Lisboa acolhe sábado conferência de extrema-direita e manifestação antifascista em locais não revelados

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Lisboa será sábado palco de eventos a favor e contra o racismo e nacionalismo, que decorrem em parte incerta

A capital portuguesa, Lisboa, vai acolher no sábado um encontro internacional organizado pelo grupo de extrema-direita ´Nova Ordem Social`, liderado por Mário Machado, mas 65 organizações anunciaram esta segunda-feira uma “mobilização nacional antifascista” e fizeram correr uma petição pública eletrónica para sugerir a órgãos de soberania que impeçam a realização do evento.

As 28 organizações antifascistas portuguesas e 37 estrangeiras subscritoras do manifesto garantem, no entanto, que também no mesmo dia, pelas 13:00, vão promover o evento antifascista em Lisboa, mas que, por razões de segurança, não podem revelar o local onde irá decorrer.

Na sua página do fórum do movimento `Nova Ordem Social` na Internet, os organizadores da denominada “Conferência Europeia sobre Nacionalismo de 2019” sonegam igualmente a informação relativa ao local onde essa será realizada, prometendo fazê-lo apenas no sábado “pelas 09:00” da manhã, ou seja, quando faltarem cinco horas para começar a reunião, que contará com sete líderes dos grupos europeus de extrema-direita.

“A conferência terá início pelas 14horas em Lisboa, sendo o local revelado em breve”, lê-se na página daquele movimento onde estão estampadas fotos de sete representantes de grupos europeus de extrema-direita: o português Mário Machad, Josele Sanchez (Espanha), Adrianna Gasiorek (Polónia), Blagovest Asenov (Bulgária), Francesca Rizzi (Itália), Mattias Deyda (Alemanha) e o francês Yvan Benedetti.

No entanto, o dirigente do SOS Racismo, Mamadou Ba, citado pela TSF, disse que os organizadores da “mobilização nacional antifascista” também tomaram uma decisão idêntica: “manter em sigilo o local da nossa concentração” para evitar “provocações por parte do outro movimento”.

Mamadou Ba apelou por isso a atenção das autoridades policiais e pediu aos partidos políticos, ao presidente da Assembleia da República, ao presidente do Tribunal Constitucional e à ministra da Justiça para impedirem a realização da conferência.

A reunião a qual as 65 organizações pretendem contestar é o Encontro Nacionalista do grupo do ativista português, Mário Machado, ex-dirigente da Frente Nacional, um movimento cujos ideais advogavam a instauração de uma ideologia da supremacia branca em Portugal.

O ativista do SOS Racismo considerou que a reunião do grupo da `Nova Ordem Social`, de Mário Machado, que já foi condenado por vários crimes de índole racial, constitui uma “uma ameaça à democracia”, pois “as organizações que se querem juntar em Lisboa são defensoras do ódio e do racismo”.

“É uma legislação para defender a democracia contra uma ideologia do ódio e da morte. Vimos agora recentemente nos Estados Unidos, e sabemos que as organizações que se querem juntar em Lisboa são defensoras do ódio e do racismo”, disse Mamadou Ba, citado pela TSF.

Para Mamadou Ba, a iniciativa de protesto “Contra a conferência Neonazi do dia 10 de Agosto em Lisboa” serve não só de “alerta à sociedade sobre estas ameaças à democracia” como “para também lembrar às autoridades do nosso país que têm o dever de fazer cumprir a constituição, que proíbe manifestações racistas”.

De acordo com Mamadou Ba, a supremacia branca defendida por Mário Machado representa uma “afronta à dignidade humana”, pelo que “não se pode tolerar, no século XXI, apelos ao fascismo e ao racismo”.

A União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP) também contestou a realização do evento, considerando que a conferência nacionalista prevista para o próximo sábado, em Lisboa, “contraria as normas da Constituição da República Portuguesa, constitui um insulto ao povo português que, em abril de 1974, derrubou a ditadura fascista”.

“No ano em que se comemoram 45 anos da Revolução dos Cravos e em que, por todo o país, se festejou a liberdade e a democracia, tal iniciativa, que contraria as normas da Constituição da República Portuguesa, constitui um insulto ao povo português que, em abril de 1974, derrubou a ditadura fascista”, diz a URAP em nota divulgada. (MM)

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