Guerra Rússia/Ucrânia: Qual o posicionamento da Indústria da Moda

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Claudina Correia
(Consultora de Imagem)
Certo que os comportamentos, de uma forma geral, mudam de acordo com os acontecimentos mundiais quer seja na forma se vestir ou mesmo de consumir.
O desenvolvimento da moda sempre teve influência das guerras e a moda é também uma forma de protesto, do posicionamento que pretendemos na vida, para nos inserirmos em determinados grupos e mesmo para manifestar a favor ou em oposição a certas ações políticas.

O atual conflito entre a Rússia e a Ucrânia não é exceção, pois está a afetar o mundo inteiro. Embora saibamos que muitas outras guerras ocorrem neste momento em outras partes do mundo, os interesses internacionais não permitem a difusão de determinadas notícias. Os “media” também têm um papel importante na propagação do que acontece ao redor do mundo e, obviamente, acabamos por ver as coisas sobre o seu ponto de vista.

Hoje em dia as redes sociais são um meio importantíssimo de informação, pois traz-nos outras “verdades” sobre um mesmo tema o que leva a permitir uma maior liberdade não só de expressar mas também de pensar, pois quando só tínhamos acesso pelos meios convencionais a probabilidade de conteúdos filtrados era maior; apesar de muitos países limitarem o que circula pela internet, de uma forma geral e em países mais liberais, o acesso a conteúdos é mais flexível.

Com a internet, a moda tornou-se muito mais democrática, mais libertadora (devido a uma certa pressão da população) mas com isso tornou-se num sector com um certo poder, se podemos assim dizer.

Nunca compreendi a necessidade de uma guerra onde as principais vitimas são pessoas inocentes, completamente a parte da situação, para que as partes envolvidas cheguem a um acordo. É, de facto, uma luta de poder, a manifestação do ser humano de querer dominar. E sendo uma “luta de poder” quem está numa posição privilegiada deve também usar o seu “poder” para reduzir o impacto junto dos mais vulneráveis.

Coincidentemente, esta é a altura em que decorrem as semanas de moda (Fashion Week) nas várias cidades europeias. São palcos com grande destaque para onde muitos olhos “importantes” estão direcionados, um espaço, como já referi, com algum privilégio. Na Milan Fashion Week muitos foram os protestos contra a guerra, manifestantes, onde incluía alguns modelos, compareceram com placas com mensagens para sensibilizar sobre o impacto da guerra. O desfile de Georgio Armani decorreu sem música como uma forma de protesto. Na Paris Fashion Week o desfile da Balmain trouxe alguns símbolos que remetem a guerra e outras marcas também têm passaram a sua mensagem nos seus shows. Para um setor com esta dimensão sabemos que isso não basta.

Apesar de estar a receber alguma pressão, a indústria da moda ainda não se manifestou nem se posicionou de forma concreta, com já fez a Formula 1 que não vai avançar com a Russian Gran Prix. A FIFA que já baniu a Rússia dos campeonatos europeus e do mundial. Alguns países europeus estão a cortar relações comerciais com a Rússia e muitas outras ações de cariz económico estão a ser levadas a cabo para penalizar e neutralizar as forças da Rússia.

Sendo os russos clientes especiais para muitas marcas de luxo, principalmente italianas, pode dificultar um posicionamento. Parar-se de enviar e vender produtos para os russos já foi sugerido. Vale lembrar que este conflito vai afetar todos os setores mais tarde ou mais cedo, portanto calar-se não só compactua com atos ditatoriais e de privação de liberdades como vai contribuir para uma nova crise económica. Mensagem de solidariedade são válidas para quem pouco mais do que isso pode fazer. Quem está no pode deve mobilizar-se tanto para pressionar o recuo da invasão como também para ajudar as suas vítimas.

Lembremos que neste momento não são só os ucranianos são lesados com esta guerra, mas também todas as outras nacionalidades que lá tinham o ser lar e todas essas vidas importam. Apoiemos ativamente dentro das nossas possibilidades e, se for possível, usemos também a moda para protestar.(X)

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