Gungunhana terá uma estátua ou monumento em Angra do Heroísmo, nos Açores

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Ngungunhane Imperador de Gaza (Moçambique)
Manuel Matola

A Câmara Municipal da Angra do Heroísmo vai inaugurar “uma estátua ou um monumento” em homenagem a Gungunhana, quando em 2021 comemorar os 125 anos da condenação ao exílio em Portugal do mais importante imigrante e preso político do espaço lusófono.

Em declarações ao Jornal É@GORA, o presidente da Câmara Municipal da Angra do Heroísmo, Álamo Meneses, disse que a autarquia “está a consultar um conjunto de artistas no sentido de oferecerem ideias” para depois ver se se ergue “uma estátua ou um monumento” em consagração ao Imperador de Gaza.

No dia 27 de julho do corrente ano, a Câmara Municipal da Angra do Heroísmo vai lançar uma série de atividades em tributo a Gungunhana, eventos que começam no dia em que, em 1896, o Imperador de Gaza (Moçambique) desembarcou em Angra do Heroísmo, a bordo do navio “África”, após ter sido capturado pelo capitão Mouzinho de Albuquerque que comandou um regimento português, em Chaimite, o último reduto da resistência vátua (ou angune, etnia dos líderes de Gaza).

A passagem dos 125 anos à prisão do Gungunhana será marcada ainda pela estreia mundial de um documentário em inglês, intitulado “Remembering Gungunhana and the other Royals that lived amongst us”, e por um ciclo de conferências sobre a importância política de Gungunhana, em debates que se estendem até julho 2020,  disse Álamo Meneses

A primeira fase de debates vai contar com a presença de pelo menos três académicos ligados à História Militar: um de Moçambique, outro de Lisboa e um terceiro de Angra do Heroísmo, disse o autarca em entrevista telefónica ao Jornal É@GORA.

No próximo ano e “até início de 2021, ano em que se assinalam os 125 anos” da migração forçada de Gungunhana, haverá outro ciclo de conferências a serem organizadas pelo Instituto Histórico da Ilha Terceira, uma associação cultural de natureza privada, que se dedica à investigação e divulgação da História dos Açores, adiantou o autarca.

Anteriormente, o presidente da Câmara Municipal da Angra do Heroísmo disse em conferência de imprensa quais os propósitos dos debates que vão decorrer a partir do próximo mês na Ilha Terceira, nos Açores.

“Nós, na maior parte do tempo, tivemos uma visão muito eurocêntrica do que aconteceu. Temos visto e lido sempre a História contada deste lado. É importante também conhecermos a História contada do outro lado, mas também complementada com a História contada deste lado”, disse.

Por isso, disse Álamo Meneses, o evento pretende “memoriar aquilo que foram acontecimentos que de alguma maneira uniram” os povos dos territórios que são hoje Moçambique, Zimbabué e países vizinhos.

“Estamos a falar de uma figura que era extremamente relevante em todo Sueste de África”, assinalou Álamo Meneses justificando as comemorações dos 125 anos do início de mais de uma década de exílio do “Leão de Gaza”, que morreu a 23 de dezembro de 1906, vítima de uma hemorragia cerebral.

“O nosso objetivo é aproveitar esse período que vai daqui até ao próximo Verão para num conjunto de eventos irmos lembrando aquilo que foi, na altura um acontecimento que apaixonou o país. De facto, dentro daquilo que eram as ideias daquele tempo (esse) foi considerado como um grande evento, uma grande vitória, obviamente, de um lado, não do outro; mas, do outro também (foi encarado) como exemplo de heroísmo e resistência”, afirmou.

De resto, assinalou o presidente da autarquia de Angra de Heroísmo: “Hoje estamos num período em que, facto, há união entre os povos, a comunhão entre os povos e, particularmente, o respeito pela História mútua deve ser aquilo que nos deve guiar e é esse objetivo desses eventos”.

Gungunhana tinha aproximadamente 60 anos quando morreu e foi enterrado na véspera de Natal, velado pelos seus 31 companheiros de exílio também feitos prisioneiros em Angra de Heroísmo, nos Açores.

A estreia global do documentário realça a importância de Gungunhana enquanto o último monarca da dinastia Jamine, de origem zulu que, entre 1884 e 1895, reinou mais de 1,5 milhão de habitantes num território de 90 mil quilómetros quadrados, no sul de Moçambique.

“Cresci a ouvir histórias sobre um imperador que tinha sido levado por gente branca que eram contadas por minha avó. Só mais tarde é que percebi que se tratava de Gungunhana e que ele era uma pessoa real e não um mito”, disse aos jornalistas o zimbabueano Mosko Kamwendo, realizador do filme sobre o Imperador de Gaza e também da película sobre o percurso do primeiro Presidente moçambicano, Samora Moisés Machel, que produziu há alguns anos. (MM)

3 COMENTÁRIOS

  1. Foda-se…quem foi o ” jornaleiro ” que escreveu este artigo…… ” ..em Angra do Heroísmo, ilha dos Açores “…. vão estudar história de Portugal primeiro antes de cometerem erros destes….como se pode dar valor a sites desses? estão a trabalhar para os cliques e Likes.

  2. Gungunhana não é figura consensual em Moçambique, muito longe disso.
    E em relação aos Portugueses o que representa?
    Já se interrogaram?

    Porque não fazer uma estátua/monumento aos generais invasores franceses, mormente aos mais sanguinários, aquando das invasões francesas, e/ou mesmo a Napoleão Bonaparte?
    Ou as Filipes I, II, III de Portugal/Espanha?

    Lamento profundamente o que nem me atrevo a classificar devidamente.

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