Imigrantes cabo-verdianos em Portugal lançam Plataforma Digital para ligar a diáspora ao redor do mundo

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Equipa da Plataforma dos Jovens Cabo-verdianos na Diáspora. Foto JCVDIA ©

Manuel Matola

Cerca de 25 imigrantes cabo-verdianos altamente qualificados acabam de lançar uma Plataforma digital para, a partir de Portugal, partilhar conhecimentos, experiências e ideias que os cidadãos de Cabo Verde na diáspora desenvolvem nas diferentes áreas em que estão inseridas ao redor do mundo.

O secretário de Estado da Educação de Cabo Verde, Amadeu Cruz, que testemunhou o lançamento da estrutura online, na capital portuguesa, elegeu a ciência como uma das áreas que pretende ver explorada pelos jovens cabo-verdianos residentes no estrangeiro “para unir e incentivar” os outros membros daquela que é a comunidade lusófona africana com a maior presença no estrangeiro.

Em declarações ao jornal É@GORA, Jonathan Vieira, um dos mentores do projeto de cariz social, explicou que “a Plataforma dos Jovens Cabo-verdianos na Diáspora visa unir os jovens na diáspora em prol do desenvolvimento de Cabo Verde”.

“Queremos que essa comunidade na diáspora, empoderada, possa participar com a sua inovação no desenvolvimento de Cabo Verde”, afirmou Jonathan Vieira sobre a Plataforma que pretende dar a conhecer as potencialidades que Cabo Verde tem nas áreas socioeconómica, política e tecnocientífica, de modo a ajudar a promover também o conjunto dos recursos de que dispõem as dez Ilhas cabo-verdianas.

A ideia é promover “as qualidades que os jovens cabo-verdianos na diáspora podem colocar nesse mundo que é global, mas também é um mundo inovador. Portanto, nós pretendemos ser, de facto, essa plataforma, esse elo de ligação dos projetos das comunidades para com Cabo Verde”, afirmou.

Para Jonathan Vieira, esta é uma iniciativa que não só difere conceptualmente da mundialmente famosa plataforma Facebook, como também “é melhor do que o Facebook”, na medida em que haverá uma triagem das melhores ideias e dos trabalhos a serem apresentados pelos usuários que se cadastram de forma voluntária no sítio, com objetivo de servir toda a comunidade cabo-verdiana residente nos quatro cantos do globo.

“Nós vamos selecionar as informações relevantes que queremos passar. No Facebook nós encontramos tudo. Na nossa plataforma nós vamos ter projetos que interessam, que merecem ser conhecidos e que devem ser auscultados”, frisou Jonathan Vieira.

As mais de duas dezenas de jovens que integram o projeto são cabo-verdianos com perfis diversos, sendo que a quase totalidade são quadros que já terminaram a formação e que neste momento estão no exercício da sua atividade profissional em Portugal.

“São de várias áreas. Isso é de facto a mais valia do projeto, porque consegue unir pessoas que trabalham em áreas muito diferentes e colocar essas mais valias ao serviço de Cabo Verde”, assinala.

Modelo de apresentação do estilo ´PechaKucha` ©

David Chantre, formado em Motion Graphic Design, foi quem desenhou e faz a gestão diária da página virtual da Plataforma dos Jovens Cabo-verdianos na Diáspora, sendo por isso um dos mais fundamentais membros do projeto agora lançado.

“Há uma lacuna na parte em que a segunda geração de cabo-verdianos, ou mesmo daqueles que veem estudar cá em Portugal: não têm referências, nem orientações para (no fim do curso) criar um seu projeto ou encontrar emprego na área que estudaram”, afirma David Chantre, quando questionado sobre como nasceu a ideia da Plataforma.

Dentro da estrutura tecnológica, que agrega várias componentes, está criado um espaço que acomoda o denominado “Projeto Youth 20/20”, que é inspirado num modelo japonês de apresentação de trabalho criativo, num fórum informal em que se prevê a apresentação de 20 diapositivos (slides) a cada 20 segundos, contendo os diapositivos, de preferência, imagens e palavras-chave.

“Vai ser uma apresentação do estilo ´PechaKucha`, que é um tipo de apresentação 20/20, ou seja: tens 20 slides de um ´Powerpoint` e tens 20 segundos para fazeres a apresentação, sem bloco de textos, só com imagens, que vão mostrar o percurso de vida do próprio apresentador desde o início da carreira”, disse David Chantre.

O mundialmente conhecido formato de apresentação baseado na visualização de 20 diapositivos, um a cada 20 segundos, com a duração total de 6 minutos e 40 segundos, é uma estratégia de comunicação concebido dois arquitetos, Astrid Klein e Mark Dytham, da Tóquio Klein Dytham Architecture.

Os mentores do Projeto Youth 20/20 querem ensinar as personalidades convidadas de diferentes áreas a usá-lo já no encontro inaugural – que deverá debater um tema sobre a inovação tecnológica -, agendado para o primeiro trimestre do próximo ano e que deverá ter uma periodicidade mensal.

Com objetivo de facilitar os oradores a fazerem a apresentação de suas estórias de vida, “o primeiro evento do ´Youth 20/20` vai ser arranjar um artista e uma pessoa empreendedora, de diferentes áreas, que é para expor, mostrar aos jovens, dar ideias, referências e orientações”, num ambiente “mais descontraído, ao estilo de entrevista”, contou o designer.

Falando no ato de lançamento da Plataforma, no decurso de uma conferência sobre “A participação dos Jovens Cabo-Verdianos na Diáspora no processo de Desenvolvimento de Cabo Verde”, o secretário de Estado da Educação de Cabo Verde lembrou que “o desenvolvimento de qualquer sociedade passa pela capacidade empreendedora da sua população”, até porque “nenhum governo conseguiu um estágio de desenvolvimento empresarial sem a participação de jovens”.

Por isso, para Amadeu Cruz, a “Plataforma pode, por um lado, dar um contributo para a elevação da autoestima no processo de integração da comunidade cabo-verdiana em Portugal, mas, por outro, pode dar um contributo para o desenvolvimento do país”.

“Podem perfeitamente transpor as duas experiências em diversos domínios: da cultura, da moda, das novas tecnologias, economia digital. Em todos os ramos podem dar um grande contributo para Cabo Verde partilhando a sua experiência com os jovens residentes nas Ilhas”, afirmou o dirigente.

Organizada pelos Jovens Cabo-verdianos na Diáspora, na conferência, antecâmara do Youth 20/20, estiveram presentes três empreendedores cabo-verdianos que são atualmenre os rostos da recém criada Plataforma de união dessa comunidade no mundo: Nádia Garcia, proprietária do salão “Afro Braids” Pedro Baptista, fundador da loja virtual de produtos gastronómicos com sabores lusitanos “Portugal Nosso”, e o músico Loony Johnson, proprietário da editora Loonaticboy Music. (MM)

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