Frente Antifascista e Esquerda divididas perante manifestações a favor e contra racismo em Évora

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FOTO: FAU ©

Manuel Matola

A Frente Unitária Antifascista (FUA) anunciou o seu apoio e presença na manifestação designada “Évora pela Liberdade”, esta quinta-feira, mas qualificou de “um verdadeiro escândalo” a “ausência de resposta” da Esquerda parlamentar sobre a participação neste evento que pretende contrapor o partido Chega que agendou para hoje também em Évora uma marcha contra o antirracismo em Portugal.

Lembrando que “o Alentejo é, historicamente, um bastião antifascista, com símbolos tão importantes como Catarina Eufémia e Grândola Vila Morena”, a FUA justifica a sua ida ao protesto: “é para impedir que organizações de extrema direita marchem em Évora”, pelo que a participação da plataforma visa responder “à convocação do povo de Évora, que se recusa a render a cidade à extrema-direita parlamentar” e “mostrar que a extrema direita e o fascismo não são bem-vindos no Alentejo e no país”.

Numa nota a que o jornal É@GORA teve acesso, a FUA lamentou, contudo, a “ausência de resposta da esquerda parlamentar para impedir que organizações de extrema direita marchem em Évora”, o que, diz a organização, “configura um verdadeiro escândalo”.

A contestação da Frente Unitária Antifascista contra o silêncio da esquerda parlamentar numa manifestação do Chega, um partido anti-imigração, segue-se ao recente desentendimento que a FUA teve com os coletivos antirracistas, após estes se recusarem participar em protestos organizados pela plataforma contra a ameaça da extrema-direita em Portugal.

Há exatamente um mês, a FAU afirmou ter recebido com “com admiração e estupefação” o teor de um comunicado subscrito e divulgado por 20 associações, incluindo o SOS Racismo, no final das concentrações contra o racismo e a ameaça da extrema-direita, em Lisboa, no qual os coletivos antirracistas se demarcaram da manifestação da FUA, supostamente organizada “sem consulta, nem envolvimento prévio, dos coletivos antirracistas, nem mesmo das pessoas que sofreram ameaças” da extrema-direita naquela altura.

Agora, a FAU assinala em nota enviada ao jornal É@GORA que “a manifestação ´anti-racista` da extrema-direita parlamentar é uma nova provocação, com o objetivo de alimentar a candidatura presidencial de Ventura, fazendo novamente uso do discurso negacionista em relação ao racismo, do discurso do ódio e do preconceito em relação às minorias e setores oprimidos da sociedade, dando um sinal à extrema direita de que tem em Ventura o candidato que melhor representa a sua ideologia fascista”, indica uma nota da FUA.

E “no caso de Évora”, considera a FAU, “a provocação é ainda maior, visto que o Alentejo é, historicamente, um bastião antifascista, com símbolos tão importantes como Catarina Eufémia e Grândola Vila Morena, pelo que a ausência de resposta da esquerda parlamentar para impedir que organizações de extrema direita marchem em Évora configura um verdadeiro escândalo”, lê-se no comunicado.

Bruno Candé

Por isso, o “ato popular de repúdio ao ódio e à extrema direita” em Évora pretende demonstrar também que “o Alentejo é vermelho”, pelo que “contra o fascismo, marchemos sobre Évora em solidariedade e apoio ao povo Alentejano que tão bem lhe soube resistir”, afirma a organização.

A Frente Unitária Antifascista lembra que, em julho, André Ventura prometeu que “sempre que a esquerda sair à rua para dizer que Portugal é um país racista”, eles sairão à rua “com o dobro da força para mostrar que Portugal não é racista”.

“Foi assim que o Chega organizou uma ´contra manifestação de direita` em Lisboa, em reacção às concentrações de repúdio ao assassinato de Bruno Candé, e tem agora agendada aquela que Ventura promete ser a ´maior marcha alguma vez vista` contra o antirracismo, no dia 18 de setembro, em Évora”, lê-se no documento da FUA.

E “no seguimento das concentrações de dia 16 de agosto – organizadas pela FUA, em Lisboa e no Porto, em repúdio ao e-mail com ameaças da extrema direita – esta marcha precede a II Convenção Nacional do Chega, nos dias 19 e 20 de agosto, também em Évora”, assinala a FUA.

“Por tudo isso, a Frente Unitária Antifascista não só apoia como irá participar nessa concentração”, hoje em Évora, “e apela à mobilização de todos para participarem neste ato popular de repúdio ao ódio e à extrema direita” em Portugal. (MM)

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