Guarda costeira da Grécia dispara contra imigrantes para impedir entrada na Europa e há várias reações

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Um vídeo publicado no Twitter pelo correspondente da SkyNews, Mark Stone, mostra uma equipa da Guarda-costeira Marinha da Grécia a tentar naufragar, com tiros, arpão e barcos, uma embarcação repleta de imigrantes sírios.

Relatos de agências de notícias e da BBC dão conta de que a guarda costeira grega disparou contra o mar bem ao lado de um barco que transportava imigrantes que tentavam chegar ao espaço europeu.

Nas imagens publicadas quer pela BBC como pelo jornalista da Sky News vê-se a guarda costeira grega a tentar impelir os ocupantes da embarcação a regressarem ao ponto de partida.

Mais tarde, imigrantes de outro barco foram recebidos aos gritos por residentes da ilha de Lesbos que enfurecidos os ordenavam a “irem embora”.

As imagens são divulgadas numa altura em que a Comissão Europeia diz que está a tentar evitar “cenário dramático” de 2015, e um dia depois da ameaça proferida pelo Presidente turco que falou na possibilidade de o continente europeu assistir em breve uma nova vaga de migratória de milhões de cidadãos ilegais.

Na passada segunda-feira, Recep Tayyip Erdogan anunciou que milhões de pessoas irão entrar ilegalmente na Europa nos próximos meses.

A comunicação do presidente turco foi feita após a ameaça da suspensão de um acordo firmado com a União Europeia, em 2016, para impedir a entrada de imigrantes em solo europeu.

Desde sexta-feira, quando surgiram rumores de abertura de fronteiras com a Grécia e a Bulgária, milhares de pessoas têm tentado entrar na União Europeia, através dos postos terrestres de fronteira com a Grécia e a Bulgária.

“Centenas de milhares atravessaram e em breve irão chegar aos milhões”, disse Erdogan num discurso transmitido pela televisão. As estimativas das Nações Unidas referem, no entanto, um número muito menor: entre 10 mil e 13 mil pessoas.

 

A jornalista brasileira Taiza Brito, residente na capital espanhola, Madrid, também denunciou no seu blog a ação da Guarda-costeira da Marinha da Grécia contra os cidadãos provenientes da Síria, que está a causar protestos sobretudo pelas cenas de violência que se veem nas imagens transmitidas pelos dois órgãos ingleses.

Segundo o vídeo , os guarda-costas gregos não só disparam tiros contra a embarcação, como igualmente tentam estourar o barco de borracha com golpes de arpão e obrigar os imigrantes a voltarem para águas turcas.

Para a jornalista brasileira, que é correspondente internacional em Espanha,”as imagens trouxeram à luz um problema que vem aumentando a cada dia depois que o governo turco abriu as fronteiras com a União Europeia, permitindo a passagem dos migrantes sírios que antes eram retidos em seu território”.

“Ficou claro que os guarda-costas gregos comentam todo tipo de ilegalidade para evitar que cheguem mais embarcações de migrantes às ilhas do Mar Egeu”, considerou Taiza Brito que cita o comentário do deputado do Parlamento da Catalunha, Ruben Wagensberg, que igualmente reproduziu o vídeo.

“Sem palavras. Guarda-costas gregos tentando fazer naufragar e disparando tiros contra a embarcação de refugiados. Europa mata e o faz com vontade”, criticou o político.

O parlamentar, que é um dos impulsores do movimento Volem Acollir (Queremos acolher) e militante de direitos humanos, defendeu a abertura dos portos europeus ao grupo de cidadãos provenientes das regiões em conflito.

A deputada brasileira no Congresso espanhol, Maria Dantas, que é ativista  direitos humanos e trabalha com refugiados, também denunciou a ação da Marinha grega.

“Eles querem matar, eliminar, fazer desaparecer as pessoas migrantes. Tudo isso acontece na Europa. Direitos humanos, onde?”, questionou através das redes sociais ao difundir o vídeo da agressão aos sírios.

Na terça-feira, a Guarda-costeira grega informou que uma criança morreu na sequência do naufrágio de uma embaracação que transportava cerca de 50 imigrantes à ilha de Lesbos.

Segundo autoridades locais, mais de mil migrantes chegaram às costas do egeu desde o domingo.

O primeiro-ministro ministro da Grécia, Kiriakos Mitsotakis, anunciou que o país não vai aceitar pedidos de asilo durante um mês, coisa que implica a suspensão da Convenção de Genebra.

“Em paralelo à posição do governo grego, organizações fascistas estão mobilizadas contra os refugiados, a quem tentam intimidar mandando que voltem à Turquia” relatou Taiza Brito, assinalando que o jornalista Hibai Arbide também documentou “estes dias algumas das aberrações dos grupos de extrema direita contra os migrantes em Lesbos e no campo de refugiados de Moria”.

Segundo Taiza Brito “os fascistas chegaram a tocar fogo em um dos centros de recepção da ACNUR em Lesbos. Uma situação crítica que ainda carece de atenção”.

Nesta quarta-feira,  o vice-presidente do executivo comunitário, responsável pela pasta da Promoção do Modo de Vida Europeu, Margaritis Schinas, reagiu à situação declarando:

“Não podemos permitir que o cenário dramático de 2015 e de 2016 se repita”, afirmou o responsável em conferência de imprensa em Bruxelas.

Margaritis Schinas instou ainda os países da União Europeia a chegarem a acordo para a criação de “um sistema abrangente para gerir as migrações e o asilo”, que preveja “a cooperação com os países emissores e de trânsito, com implementação de políticas eficientes nas fronteiras e a salvaguarda da solidariedade”.

“Hoje temos a oportunidade de chegar a um acordo para as migrações e diria que é a última oportunidade”, adiantou, numa alusão à reunião de hoje dos ministros do Interior.

E alertou: “A Europa não pode falhar duas vezes em alcançar esse objetivo emblemático”.
Hoje, o Governo português reagiu à “utilização abusiva” de imigrantes por parte da Turquia na intenção de abrir fronteiras para pressionar a União Europeia (UE).

Citado Lusa, o ministro da Defesa, João Gomes Cravinho afastou, no entanto, uma intervenção militar comunitária como forma de resposta.

“Neste momento, há uma utilização abusiva, por parte da Turquia, da presença no seu território de vários milhões de migrantes e, claramente, o presidente turco a dizer que abria as fronteiras para a Grécia, estava a utilizar a presença desses refugiados na Turquia como arma de arremesso e isso é completamente inaceitável”, declarou o governante à agência Lusa.(Redação e agências)

 

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