Meu corpo, minha sentença

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Adelaide Miranda
(Life Coach de Alta Performance)
Avançamos… Tempos modernos. Em pleno século 21. Cá estamos. O homem… A mulher… A sociedade…

Avançamos… Dizem que avançamos… As mulheres continuam a batalhar para definir a sua posição na
sociedade… Avançamos… Dizem que avançamos… As mulheres continuam a ser julgadas pela sua forma
de vestir? As mulheres continuam a ser julgadas pela forma de se exprimir? Avançamos?

Como podemos avançar se tudo o que vemos são sinais de regressão? Como podemos avançar numa
sociedade em que a mulher continua a ser “vandalizada” pelo simples fato de ser mulher? Como podemos
avançar quando nascer mulher ainda significa nascer com menos oportunidades? Avançamos ou
regredimos?

Numa sociedade em que a violência é cada vez mais permitida, tido como normal e natural. A violência
na televisão, a violência nos bonecos animados dos nossos filhos… Estamos numa sociedade em que a
violência é mais aceitável do que a saia curta de uma mulher. Avançamos ou regredimos? A violência é
justificada como “não premeditada, um momento”… A saia curta é vista como um ato de má fé, um ato
consciente de “solicitação”. Avançamos ou regredimos?

Nasci mulher. Nasci mulher e sou imediatamente penitenciada com uma sentença de prisão perpétua.
Uma prisão onde não posso vestir como quero, falar com quero, decidir com quero relacionar-me
intimamente. Se o faço recebo imediatamente rótulo de criminosa.

Porque é crime vestir como quero,
porque é crime mostrar a perna acima dos joelhos… Sou mulher e ser mulher é a minha penitência.

É importante, essencial e obrigatório avançarmos. Realmente avançarmos e deixarmos de regredir. É
importante, essencial e obrigatório absolvermos a mulher do crime “hediondo” de serem mulheres. Está
na hora de terminarmos com a ignorância e a falta de respeito. Está na hora de darmos o verdadeiro nome
às coisas: crime é sexo sem consentimento!

Crime é tomar uma mulher à força, expressamente contra a sua vontade. Crime é violar, maltratar, abusar
física e psicologicamente. Crime é não dar apoio a uma vítima de violação com a desculpa de que estava
mesmo a pedi-las. Crime é não permitirmos que as mulheres sejam mulheres!

Enquanto não se decidem por avançar continuo a deixar bem claro que o corpo é meu e com ele faço o
que quero. Sou dona do meu corpo e não sou criminosa por isso.

Meu corpo, minha sentença. Avançamos ou regredimos? (X)

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