Mega-manifestação contra reunião de extrema-direita que teve “contratempo” em Lisboa

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A capital portuguesa, Lisboa, acolheu no sábado uma mega-manifestação contra a realização de um encontro de nacionalistas europeus que “a menos de um dia da conferência” teve um “contratempo”, após o grupo de extrema-direita ´Nova Ordem Social`, liderado por Mário Machado, ver cancelado a reservada do local onde decorreria o evento.

Numa carta divulgada na página oficial do grupo, o líder do movimento antifascista, Mário Machado, considerou que houve uma “mão invisível governamental” na decisão da direção do hotel que decidiu cancelar a reserva do local previsto para realização da conferência, quando faltava menos de meio dia para o arranque da reunião.

“Hoje, 9 de Agosto, pelas 20 horas da noite, a menos de 12h do início da reserva do local da conferência, de forma ardilosa e com a ´mão invisível governamental`, o Hotel Altis Belém, decidiu anular a nossa reserva com esta justificação proto-Fascista, antidemocrática e salvo melhor opinião, Inconstitucional: ´A administração do grupo Altis tomou conhecimento de que a reunião prevista para amanhã será de cariz político e de apoio à extrema direita o que poderá comprometer a tranquilidade dos nossos hóspedes e a própria segurança dos mesmos. Por isso mesmo, lamentamos informar que iremos considerar o mesmo como cancelado`”, escreveu Mário Machado na carta datada de sábado.

Pelo menos 65 organizações organizaram no sábado uma “mobilização nacional antifascista” e fizeram correr uma petição pública eletrónica que chegou a quase dez mil assinaturas para sugerir a órgãos de soberania que impedissem a realização do encontro.

Os organizadores da conferência da iniciativa de Mário Machado, ex-dirigente da Frente Nacional, um movimento cujos ideais advogavam a instauração de uma ideologia da supremacia branca em Portugal, bem como os da manifestação antifascista decidiram revelar os locais dos eventos apenas no próprio dia, sábado.

No entanto, o grupo de extrema direita reconheceu que teve um “contratempo em mãos e a menos de um dia da Conferência, com vários nacionalistas europeus já em território nacional e muitos mais portugueses, com bilhetes de avião e comboios, já comprados”: a dificuldade para encontrar um espaço visando acolher a reunião, lê-se na carta.

Apesar de Mário Machado ter dados garantias de que “em seis horas, numa sexta à noite” conseguiu encontrar “um local alternativo” para acolher o evento – “impunha-se uma vez mais agir, reagir e não desistir!” -, o líder da extrema direita, que já foi condenado por vários crimes de índole racial em Portugal, recusou revelar a informação sobre o novo local de encontro.

“Por todos estes motivos, não revelarei o local escolhido”, afirmou Mário Machado, remetendo aos que quisessem fazer parte da conferência para se deslocarem a um “ponto de encontro: Estação de Comboios de Entrecampos, em frente à Loja MEO”, onde “um ativista da ´Nova Ordem Social´ indicaria “a partir das 13.30 o local do evento”, ou seja, meia hora antes do arranque da Conferência que havia sido marcada para ter “início pelas 14 Horas”.

O anúncio da realização em Lisboa de um encontro com sete representantes de grupos europeus de extrema-direita foi alvo de contestação por parte de vários partidos políticos e organizações antifascistas portuguesas e estrangeiras, que descreveram a reunião como “uma ameaça à democracia”.

Em declarações à Lusa, o dirigente do SOS Racismo, Mamadou Ba, defendeu que a manifestação antifascista que reuniu centenas de pessoas em Lisboa para protestar contra o movimento de extrema-direita ´Nova Ordem Social`, “é um grito de cidadania”.

“O objetivo é fazer um alerta público face ao encontro de organizações declarada e abertamente racistas, cuja existência em si é uma afronta à Constituição da República Portuguesa”, disse Mamadou Ba, um dos mentores da iniciativa apelidada de protesto “Contra a conferência Neonazi do dia 10 de Agosto em Lisboa”.

Joana Sales, da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), declarou à Lusa que a sua associação subscreveu o manifesto que contou com cerca de dez mil assinaturas porque “sempre luta por valores democráticos e uma manifestação neonazi não pugna por esses valores”.

Por seu turno, a União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP) considerou que a conferência nacionalista é “um insulto ao povo português que, em abril de 1974, derrubou a ditadura fascista”. (MM)

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