Imobiliário: Portugal é o 2º país europeu mais apetecível para estrangeiros investirem – estudo

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Lisboa capital de Portugal
Lisboa, capital de Portugal ©
Dírcia Lopes

Portugal e Espanha lideram as duas primeiras posições na lista de países europeus em que os compradores estrangeiros têm mais interesse em adquirir imóveis. As comunidades destacam a qualidade de vida no território português como um dos motivos para apostarem o seu dinheiro na aquisição de casas, especialmente, de luxo.

O relatório da ListGlobally conclui que Espanha lidera o ranking de 2019, logo seguido por Portugal que continua a dar cartas e a atrair o interesse de potenciais investidores e imigrantes na hora de escolher um destino para se investir no imobiliário.

Esta é uma das conclusões do relatório da ListGlobally, a maior rede internacional de portais imobiliários, a que o jornal É@Agora teve acesso.

De acordo com o estudo denominado “Compradores estrangeiros”, referente a 2019, “Portugal é o segundo país que mais interessa aos compradores estrangeiros”, depois de Espanha, ao conquistar 24% dos inquiridos (contra os 23% de 2018).

No mesmo relatório, divulgado pela ListGlobally, pode ler-se que “a nível mundial, Espanha foi o país que mais interesse reuniu com uma quota de 36%, seguido por Portugal (24%) e França (8%)”.

Com base na mesma fonte, entre os principais compradores estrangeiros em Portugal o destaque vai para os franceses, brasileiros e italianos. Os franceses representam 21,2% dos pedidos de visita ou compra em Portugal, seguidos pelos brasileiros (com 4,3%), e os Italianos (com 3,91%). Os alemães e os norte-americanos fecham os lugares cimeiros com 1,03%.

As cidades portuguesas também figuram, a nível mundial, nos lugares cimeiros das mais procuradas. A ListGlobally refere que, depois de Barcelona que lidera o ranking, Lisboa surge em segunda posição. Avaliando Portugal mais de perto, o estudo revela que a capital lisboeta ocupa o primeiro lugar com 12% dos pedidos de visita e/ou compra. Na segunda posição está Portimão (com 5,1%), seguido de Albufeira (com 4,7%) e Porto (com 3,5%).

O anúncio do novo aeroporto do Montijo já está a ter impacto no interesse por Portugal, já que, desde então, que o número de pedidos de visita e/ou compra nas zonas limítrofes de Lisboa e mais perto do futuro aeroporto – como Alcochete, Montijo, Setúbal, Seixal e Almada – assumem também um papel preponderante no top 20 do mesmo relatório.

O que dizem os estrangeiros

Com base na premissa que Portugal continua a atrair investidores estrangeiros, o jornal É@Agora foi tentar perceber junto de algumas das principais comunidades o que torna o território português sexy para se instalarem e investir no imobiliário.

É preciso não esquecer que o último Relatório de Imigração, Fronteiras e Asilo de 2018 (RIFA), elaborado pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, confirma que se verificou, pelo terceiro ano consecutivo, um acréscimo da população estrangeira residente, com um aumento de 13,9% face a 2017. No total são 480.300 cidadãos estrangeiros titulares de autorização de residência no País.

Uma das nacionalidades que tem procurado o território português para residir é a chinesa, através, por exemplo, do programa de Autorizações de Residência para Investimento (ARI), também conhecido como vistos gold.

Em declarações ao jornal É@Agora o presidente da Liga dos Chineses em Portugal, Y Ping Chow, explica que estes imigrantes procuram o País “porque neste momento ainda é difícil para se adquirir a legalização”. Uma perceção aliada ao facto de, nas palavras de Y Ping Chow, ser um país sossegado e calmo.

“Os portugueses são amigos dos chineses, não há a ideia de discriminação racial e a vida não é muito cara”, destaca o presidente da Liga dos Chineses em Portugal.

De acordo com a mesma fonte, nesta fase, quem chega a Portugal são sobretudo pessoas que têm como principal preocupação a educação dos filhos. São imigrantes entre os 30 e os 40 anos com filhos menores, sendo alguns comerciantes de pequenas e médias empresas ou de profissões liberais como médicos e engenheiros. Uma vez chegados ao País surge em complemento a componente imobiliária com a aquisição de casa própria.

O presidente da Liga dos Chineses de Portugal estima que estejam no País “cerca de 35 mil chineses entre as pessoas com autorização de residência e as naturalizadas”.

No que se refere à localização de imóveis, e tendo em conta que pretendem colocar os filhos a estudar, procuram sempre no centro e arredores de Lisboa e Porto por causa das escolas internacionais. Mas no caso dos empresários procuram imóveis mais afastados dos centros urbanos.

A mesma fonte acredita que Portugal continuará a ser um país interessante e atrativo “desde que os governantes e o público em geral não rejeitem a nossa vinda”.

E lembrando a atual preocupação com o alastrar do coronavírus, Y Ping Chow assume que “a comunidade está preocupada, mas está preparada e a fazer tudo para poder prevenir e cuidar do bem-estar também dos portugueses”. Pelo que, se não houver ruído para criar mal-estar contra os chineses, vão continuar a procurar Portugal.

Carga fiscal baixa atrai os franceses

Outra comunidade que tem vindo a descobrir Portugal e que está a crescer é a francesa. A qualidade de vida com um custo mais barato aliado a uma carga fiscal mais baixa do que em França são alguns dos motivos que estão a trazer esta nacionalidade para o território português.

