Layla da Costa: o perfil da “Miss World da Guiné Bissau” cuja morte abalou toda a diáspora guineense

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Modelo Layla da Costa

Manuel Matola

A luso-guineense Layla da Costa, de 24 anos, era uma das modelos africanas que mais se destacava no mundo da moda em Portugal, onde seguia uma carreira que começou “ao acaso”, mas que cedo lhe conferiu o título de “Face Model of the Year-2016/ 2017”, representando durante um ano a marca da conceituada estilista portuguesa Fátima Lopes.

A morte da manequim Layla Costa, encontrada sem vida num apartamento em Bolonha, Itália, deixou em choque toda a diáspora guineense, e não só, que continua incrédula com a partida precoce da “Fofa Laila”, como era conhecida e a própria se identificava nas suas redes sociais.

Numa publicação no Facebook, a estilista portuguesa de Fátima Lopes reagiu à notícia sintetizando a dor de toda uma comunidade do universo da moda com a seguinte frase: “A nossa modelo Layla ficará eternamente nos nossos corações, nunca esqueceremos a sua delicadeza, bondade, humildade, determinação, profissionalismo e tantas outras qualidades”.

Qualidades essas que fizeram com que, em 2014, Layla da Costa vencesse o concurso Miss World da Guiné Bissau, o que lhe credenciou a participar no Miss World em 2017, na China. Entretanto, a falta de financiamento, especialmente dentro do país para custear as despesas de viagem, impediu-a de realizar este sonho.

Nascida em Lisboa, em 1997, Layla da Costa mudou-se para a capital guineense, Bissau, quando tinha apenas três meses de idade e voltou em 2016 para Portugal para seguir uma carreira de manequim e estudar Gestão de Recursos Humanos.

Quando morava na Guiné Bissau, de onde os seus pais são naturais, Layla da Costa foi um dia a uma festa e lá recebeu uma proposta inesperada de um amigo no sentido de se candidatar ao concurso de Miss Guiné Bissau em 2014.

Inicialmente, “fiquei com receio, fui consultar os meus pais e a resposta que tive foi óbvia: vais para o concurso, mas não te esqueças da escola”, pelo que ganhou coragem e disse para si mesma: “uma coisa não tem nada a ver com a outra”. Foi.

E, num ápice, conseguiu convencer o júri que a considerou ser detentora de uma beleza ímpar, pelo que lhe atribuiu a primeira posição do concurso Miss Mundo Guiné-Bissau.

Decorrente deste galardão, Layla estava qualificada a participar do Miss World 2017, evento que atribui o título da mulher mais bela do mundo.

Até à data da sua morte, era uma das manequins em destaque na agência de Fátima Lopes, a “Face Models”, com a qual já desfilou em grandes palcos europeus: desde Portugal Fashion Week à Lisboa Fashion Week, Paris Fashion Week e festivais na Itália, onde ficou no 4ºlugar do concurso da mais bela do New Model Today 2015, tendo sido a única concorrente africana coroada com uma faixa naquele certame.

Desde então, Layla da Costa participava em vários eventos de moda em nome da “Face Models” dentro e fora do país. Em setembro, esteve no Venice Film Festival. Já fez anúncios para marcas no mundo de moda e era convidada regular para ser o rosto de capa de várias revistas de moda em Portugal.

Dois anos após chegar a Portugal, a manequim luso-guineense participou em duas novelas como figurante, uma das quais foi a “Única Mulher” da TVI.

Em 2018, o autor destas linhas, então produtor de conteúdos do Conversas ao Sul da RTP-África, fez uma pré-entrevista à modelo Layla da Costa ao preparar o programa apresentado por David Dias, que teve a manequim como uma das suas principais convidadas naquele canal da televisão portuguesa virado para a audiência em África.

Na ocasião, Layla pediu sigilo ao autor do texto ao falar sobre um projeto que a modelo tinha projetado para futuro: regressar a Guiné Bissau e criar a sua própria agência de modelo e uma organização não governamental vocacionado ao apoio a crianças deficientes. (MM)

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