Luso-senegalesa ocupa 3ª posição na lista de candidatos a deputado em Portugal

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Beatriz Gomes Dias, militante do Bloco de Esquerda e presidente da Associação de Afrodescendentes em Portugal

A imigrante senegalesa Beatriz Gomes Dias, fundadora e presidente da Associação de Afrodescendentes em Portugal, ocupa a terceira posição na lista de candidatos a deputados às legislativas de outubro pelo Bloco de Esquerda, informou aquela formação política.

Esta é segunda indicação de uma imigrante de origem africana para um lugar elegível nas listas para o cargo de deputado nas eleições legislativas deste ano em Portugal, onde a representatividade étnico-racial é quase nula no Parlamento, existindo apenas um luso-africano entre os 230 parlamentares.

Beatriz Gomes Dias, de 48 anos, é a impulsionadora do Memorial da Escravatura, empreendimento que brevemente será criado em Lisboa para ajudar a fazer contextualização histórica do tráfico de seis milhões de escravos no Império português e perceber a influência afrodescendente na atual cultura portuguesa, fruto da imigração forçada.

Licenciada em Biologia, disciplina que leciona no ensino básico e secundário, a agora candidata do Bloco de Esquerda pelo círuclo eleitoral de Lisboa é ativista do “Movimento em Defesa da Escola Pública” e delegada sindical do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa.

Nascida na capital senegalesa, Dacar, e portuguesa por aquisição de nacionalidade, Beatriz Gomes Dias integra a Mesa Nacional do Bloco de Esquerda, o terceiro partido político no Parlamento português.

A dirigente associativa, membro do SOS Racismo-Portugal, foi autarca nas freguesias de Anjos e Arroios, e atualmente assegura mandato na Assembleia Municipal de Lisboa em regime de substituição.

As próximas eleições legislativas portuguesas irão decorrer no dia 6 de outubro deste ano e até aqui estava confirmada somente uma concorrente de origem africana que irá encabeçar a lista de uma força política: a luso-guineense Joacine Katar Moreira, do partido LIVRE, que em maio último disputou, sem sucesso, as eleições europeias.

No entanto, o Bloco de Esquerda decidiu pela escolha da afrodescendente Beatriz Gomes Dias para integrar a sua lista de deputados que vão desafiar as legislativas deste ano, depois de a luso cabo-verdiana, Anabela Rodrigues, não ter conseguido ser eleita pelo partido ao cargo de deputada no Parlamento Europeu.

Portugal já teve alguns deputados de origem africana na Assembleia da República, mas oriundos de Países Africanos de Língua Portuguesa, ex-colónias de Portugal: em 1995, o Partido Socialista elegeu Celeste Correia, natural de Cabo-Verde, e o guineense Fernando Ká, enquanto o cabo-verdiano Manuel Correia foi eleito pelo Partido Comunista Português.

Há mais de 10 anos que o angolano Hélder Amaral, do CDS-PP, continua a ser o único deputado em Portugal que quebra a falta de representatividade étnico-racial naquele órgão legislativo.

Recentemente, o Partido Socialista (PS) anunciou que deverá colocar “em lugares elegíveis várias pessoas afrodescendentes, ciganas e de outras origens” para concorrem a deputados ao Parlamento, mas a proposta apresentada aos seus militantes não é consensual naquela formação política atualmente no poder.

O Partido Social Democrata (PSD), que também está em processo de escolha de candidatos a deputados, realizando um escrutínio inédito, em que o candidato a primeiro-ministro decidiu que não irá ocupar a primeira posição em nenhuma lista distrital, não tem até ao momento, entre os cabeça de lista, nenhum concorrente ao cargo de parlamento que seja de origem étnico-racial ou cigana. (MM)

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