Marcelo lembra que pobreza em Portugal ataca “um de cada cinco” cidadãos, incluindo estrangeiros

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Marcelo Rebelo de Sousa dando aula em direto na RTP. FOTO: Presidência da República ©

Manuel Matola

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, lembrou esta segunda-feira a realidade da pobreza em Portugal que ataca “um de cada cinco” cidadãos, incluindo estrangeiros, que “vivem abaixo do nível de pobreza”, pelo que apelou para se acuda à situação dos grupos sociasis que “têm menos capacidade para resistir ao vírus” que causa a Covid-19.

Falando numa aula sobre cidadania, que deu hoje em direto na RTP, no âmbito do programa #EstudoEmCasa, dirigido aos alunos do 1.º ao 9.º anos de escolaridade, que estão sem aulas presenciais durante a fase pandémica, Marcelo Rebelo de Sousa avisou que “o vírus ataca a todos” e assinalou que a doença que está a impedir, por exemplo, que “milhares e milhares” de portugueses na diáspora venham passar férias de Verão em Portugal.

“Mas”, de acordo com o chefe de Estado português, o vírus “ataca, sobretudo, os mais pobres, os mais fracos, os mais carenciados. Estes têm menos capacidade de resposta, porque não têm teto, são sem-abrigo, porque têm casas sem condições, vivem em camaratas, porque não têm água, não têm eletricidade, porque as condições de saúde não são as mesmas que muitos de vocês têm”.

Durante a aula na RTP, estação pública que desde o início da Covid-19 tem produzido de conteúdos televisivos dirigidos aos alunos, numa parceria com o Ministério da Educação, Marcelo Rebelo de Sousa pediu mudança de comportamento dos cidadãos, especialmente, os mais jovens.

“Ora, nós temos que mudar um bocado do país, porque, se é verdade que temos um de quase três portugueses que está em grupo de risco – os mais idosos ou mais doentes -, temos um de cada cinco portugueses residentes em Portugal – portugueses e estrangeiros – que vive abaixo do nível de pobreza, ou seja, que tem menos capacidade para resistir ao vírus”, referiu o chefe de Estado.

E assinalou: “Um dia se fizermos estudo ver-se-á que embora haja mais ricos que também foram tocados pelo vírus, foram sobretudo os mais pobres que sofreram pelo vírus em Portugal como por todo o mundo”.

O Presidente da República apontou esta segunda-feira as dez “lições da pandemia” numa aula em que, após apresentar cumprimentos de “bom dia” e identificar-se – “chamo-me Marcelo Rebelo de Sousa” -, destacou de imediato a primeira entre uma dezena de lições sobre o novo surto global: “A coisa mais importante das nossas vidas é a própria vida e a saúde”.

De seguida elencou mais nove lições, sendo a sétima relacionada com os imigrantes e os milhares de portugueses residentes na diáspora.

“Sabem que nós somos um país espalhado pelo mundo. São milhares de emigrantes que quiseram vir nas férias da Páscoa e nós tivemos que lhes pedir para eles não virem sacrificando o encontro com as famílias (…) para não aumentarem o contágio” de um país, onde naquela altura, era mais forte que em Portugal, e eles, “sacrificaram”, disse.

“E agora estamos a pedir a milhares e milhares que veem para férias de verão” para evitar se deslocar ao país de origem, acrescentou.

RACISMO

O Presidente da República considerou hoje que Portugal tem setores racistas e xenófobos, mas defendeu que a maneira de lutar contra as discriminações “não é estar a destruir História, é fazer História diferente”.

Em resposta a questões dos jornalistas, nas instalações da RTP, em Lisboa, depois de dar uma aula em direto para o projeto de ensino à distância #EstudoEmCasa, o chefe de Estado sustentou a História deve ser assumida como um todo e condenou a vandalização e destruição de estátuas, interrogando: “Isso traduz-se em quê?”.

“Eu acho que a maneira de verdadeiramente lutar contra as discriminações, e concretamente contra o racismo ou a xenofobia, é criar condições hoje, e para o futuro, que reduzam essas desigualdades. Não é estar a destruir História, é fazer História diferente. É fazer História diferente, é aditar História diferente”, afirmou.

Marcelo Rebelo de Sousa argumentou que “o destruir a História é um exercício teoricamente muito fácil, mas que não vai, na prática, mudar as condições de vida daqueles que são discriminados, que são isolados”, como os moradores do Bairro da Jamaica, no concelho do Seixal, distrito do Barreiro.

“Visitei as casas deles, conheço o que é a casa deles. Como visitei bairros que não são de minorias étnicas, onde há quem, pertencendo à maioria étnica portuguesa, viva em bairros assim. É combater isso, é acabar com esses bairros, isso é que é fundamental”, contrapôs. (MM)

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