Há reações “muito positivas” em Portugal para acolher imigrantes de Lesbos

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Manuel Matola

O Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS) e a Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR) lançaram um apelo à sociedade civil portuguesa para acolher parte dos 13.000 imigrantes e refugiados desabrigados na superlotada instalação de Moria na ilha de Lesbos, na Grécia, mas 72 horas depois as duas instituições tiveram respostas “muito positivas”.

“​Após o comunicado enviado à comunicação social e tornado público nas nossas redes sociais e meios de comunicação próprios, o JRS e a PAR tiveram respostas muito positivas por parte da sociedade civil de demonstrações de vontade de participação e de voluntariado para tornar o acolhimento das pessoas que ficaram desalojadas depois do campo de refugiados ter sido incendiado”, disse ao jornal É@GORA fonte daquela organização internacional da Igreja Católica que presta apoio a imigrantes e refugiados em Portugal.

No início da semana, o maior campo de refugiados da Grécia ardeu, destruindo-se praticamente todo o local. Como resultado, cerca de 13.000 imigrantes ficaram sem alojamentos e, há duas ou três noites, estão a dormir ao relento arranjando cobertores para se abrigarem do frio da noite.

Na sexta-feira e na manhã deste sábado, os refugiados manifestaram-se contra as “condições muito difíceis” que enfrentam naquele local.

Citado pelas agências de notícias, Freddy Mussamba, um dos refugiados dos campos que arderam esta semana, contou que milhares de refugiados estão “há três dias sem comer, sem beber”.

Contactado pelo jornal É@GORA, o gabinete de comunicação da JRS assegurou que as Plataforma de apoio aos refugiados e imigrantes em Portugal está a preparar um documento “onde explica exatamente onde as pessoas podem saber o que fazer e como ajudar as vítimas do incêndio” naquele campo de refugiados na Grécia.

“Até agora tanto o JRS como a PAR funcionam tendo como forte componente pessoas que se voluntariam para acolher mais e melhor”, pelo que “estamos a preparar um documento onde explicamos exatamente onde as pessoas podem saber o que fazer e como ajudar” os desabrigados.

Crianças vulneráveis

Em comunicado divulgado há dias, o Fundo da ONU para a Infância (UNICEF) em Portugal estimou que pelo menos quatro mil crianças estão ao relento a sequência do incidente naquela ilha grega onde vivem famílias provenientes de 70 países, sendo a maioria originária do Afeganistão.

O UNICEF “está profundamente solidária com os refugiados e migrantes afectados pelo incêndio no campo de Moria, na Grécia. Estamos disponíveis para apoiar na resposta às necessidades urgentes de mais de 4.000 crianças, em particular das 407 crianças não acompanhadas e extremamente vulneráveis”, refere a nota daquela agência das Nações Unidas.

Uma das propostas que a PAR lançou foi a de as famílias portuguesas acolherem e acompanharem os refugiados e requerentes de asilo em Portugal. Questionado sobre as diligências que estão a ser feitas junto das autoridades gregas e, eventualmente, de outros organismos internacionais para a recepção de parte dos 13 mil imigrantes e refugiados desalojados no maio campo de refugiados da Grécia, a fonte lembrou:

“Esta é a proposta da PAR desde o princípio: envolver as famílias portuguesas, bem como outras instituições, paróquias ou grupos de pessoas no acolhimento ativo de famílias de refugiados tornando-se Instiuições Anfitriãs”.

Segundo as duas organizações, “os refugiados que chegaram até aqui, bem como os que chegarão no futuro, vêm ao abrigo dos programas da União Europeia de recolocação de refugiados. A PAR e o JRS enquanto organizações de apoio ao acolhimento têm ao seu alcance continuar a mostrar ao Estado Português que há não só vontade, como capacidade de fazer mais e melhor”.

Lembrando que em relação ao incêndio no campo de Moria e às pessoas que ficaram desalojadas, o Governo Português, bem como outros estados europeus já se mostraram disponíveis para receber estas pessoas, o Serviço Jesuíta aos Refugiados e a Plataforma de Apoio aos Refugiados desafiaram, assim, “toda a sociedade civil a juntar-se à rede PAR e à missão de solidariamente acolher e acompanhar os refugiados e requerentes de asilo em Portugal”.

Em nota, o JRS e a PAR assinalaram que “Portugal tem assumido, no espaço europeu, uma posição exemplar, disponibilizando-se para acolher voluntariamente crianças e jovens não acompanhados que se encontram nos campos gregos”.

“No entanto”, lamentam, “a situação vivida nos países de fronteira europeus torna evidente a necessidade de reativar o programa de recolocação de emergência, redistribuindo equitativamente as pessoas pelos vários estados-membros e a criação de vias legais e seguras – como o visto humanitário – para evitar o recurso a redes de tráfico que se aproveitam da vulnerabilidade humana”. (MM)

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