Joacine Katar Moreira abandona partido LIVRE e diz: “a sensação, por enquanto, não é de liberdade nenhuma”

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A deputada Joacine Katar Moreira apresentou hoje a sua demissão do LIVRE, um dia depois de passar a exercer o mandato como deputada não inscrita, deixando de representar o partido pelo qual foi eleita e que lhe retirou a confiança política na sexta-feira passada.

Numa nota no Facebook, Joacine Katar Moreira anunciou que entregou esta madrugada a carta de desvinculação ao Livre “e a sensação, por enquanto, não é de liberdade nenhuma”.

“Entreguei esta madrugada a minha carta de desvinculação ao livre e a sensação, por enquanto, não é de liberdade nenhuma. Mas de repente, fez-se algum silêncio e isso é uma espécie de ouro neste momento”, escreveu Joacine Katar Moreira.

Primeira deputada negra eleita como cabeça de lista de um partido em Portugal, Joacine Katar Moreira deixou de representar a força política que a elegeu ao Parlamento, por divergências com o núcleo duro do partido.

Nesta segunda feira, o porta-voz do Livre, Pedro Mendonça, afirmou aos jornalistas que após a retirada de confiança política, “a partir de sexta-feira, Joacine Katar Moreira não pode falar em nome do partido”.

“De uma forma simples, tiramos-lhe a procuração para agir em nosso nome”, disse o porta-voz do Livre.

Esta é a terceira demissão após o LIVRE tomar a decisão de retirar a confiança política à sua deputada única no Parlamento, três meses de tomar posse.

Foram várias as reações à decisão, incluindo a de co-fundadores do partido que falam de “falta de cultura democrática” e de “inveja” no seio daquela formação política e, por isso, renunciaram imediatamente a posição de militantes.

Rafael Esteves Martins, co-fundador do LIVRE e assessor parlamentar de Joacine Katar Moreira, foi o primeiro a anunciar a sua retirada do partido, seguido de outros membros fundadores que também contestam o desfecho do “caso Joacine”.

Numa publicação no Facebook, Rafael Esteves Martins lembra que, ao fim de seis anos de militância, decidiu retirar “confiança política” ao partido: “Não reconheço o LIVRE que ajudei a fundar. Os tempos que correm esclarecem-nos acerca das alianças: não de quem está necessariamente connosco, mas de quem não larga *mesmo* a mão de ninguém. E por isto eu não posso ficar mais no LIVRE, retirando-lhe consequentemente qualquer confiança política”.

Outro membro fundador do LIVRE que se desvinculou é Hélder Filipe de Azevedo, membro da lista de Braga às legislativas de 06 de outubro de 2019, que considera haver apenas uma explicação para a retirada da confiança política a Joacine Katar Moreira.

“A inveja moveu o arquiteto deste injusto ´impeachment`partidário”, afirma Hélder Filipe de Azevedo, numa carta de três pontos endereçada aos militantes e simpatizantes do partido liderado pelo historiador Rui Tavares.

“Das graves decisões que me levaram a esta irrevogável tomada de decisão, quero registar”, primeiro, “a permanente deriva personalista do LIVRE, centrado sempre cada vez mais na figura de ´pater familias` Rui Tavares. Fruto de um palco privilegiado, o historiador é apresentado permanentemente e interiorizado coletivamente como único fundador e líder do partido e cultuado nos órgãos constitutivos e na corte lisboeta como se tal fosse verdade”, escreve Hélder Filipe de Azevedo.

Na carta publicada no “Twitter”, Hélder Filipe de Azevedo refere que, “desta forma”, enquanto membro fundador do LIVRE, não pode “compactuar com uma deriva ideológica e um ´modus operandi` de tipo ´Orbanizante` e que emerge assim como Síndrome de Estocolmo”.

“A falta de cultura democrática que se demonstra perfeitamente no “l´affaire” Joacine”, é o segundo motivo que leva aquele co-fundador do LIVRE a renunciar ao cargo de membro do partido, que em outubro elegeu a sua primeira deputada à Assembleia da República, a luso-guineense Joacine Katar Moreira, que concorreu como cabeça de lista às legislativas do ano passado.

“Considero que a eleição de Joacine Katar Moreira para o Parlamento foi uma conquista pouco mais do que unipessoal. Eu, na qualidade de membro da lista de Braga às legislativas, pude comprovar ´in situ´ a indiferença, a descrença e o repúdio pela candidata do LIVRE. Lutei sempre contra as tais pessoas e acabei por incompatibilizar-me, afastando-me da lista, da campanha e dos seus membros”, conta Hélder Filipe de Azevedo.

Na segunda-feira, Joacine Katar Moreira e uma delegação do partido Livre estiveram reunidos com o Presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, a quem comunicaram a decisão de a parlamentar passar ao estatuto de deputada não inscrita. (MM)

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