Hortas Urbanas da Amadora – Um caso de sucesso

1
959

O fenómeno das hortas urbanas existe um pouco por todo lado, em Portugal. Mas a Horta Urbana (comunitária) da Amadora é emblemática. Um verdadeiro caso de sucesso, bastante mediatizado – quiçá a nível da imprensa internacional.

São cerca de 2100 hectares, usufuidos por 116 famílias, residentes no bairro do Casal da Mira e arredores.
Ali planta-se de tudo um pouco, de acordo com as tradições (agrícolas) de onde são provenientes essas famílias, mas sobretudo de acordo com as condições climatéricas da zona, nas diferentes estações do ano.

A Associação Aldeia Lusófona, na pessoa do seu presidente Malan Saidi, é a grande impulsionadora desta iniciativa, que serve para proporcionar trabalho (ocupação) a uma população – oriunda de países eminentemente agrícolas – que, com o avançar da idade, dificilmente encontra enquadramento no mercado de trabalho.
Mais do que isso, o que ali se produz serve de meio de subsistência para aquelas famílias, cujos rendimentos provenientes de outras fontes, são claramente baixos.
Por outras palavras: o que ali se planta e colhe serve não só para alimentar os agregados familiares, mas também para vender – quando há excedentes.

Embora cada família tenha consciência de onde começa e onde termina a sua parcela de “terreno” (e respeite bastante esse aspecto), tem surgido alguns conflitos justamente por causa da água.
Em miúdos: o grande problema da Horta Comunitária da Amadora, neste momento, é a (falta de) água. O sistema de rega é bastante precário, e a pouca água existente tem de ser “puxada” de fontes cada mais longínquas e remotas, através de mangueiras.

Cada família possui a sua mangueira que é colocada no interior das manilhas de drenagem que existem ao longo da autoestrada circundante para puder puxar a água que ali é descarregada. E estas manilhas, por sua vez, recebem (e descarregam) águas vindas de residências, estabelecimentos, etc. E ainda por cima, são as chamadas águas negras.

Por essa razão, não são raras as vezes em que os supracitados conflitos inter-familiares acontecem, justamente por causa dessas mangueiras.
Pudera, sendo o preciso líquido tão escasso, toda gente quer ter acesso a ele…


DESAFIOS POR VENCER

Nesse contexto, a Associação Lusófona tem encetado uma série de contactos junto das entidades camarárias da Amadora, no sentido desta ajudar na construção de alguns tanques (reservatórios) de água, ao longo dos cerca de 2100 hectares que compõem o terreno.

Aliás, existe já um tanque desses, construído sensivelmente a meio da horta comunitária, mas dada a sua localização este serve apenas às famílias que – felizmente – possuem os seus “talhões” ali nas proximidades. As muitas mais que cultivam a terra em áreas mais afastadas – infelizmente – tem de continuar a contar com a água que é captada nos…

Além do desenvolvimento de um sistema sustentável de rega, a Aldeia Lusófona tem como perspectiva criar um mecanismo de cooperação com outras congéneres, sediadas nos próprios PALOP´s, que desenvolvam um trabalho similar.
Pretende ainda aquela Associação realizar as festas nacionais de cada um dos PALOP naquele espaço verde, da cintura da Amadora, de modo a que uns e outros se entrosem cada vez mais e conheçam melhor as particularidades das diversas nacionalidades…

Outro desafio é envolver cada vez mais jovens no projecto – sobretudo os filhos e netos dos actuais “proprietários” – pois existe a percepção/visão de que aquele espaço, futuramente, será um polo de desenvolvimento daquela região, e aquela actividade poderá servir de fonte de rendimento para muitos desses jovens.

De salientar que – através da Associação Aldeia Lusófona – a Horta Comunitária da Amadora candidatou-se a um fundo europeu, em 2014, o qual serviu para apoiar os camponeses a nível de formação e insumos agrícolas. No entanto esse projecto chegou ao fim no passado.

1 COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here