Segundo o diretor-geral da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Francesa (CCILF), Laurent Marionnet, “há três zonas principais onde os franceses estão a investir no setor do imobiliário em Portugal: Lisboa, Porto e Algarve”. No entanto, Laurent Marionnet sublinha que o aumento dos preços na capital lisboeta e no Porto estão a levar a que esta nacionalidade esteja também a investir noutras cidades mais pequenas como Setúbal – onde a comunidade está a crescer muito rapidamente –, a norte de Coimbra e Leiria, assim como no interior do país.

A mesma fonte explica que os franceses estão a apostar, sobretudo nos imóveis do segmento de luxo, com vista sobre o mar ou muito perto da praia. A prioridade são os grandes apartamentos a partir de T2 ou T3, com terraços ou espaço exterior.

No que se refere aos perfis, o diretor-geral da CCILF identifica dois principais: há os reformados que querem investir e compram uma casa para viver, sendo este um investimento pessoal. E outra categoria são os investidores profissionais que compram prédios para fazer apartamentos para arrendamento.
Nesta categoria, a mesma fonte refere que ainda há oportunidades de negócio em aberto.

Não são conhecidos dados estatísticos específicos, mas estima-se que os investidores franceses no setor imobiliário estarão em segundo ou terceiro lugar de um ranking também composto por chineses e brasileiros.

“A comunidade está a crescer, sendo que no total serão cerca de 50 mil franceses em Portugal”, contabiliza o diretor-geral da CCILF.

Laurent Marionnet destaca ainda que a questão fiscal é muito interessante para os reformados que podem beneficiar do regime de residente não habitual. E acredita que, mesmo com a aplicação da anunciada taxa de 10% sobre as reformas, que não entrará em vigor antes de 31 de março de 2021, “vai continuar a ser mais interessante e mais baixo do que os impostos que se paga em França”.

A mesma fonte defende que a limitação territorial na atribuição dos vistos gold, passando apenas para fora de Lisboa e Porto, também vai ser “uma ajuda para atrair os franceses para outras áreas para continuarem a investir no turismo”.

Britânicos da classe média e alta apostam no Algarve

A comunidade britânica em Portugal, sobretudo no Algarve, tem sido das mais representativas, sendo que o SEF contabiliza 26.445 residentes desta nacionalidade. A proximidade e facilidade de acesso do Norte da Europa, o regime de residente não habitual e a atribuição dos vistos gold representam um chamariz para os britânicos. Isto sem esquecer a gastronomia e vinhos, a cultura e o clima.

Em declarações ao jornal É@GORA, a managing partner da imobiliária Fine & Country Algarve e membro executivo da Câmara de Comércio Luso-Britânica (CCLB), Zoie Hawker, sublinha que o mercado do Reino Unido tem importância significativa no Algarve “onde os britânicos ainda são a maior proporção de compradores estrangeiros”.

De acordo com Zoie Hawker, o comprador típico do Reino Unido que recorre à Fine & Country “procura uma ‘villa’ de três ou quatro quartos com piscina privativa e com um orçamento entre os 750 mil euros e 1,5 milhões de euros”.

A mesma responsável destaca ainda como perfil destes compradores, que representam 30% dos negócios da imobiliária, o facto de serem bastante ricos e com dinheiro vivo para gastar, sem terem necessidade de fazerem hipotecas.

Apesar desta atratividade dos britânicos por Portugal, Zoie Hawker lembra que o Governo português planeia deixar de atribuir o Golden Visa para investimentos imobiliários em Lisboa, Porto e regiões costeiras do continente.

“Com efeito, isso tornará Portugal muito menos atraente para os compradores não europeus candidatos ao Golden Visa, que normalmente procuram propriedades para investimento”.

Outro interlocutor que tem estado atento ao mercado imobiliário e a comunidade estrangeira é a sociedade PLMJ Advogados que tem vindo a reforçar a equipa ligada a este segmento no Algarve.

Ao jornal É@AGORA a sócia da PLMJ Advogados responsável pelo escritório de Faro, Carmen Baptista Rosa, destaca que Portugal é um país atrativo para comprar casa, “o que é reforçado com regimes fiscais bastante competitivos, tal como o regime dos residentes não habituais, e também os regimes favoráveis de autorização de residência para investimento (Golden Visa)”.

Carmen Baptista Rosa assinala que a comunidade britânica continua a preferir a região do Algarve para investir, especialmente, na zona do litoral e normalmente para uma habitação secundária. Os britânicos preferem adquirir moradias com três a cinco quartos com piscina, inseridas em resorts/empreendimentos turísticos, que tenham campos de golfe. E preferem também imoveis perto de centros urbanos turísticos, onde possam ter uma panóplia de serviços, restaurantes, bares, em que, a língua primordial falada seja o Inglês.

A sócia da PLMJ Advogados também confirma que estes compradores “são de classe média-alta/alta, podendo variar entre casais com filhos que procuram uma moradia para férias, ou reformados que gostam de usufruir de alguma tranquilidade e bom clima”.

Carmen Baptista Rosa acredita que o mercado britânico vai continuar a investir em Portugal, mesmo com o anunciado Brexit. No entanto, não deixa de alertar para uma eventual diminuição tendo em conta as futuras alterações na atribuição dos vistos gold e no regime de residentes não habituais onde se prevê uma tributação de 10% nas pensões dos reformados estrangeiros. (X)

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