalho. Bilhetes cancelados por várias vezes. Imagine a desgraça, não é”, desabafou Célia José, em declarações ao jornal E@GORA.

Os novos itinerários poderão tirar do sufoco outros cidadãos que ficaram em terra. O jornal É@GORA constatou que podem existir mais nesta condição.

É o caso de Gabriela Camacho. Não seguiu no último embarque. Contou que não soube do voo, por estas alturas, o acesso à informação chega a ser deficitário.

A nossa interlocutora está em Maputo desde fevereiro. Com a sua mãe doente, tinha de estar perto. É a quarta vez que perde viagem. O seu destino é Alemanha.

“ Não soube deste voo. Tenho de voltar ao trabalho. Meu trajeto é Lisboa, Amesterdão até Alemanha. Vim cá ver a minha mãe doente e família. Procurei saber do próximo voo, mas disseram que não sabem quando”, afirmou desesperada.

O comunicado revela que os próximos voos humanitários resultam de diligências entre os dois governos, isto no quadro de reciprocidade aérea entre os dois países. O governo português já tinha se mostrado disponível a qualquer interesse do governo de Maputo de repatriar seus concidadãos.

A par disso, lembre-se, na sua última comunicação à nação, o Presidente da República de Moçambique, Filipe Nyusi, assegurou a reabertura parcial das fronteiras, como uma das medidas de relaxamento do estado de emergência, ainda, vigente no país, não obstante a sua prorrogação por mais 30 dias.

Moçambique conta, atualmente, com 1.157 casos de contágio pela Covid-19, dos quais 782 são ativos e 364 já recuperados. Pelo menos nove pessoas perderam a vida, mas destes dois por outras enfermidades. (PS)

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