“Já não sou tido como músico estrangeiro em Portugal”, diz Anselmo Ralph

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Angolano Anselmo Ralph

Os músicos africanos continuam a ter espaço para crescerem em Portugal, apesar da “onda da música latina”, que agora mais se faz notar. A opinião é de Anselmo Ralph que nos últimos anos tem conquistado o mercado português, à semelhança do seu conterrâneo angolano, Matias Damásio. Ambos os cantores figuram entre os nomes sonantes de artistas que atuaram no Sol da Caparica, festival de língua portuguesa que termina este domingo.

“Embora seja muito angolano com orgulho, já não sou tido como músico estrangeiro em Portugal”, afirma Anselmo Ralph, numa entrevista ao jornal É@GORA, pouco antes do concerto que deu esta quinta-feira na edição deste ano do Sol da Caparica. Havia a necessidade da música angolana se expandir para lá das fronteiras de Angola, reconhece o cantor com milhares de fãs, para quem também é necessário “os músicos portugueses saírem um pouco de Portugal, irem um pouco para Angola, Moçambique, Cabo Verde, e não só, para começarem a explorar mais estes mercados”.

Anselmo Ralph é de opinião que, desta forma, haveria mais união e os músicos tirariam mais proveito do potencial que tem o mercado da música cantada em português. O angolano esteve o mês passado num evento em Angola e revelou que prepara já um novo trabalho a lançar no último trimestre deste ano, seguindo-se uma tournée para 2020 que poderá incluir o seu país natal.

Anselmo Ralph, que decidiu fixar-se em Portugal, é dos cantores de sucesso que colocam no auge esta presente edição do Sol da Caparica, tendo em conta o público que arrastam a exemplo de músicos como Mayra Andrade, Matias Damásio, Luís Represas, Mariza, Seu Jorge, Carlão e Gabriel O Pensador, entre outros poucos nomes colocados como “cabeça de cartaz”.


“É sempre bom podermos aprender com os outros. Isso também serve de inspiração para nós”

Anselmo Ralph ladeado de fãs

O Sol da Caparica, considerado o maior festival de língua portuguesa, tem sido também palco de revelação de novos talentos entre a nova geração de músicos lusófonos. Rui Orlando, Kyaku Kyadaff, Leo Príncipe e Halison Paixão integraram uma turma de novos valores da música angolana que viveram uma experiência diferente no Parque Urbano da Costa da Caparica. Hoje em dia, refere Rui Orlando, estes músicos são mais conhecidos e conseguem expandir mais as respetivas produções discográficas com o recurso às plataformas digitais. “A Internet ajuda muito”, afirma crédulo.

Festivais do género, reconhece, acabam por ser um ponto de contacto e de troca de experiências com os músicos de outros países. “Isto é das coisas mais importantes que nós artistas precisamos”, adianta. “Porque, no fundo, só consegues fazer algo diferente quando aprendes. E é sempre bom podermos aprender com os outros. Isso também serve de inspiração para nós”, acrescenta.

Mais tarde, ainda no primeiro dia do festival, surpreendeu o público o surgimento no palco principal do grupo Tunezas, comediantes de Angola que brincaram com cenas da vida real, evocando a guerra colonial e figuras da vida política e social portuguesa, entre os quais o jogador Cristiano Ronaldo e o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, tratado pelos angolanos como “tio Celito”.

O tema da imigração, entre os demais temas da atualidade, acabam por surgir naturalmente nestes eventos. Foram bastante concorridos os concertos produzidos pelos cabeças de cartaz, mas importa sublinhar a homenagem que a cabo-verdiana Mayra Andrade fez aos filhos dos imigrantes numa das canções do seu bastante aplaudido repertório.

É Mayra Andrade que despertou o interesse do escritor e jornalista guineense, Tony Tcheka, aliás, um dos convidados para as conversas literárias e troca de ideias sobre a língua portuguesa que têm sempre lugar no âmbito do festival, que encerra este domingo com Mão Verde, O Recreio da Anita, Porbatuka, Diego Miranda, Pete Tha Zouk, Olga Rayazanova, Wao, Swag On Experiencie e Rúben da Cruz.(X)

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