Portugal: Jovens de Malanje vêm estudar para o Alto Minho, região fustigada pela emigração

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A parceria entre duas regiões que abrirá portas para jovens lusófonos
Manuel Matola

A província angolana de Malanje deverá enviar jovens para estudar em várias escolas de nível profissional ou superior no Alto Minho, região de Portugal que tem sido fustigada pela emigração nos recentes anos de crise e evolução negativa acentuada da demografia.

O governo provincial de Malanje, em parceria com a Associação de Desenvolvimento de Defesa dos Angolanos (ADDA), estão em negociações com a Câmara Municipal de Viana de Castelo no sentido de encaminhar jovens daquele município de Angola para ocuparem as vagas existentes nos estabelecimentos de ensino.

Malange tem uma percentagem elevada de população jovem (cerca de 60% da população da região) e não tem as necessárias infraestruturas para poder oferecer a todos a oportunidade de estudar e completar uma qualificação, disse ao jornal É@GORA, a consultora em políticas públicas e especialista em questões regionais de desenvolvimento sustentável, Maria João Filgueiras Rauch.

“Estes jovens qualificados são um enorme potencial de desenvolvimento para aquela província. Por outro lado, a região do Alto Minho tem sido muito fustigada pela emigração nos recentes anos de crise, fenómeno que se junta á evolução negativa acentuada da demografia, deixando várias infraestruturas educativas com lugares por ocupar”, afirmou.

“Deste modo, este acordo permitirá ás duas regiões (Malange e Alto Minho entrarem para) uma situação de ´win-win`”, sublihou.

Ao abrigo de um outro acordo a ser discutido entre o governo provincial de Malanje e a Câmara Municipal de Viana de Castelo, “eventualmente jovens desempregados de Malange poderão vir a ocupar postos de trabalho em diferentes áreas em empresas instaladas naquela região do norte de Portugal”, referiu.

Em declarações ao jornal É@GORA, Maria João Filgueiras Rauch afirmou que o plano se insere numa “estratégia nacional que visa ajudar o retorno de emigrantes portugueses”.

Segundo Maria João Filgueiras Rauch, nas regiões do interior de Portugal, “a demografia tem sido negativa” e ainda assim “tem sido trabalhada mais o lado da atração de investimento do que de pessoas” dado que a seguir a crise e ao elevado desemprego era preciso apostar na criação de postos de trabalho.

“E foi nessa base que o presidente da Câmara Municipal de Viana de Castelo identificou a necessidade e a urgência em desenvolver uma estratégia exatamente para a captação de pessoas” proximamente, contou a consultora em políticas públicas.

E partindo de princípio de que Malanje é uma província essencialmente agrícola e que está a enfrentar graves problemas de emprego, a ADDA apresentou uma proposta ao governador provincial visando tirar proveito da experiência portuguesa, sobretudo, na Agricultura, disse ao jornal É@GORA o presidente daquela agremiação angolana, Amarildo Viegas.

“A preocupação do governo de Malanje é transversal a toda a província, pois há um índice de jovens desempregados e sem formação técnica, que precisam de colocação e necessitam envolver-se no processo de dinamização e desenvolvimento da província”, afirmou Amarildo Viegas.

E, acrescentou o presidente da ADDA, “a melhor forma que o governo da província encontrou foi fornecer ferramentas académicas dando formação técnica e integrá-los de uma forma pensada”, de modo que, simultaneamente, “se potencie o desenvolvimento da província, criando-se postos de trabalho e trazendo valor acrescentado” à própria região angolana, contudo, o executivo provincial de Malanje “não tem um suporte financeiro”.

Acontece que o Banco Mundial tem disponível 75 milhões de euros para investir na área agrícola naquela província angolana, pelo que “o governador de Malanje identificou a necessidade de se fazer formação no setor de agricultura” em Portugal, disse o responsável pela ADDA, entidade que está a dinamizar o projeto servindo de ponte entre Angola e Portugal.

Segundo Amarildo Viegas, a ideia é formar inicialmente “entre 10 e 20 técnicos” nas áreas operacionais viradas ao setor agrícola para posteriormente trabalharem em Malanje.

Em abril, a Câmara Municipal de Viana de Castelo e o Governo Provincial de Malanje assinaram uma carta de intenção para reforçar a cooperação entre as partes, com base nos laços históricos, culturais e de amizade existente entre os povos angolano e português.

Delegação do governo da província de Malange, recebidos pelo presidente da câmara Municipal de Viana de Castelo

Na altura, o governador da província angolana de Malanje, Norberto Fernandes dos Santos “Kwata Kanawa”, apontou a formação profissional como uma das áreas de cooperação a estabelecer com o Alto Minho (em Viana do Castelo), através do intercâmbio de jovens de Angola que queiram estudar naquela região portuguesa.

“É um assunto que vamos tratar quando regressarmos a Angola para acertarmos com o presidente da câmara de Viana do Castelo”, disse à Lusa Norberto Fernandes dos Santos “Kwata Kanawa” sobre a possibilidade de cooperação, especialmente na formação profissional, entre a província angolana de Malanje e o Alto Minho.

Questionada pelo jornal É@GORA se essa ideia de cooperação bilateral entre regiões portuguesas e de países lusófonos era uma iniciativa pioneira em Portugal, Maria João Filgueiras Rauch disse desconhecer.

“Penso que não existe este tipo de trabalho em que toda a região está a desenvolver uma estratégia nesse sentido. Não conheço nenhuma atuação deste tipo que esteja a ser desenvolvida por uma região”.

Embora neste momento não haja metas numéricas definidas relativamente aos cidadãos de Malanje a integrar o projeto, a Câmara de Viana do Castelo pretende estende estabelecer laços de cooperação com mais municípios de países lusófonos no sentido de usar a capacidade disponível para qualificar jovens desses estados esperando que alguns se possam fixar na região e os restantes regressem às suas regiões equipados para acrescentar valor económico e social.

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