Militar afro-descendente cuja vida mudou no novo contacto de Portugal com África

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Aliu Camará, militar português filho de imigrantes guineenses.

Aos 23 anos, Aliu Camará, militar português filho de imigrantes guineenses, tornou-se conhecido em Portugal após ter sido amputado às duas pernas, resultante de um acidente de viação na República Centro-Africana, onde as Forças Armadas portuguesas realizam a missão mais arriscada desde o fim da guerra do Ultramar.

Em 2016, Aliu Camará tirou o curso de Comandos, depois de se alistar como voluntário para o serviço militar. E do bairro do Casal da Boba, no Concelho da Amadora, onde cresceu, foi integrado numa operação do exército português no âmbito da Missão da ONU na República Centro-Africana que “tem um propósito humanitário fundamental” e hoje “tem sido objeto de grande atenção e de grande relevo, mesmo no quadro daquilo que são as missões das Nações Unidas”, segundo descreveu recentemente o chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), almirante Silva Ribeiro.

Na semana passada, a viatura em que Aliu Camará e os seus colegas seguiam capotou durante um trajeto logístico junto à região de Bouar, situada a 350 quilómetros a noroeste da capital daquele país africano.

O Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA) referiu que no acidente o soldado Aliu Camará sofreu um “traumatismo craniano sem perda de conhecimento” e um “traumatismo grave dos membros inferiores” que obrigou a “amputação bilateral” (ou seja, das duas pernas).

Nas redes sociais, multiplicam-se as mensagens de apoio ao militar que a imprensa portuguesa já descreve como “exemplo de perseverança” por fazer parte de uma missão “altamente preparada, muito bem equipada, muito bem treinada, (que) tem tido um desempenho operacional extraordinário, que tem recebido os maiores elogios de todos os responsáveis políticos e militares da República Centro-Africana e, evidentemente, (por isso) é uma missão que exige grande atenção”, segundo qualifica o CEMGFA.

Aliás, Silva Ribeiro considera que a presença de Portugal no conflito armado naquele país africano “demonstra bem a capacidade, a solidariedade de Portugal e dos portugueses que têm os seus filhos nessas operações, e de todo o país para com uma população martirizada e muito sacrificada da República Centro-Africana”.

O Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, na qualidade de Comandante Supremo das Forças Armadas, assim que regressou da visita de Estado à Costa de Marfim, deslocou-se imediatamente ao Hospital das Forças Armadas em Lisboa, onde o militar está internado, para manifestar “total solidariedade” para com Aliu e os Camará, uma família de imigrantes cujo percurso de vida mudou pela segunda vez no novo contacto militar de Portugal com África.

Nas últimas duas décadas, Portugal projetou mais de 36.000 militares e forças de terra, mar e ar para 18 Teatros de Operações espalhados em quatro continentes, mas as forças portuguesas têm presença muito significativa em África e nas Balcãs.

 

 

Em janeiro de 2017 Portugal enviou para a República Centro-Africana um efetivo de 160 militares (14 Oficiais, 37 Sargentos, 109 Praças), bem como Aliu Camará, um dos 90 Comandos nos Grupos de Combate integrados no Comando e Estado-Maior e no Destacamento de Apoio no quadro da Missão da ONU. (MM)

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