Lisboa acolhe no dia 01 de fevereiro protesto contra agressão policial a imigrante angolana

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Foto retirada do Facebook dos organizadores do protesto ©

A capital portuguesa, Lisboa, vai acolher no próximo dia 01 de fevereiro uma manifestação contra a agressão a imigrante angolana, Cláudia Simões, por um agente da Polícia de Segurança Pública (PSP) de Portugal, país onde ultimamente paira um clima de tensão racial.

O protesto ocorre quase um ano depois de em Lisboa se ter realizado a maior manifestação de afrodescendentes que, no dia 24 de janeiro de 2019, ocuparam a Avenida da Liberdade para denunciar a “forma claramente intimidatória, racista e violenta com que as forças de autoridade” agiram contra as minorias étnicas, nomeadamente angolanos, no bairro da Jamaica, em Seixal.

No passado domingo, a angolana Cláudia Simões acusou a PSP do Casal de São Brás, Amadora, de a ter espancado em frente à filha de oito anos, após um desentendimento com um motorista de autocarros, por a menor se ter esquecido de passe num casaco que deixou em casa.

Um vídeo posto a circular nas redes sociais mostra um agente da PSP a tentar imobilizar a mulher numa paragem de autocarro, perante o olhar de transeuntes que protestavam contra a atuação do polícia chamado pelo motorista para intervir.

Os organizadores do protesto consideram que “esta violência racista do Estado é sistemática nos bairros periféricos de Lisboa, para reprimir e aterrorizar, para manter os negros e ciganos, trabalhadores e pobres, na condição de cidadãos de segunda, dificultando a organização e a luta contra este sistema”.

Dois dias depois da agressão, a imigrante angolana foi constituída arguida e sujeita à medida de coação de termo de identidade e residência, indiciada do crime de resistência e coação sobre agente da autoridade.

Fonte da Direção Nacional da Polícia de Segurança Pública (PSP), citada pela LUSA, referiu que a mulher ficou indiciada do crime de resistência e coação sobre agente da autoridade, enquanto o polícia envolvido “não foi constituído arguido”.

As deputadas do partido LIVRE Joacine Katar Moreira, e do Bloco de Esquerda, Beatriz Gomes Dias, exigiram esclarecimento ao Ministério da Administração Interna à atuação do agente da PSP, enquanto o SOS Racismo propôs a sua suspensão das funções “imediatamente”, para “que se faça justiça e que se acabe com a impunidade da violência policial racista”.

Nesta quinta-feira, a Inspeção Geral da Administração Interna (IGAI) abriu um processo administrativo ao Sindicato Unificado da Polícia de Segurança Pública por causa de uma publicação daquela organização no Facebook, entretanto apagada, na qual se lia: “As melhoras ao colega e espero que as análises sejam todas negativas a doenças graves. Contudo a defesa da cidadã está a começar a ser orquestrada pelo ódiomor [sic] de brancos”.

Na sequência da partilha na página do sindicato também de fotos dos arranhões e das mordidas no braço do polícia envolvido nas agressões à Cláudia Simões, a IGAI determinou a abertura de um processo administrativo “tendo solicitado à Direção Nacional da PSP que sobre a mesma se pronuncie”.

Por isso, os organizadores do evento do primeiro dia de fevereiro dizem que pretendem levar a cabo um protesto, com ponto de partida a Praça Marquês de Pombal, que servirá não só para reivindicar “Justiça para Cláudia e para todos os que são alvo desta violência”, como também para exigir “punição dos criminosos responsáveis pela agressão e a expulsão de todos os racistas e agressores da PSP”.

No anúncio publicado nas redes sociais, sob lema “Justiça para Cláudia Simões! Abaixo a violência racista!”, aparecem nomes de uma dezena de entidades vocacionadas na luta contra o racismo como sendo organizadoras do protesto que visa apelar para a adoção de “políticas firmes de combate aos discursos racistas nos meios de comunicação social”.

“Como sempre, depois da agressão vem a campanha de difamação, iniciada pela PSP e feita pelas maiores empresas de comunicação social de Portugal, que dão voz a racistas e à extrema-direita”, lê-se na nota.

“Por tudo isto, no sábado, dia 1 de Fevereiro, pelas 15 horas, vamos mostrar a nossa força na Avenida da Liberdade!”, dizem as organizações de luta antirracista, que querem ser parte de “uma investigação séria e independente ao racismo em todas as forças de segurança”.

“Exigimos uma investigação séria e independente ao racismo em todas as forças de segurança, feita pelas nossas organizações”, porque se “bateram numa de nós, bateram em todos nós! O racismo não passará!”, dizem as organizações Brutalidade Policial, Esquerda Revolucionária – A Centelha, Frente Unitária Antifascista, SOS Racismo, Instituto da Mulher Negra em Portugal, Plataforma Antifascista Lisboa Vale do Tejo, Associação de Afrodescendentes e a Associação de Mulheres Negras, Africanas e Afrodescendentes em Portugal. (MM)

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