Lisboa acolhe em setembro o 1º encontro de Empreendedores Digitais Africanos em Portugal

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A capital portuguesa, Lisboa, vai acolher no dia 21 de setembro o primeiro encontro de Empreendedores Digitais Africanos residentes em Portugal para saber quem são e como promover trabalhos dos influenciadores afrodescendentes no seio da comunidade portuguesa.

Em declarações ao jornal É@GORA, Claudina Correia, uma das influenciadoras digitais africanas mais referenciadas pelos usuários das redes sociais do espaço lusófono, explicou os propósitos do evento, que é coorganizado pela ´influencer`, autora do blog “FEMEA.TOP”, uma página da Internet onde regularmente publica conteúdos relacionados com a moda, cuidados de beleza, maquilhagem.

“O que acontece é que não nos conhecemos a todos. Não sabemos o que é que todos fazem e acabamos por nos perder uns dos outros no meio de tanto, pois cada vez mais aumenta-se e é preciso perceber quem são e quem está a fazer trabalho de qualidade e dar essa visibilidade” ao que é produzido pelos inúmeros africanos “Youtubers, bloggers/Instagrammers, empresários que têm lojas online, pessoas que têm negócios online seja ele a nível de blogs, vídeos”, disse.

Segundo Claudina Correia, no seio da comunidade africana em Portugal, “há pessoas que trabalham só com Instagram, mas são influenciadores digitais, há pessoas que estão só nos vídeos ao nível de Youtube e há pessoas que têm lojas virtuais e precisam deste reconhecimento e projeção”, pelo que é necessário ajudá-los a saber criar conteúdos que “possam ser considerados mais atrativos e com um bocadinho mais de qualidade”.

“A outra razão é que consigamos ter uma posição mais definida na sociedade portuguesa, para que quer a pessoa seja branca ou negra possamos todos ser considerados ´influencers` da mesma forma”, disse a autora do blog “FEMEA. TOP”, que está a promover o encontro com mais duas influenciadoras digitais do momento: Cláudia Neves, que detém o blog “The Oof Diary” (The Out of Office Diary)” e Elsa Soares, autora do blog “Diário de uma Mulher Africana”.

De resto, “reconhecer e ver os africanos como boas referências a vários níveis” é tambem o objetivo deste primeiro encontro de Empreendedores Digitais Africanos em Portugal.

“Acho que é importante, porque nós fazemos parte dessa sociedade”, disse a coorganizadora.

Um estudo sobre a “Social Influence Report”, produzido pela Primetag, uma empresa global que desenvolve tecnologia no setor do marketing de influência, avaliou 1.682 contas de Instagram de figuras portuguesas de várias áreas com um mínimo de 10 mil seguidores e 52 publicações feitas no ano passado.

Mas à exceção de Nani, filho de imigrantes cabo-verdianos, e Renato Sanchez, de pais nascidos em São Tomé e Príncipe e Cabo Verde, ambos jogadores da seleção portuguesa, nenhum outro influenciador digital africano a residir no território português foi contemplado na lista da Primetag onde são analisadas vastas quantidades de informação pública dispersa pelas redes sociais, com objetivo de contribuir para um maior esclarecimento no debate público sobre o comportamento social na Internet em Portugal.

O estudo, que também avalia todas as publicações no Instagram dos influenciadores digitais portugueses no ano de 2017, divide-se em segmentos totalmente dominados por mulheres: a Moda e Beleza, Desporto e Fitness, Viagens, Gastronomia, Música, Cinema e Televisão, à exceção de Desporto que, das categorias analisadas, reúne o maior número de seguidores de sexo masculino.

Em entrevista ao jornal É@GORA, Claudina Correia, que desconhecia a existência de qualquer estudo nesse sentido, afirmou não saber qual é a razão do “pouco reconhecimento” dos influenciadores africanos na sociedade portuguesa, sobretudo, por parte das empresas e marcas que normalmente usam as figuras públicas para ajudarem a projetar os seus produtos.

“Daquilo que tenho percebido e visto, há pouco reconhecimento de empreendedores digitais africanos como referência a nível de excelência. Vemos muitos `influencers´ a falar de portugueses, de parcerias a nível de marcas e empresas, e muito poucos voltados para jovens africanos que sejam empreendedores digitais em Portugal, que têm tanto ou mais trabalho na questão da publicação, da criação de conteúdos e, no entanto, há pouco reconhecimento” do que fazem, disse Claudina Correia.

Questionada sobre os motivos dessa eventual fraca presença de influenciadores digitais africanos, por exemplo, na promoção de grandes marcas, Claudina Correia apontou para os conteúdos produzidos como uma das possíveis razões que leva a que esse grupo social não consiga estabelecer parcerias com marcas que “procuram especificamente” os ´influencers`.

“Isso também passa pelo público alvo, pelos conteúdos que nós temos, mas passa também, às vezes, por estarmos um bocadinho na sombra e não estarmos bem projetados”, afirmou.

Por isso, apesar de a lista de intervenientes ainda não estar concluída, a organização já definiu o perfil dos que na reunião irão dar o seu testemunho, “dentro de todos os influenciadores” convidados ao encontro que poderá discutir a possibilidade de agregar os influenciadores digitais africanos numa associação.

“Seria também uma possibilidade. Estamos abertos” a essa hipótese de criação de uma associação, admitiu Claudina Correia.

Por isso que no evento do próximo mês, “nós queremos ver pessoas que já atingiram determinado patamar e aquelas pessoas que estão a lutar para conseguir e ver as suas dificuldades. Se todos passamos pelas mesmas dificuldades (então precisamos) ver qual é o caminho que seria ideal para todos”, disse.

A ´blogger` assegurou que a organização ainda está a negociar com as pessoas que vão fazer intervenção e dar o seu testemunho para explicarem “como está a ser a implementação dos seus projetos a nível de influenciador digital”.

Segundo Claudina Correia, a ideia é “tentar criar parcerias com esses mesmos (influenciadores digitais), principalmente quem tem empreendimentos a nível digital, para que possam também falar às pessoas que queiram chegar a algum sítio, demonstrando qual é o trajeto e o que recomendariam a nível de formas de trabalho para se atingir determinada projeção”. (MM)

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