“Já não vou fazer greve de fome porque o ministro ligou” – afegão Nasir Ahmadi

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Manuel Matola

Após 24 horas, o afegão Nasir Ahmadi decidiu parar com a greve de fome por ter recebido garantias diretas do ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva, de que a mãe e irmã vão ter visto de residência quando ambas já estiverem “em território português”.

“Já não vou fazer greve de fome porque o ministro ligou”, disse Nasir Ahmadi em declarações ao jornal É@GORA, anunciando que para já “está quase resolvido”, pelo que decidiu parar com o protesto.

Nesta segunda-feira, o imigrante decidiu fazer greve de fome até que Portugal desse uma resposta sobre o acolhimento da irmã e mãe residentes na capital afegã, Cabul, onde a partir de hoje a situação das mulheres se torna cada vez mais difícil, sobretudo, por esta terça-feira ser o último dia da presença das tropas norte-americanas e da NATO no solo afegão.

Hoje, a imprensa internacional destaca a foto do último militar norte-americano a sair do Afeganistão: Christopher Donahue, o general cuja imagem ficará para a História como o símbolo da retirada de tropas dos EUA no Afeganistão, duas décadas depois da instalação da força ocidental naquele país da Ásia Meridional.

Falando à SIC Notícias na noite de segunda-feira, o chefe da diplomacia portuguesa disse ter conversado com Nasir Ahmad que “compreendeu bem” o que é que o Governo pode e está a fazer para reunir os seus familiares que ficaram retidos no Afeganistão.

“Telefonei-lhe e expliquei-lhe qual era a resposta do Governo português. […] A resposta do Governo português é sim. Em tudo que depender de nós… […] A concessão de autorização – de visto – para a entrada dessas pessoas em Portugal. Esse visto está garantido. Será atribuído a essas pessoas já em território português”, afirmou Augusto Santos Silva.

Em declarações ao jornal É@GORA, Nasir Ahmadi confirmou que “o ministro ligou” para si, mas afirmou que “o governo não pode fazer nada em Cabul. Mas vai fazer de tudo quando elas saírem de Cabul”, ou seja, “vai tratar de tudo quando chegarem a Portugal”.

E por “tudo” o imigrante se refere às condições de acolhimento e integração que também serão asseguradas enquanto o reagrupamento não se efetua, segundo observou o governante em declarações à SIC.

“Procuraremos também apoiar essas pessoas no processo que implica a sua saída do Afeganistão, saída que não depende nem exclusiva, nem predominantemente do Governo português”, indicou Augusto Santos Silva, ressalvando que Nasir Ahmad “compreendeu bem” o que é que o Governo pode e está a fazer.

“Não há razão para ele dirigir uma greve de fome contra o Governo português, quando o Governo português e os portugueses em geral estão do lado dele na sua tentativa, mais do que legítima, de trazer para a segurança do nosso país os familiares diretos”, salientou.

Os últimos dias do mês de agosto foram de total agonia para o jovem Ahmad Nasir que suspeitava que, no minuto em que o último militar ocidental deixar aquele território, haverá retaliação dos talibã, sobretudo, contra duas das mais importantes mulheres da sua vida: a mãe e a irmã, uma ativista dos direitos humanos.

Hoje, aguarda que ambas consigam sair do país e que sejam acolhidas na cidade do Porto, onde o jovem afegão reside desde 2016. (MM)

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