Mudam-se os tempos, mudam-se as prioridades: reajuste do orçamento

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FOTO: doutorfinancas ©
Adelaide Miranda
(Especialista em Finanças)

A semana passada, falamos sobre o impacto da Covid-19 na economia familiar. O foco foi a necessidade de fazermos contas à vida e reajustarmos o orçamento com base nas novas condições, nomeadamente as potenciais reduções no rendimento mensal. Falamos na necessidade de estarmos mais conscientes nas nossas despesas e gastos. A pergunta que surgiu foi: o que comprar e o que não comprar?

Mudam-se os tempos, mudam-se as prioridades. O que antes era de importância máxima, como por exemplo, o passe social, deixa de ser essencial, visto a maioria de nós estarmos em teletrabalho. As deslocações mais longas são até aos hipermercados da zona, até porque atravessar concelhos não é aconselhável. Assim sendo, para decidirmos o que devemos comprar, é importante, essencial e obrigatório analisarmos as mudanças à nossa rotina e necessidades.

Quais os bens, produtos, ou atividades que deixam de ter importância? Os setores mais atingidos foram os transportes, o vestuário, as atividades de lazer, como por exemplo o ginásio e a restauração. Ao não nos podermos deslocar acabamos por consequentemente reduzir a nossa necessidade de vestuário. Os gastos que anteriormente tínhamos na restauração deixaram também de existir. Setores que anteriormente levavam uma bela parcela do nosso orçamento agora são empurrados para o fundo das necessidades.

Contudo, enquanto, por um lado, existe a possibilidade de poupar, por outro lado, alguns setores aumentaram a sua fração no nosso orçamento. O número de refeições em casa aumenta, assim como o consumo de utilidades (água, luz, eletricidade, internet). Aumenta também o consumo de produtos de limpeza e de bens essenciais para a manutenção da limpeza e harmonia familiar.

O que fazer? Não se pode falar em finanças sem papel e caneta na mão ou um programa de Excel. Planear o orçamento exige colocar os números reais à nossa frente e, depois, “manipulá-los” por forma a terminar com uma conta positiva. Em primeiro lugar, devemos anotar todas as despesas que foram reduzidas do nosso orçamento, somá-las e determinar a poupança total. Em segundo lugar, devemos estimar todos os custos extras, adicioná-las e determinar o gasto extra total. O último passo será subtrair os gastos extras ao valor da poupança.

A conta dá negativa? Há que verificar os custos extras e tentar perceber onde se podem fazer reduções. O uso consciente das utilidades, comprar alimentos de marca branca, comprar produtos a granel e em promoção. Fazer lista de compras… A solução passa sempre pelo planeamento e organização da agenda familiar.

A subtração dos gastos à poupança dá saldo positivo? Óptimo. O que fazer com este capital? Em tempos de crise a recomendação será sempre poupar. Poupar e rentabilizar as poupanças. Consultar especialistas financeiros que poderão sugerir formas de rentabilizar e multiplicar o capital poupado é uma das melhores apostas. Como explico no meu livro “Guia Prático da Educação Financeira” a melhor forma de reduzir os riscos de fazermos borrada com os nossos investimentos é consultando especialistas. Embora a maioria das pessoas tenha receio em investir em tempos de crise, historicamente está comprovado que durante as crises existem também grandes oportunidades e muitas fortunas já se criaram em tempos críticos.

Se repararem os meus conselhos são praticamente os mesmos. É na repetição que se atinge a excelência. O método é infalível para qualquer caso: analisar a situação, determinar perdas, determinar ganhos, pesquisar soluções, tomar decisões e aplicar a decisão tomada. Quando se trata de finanças, o processo é facilitado porque os números nunca enganam e conseguimos sempre tomar decisões objetivas.

Estão dados os conselhos para o inevitável reajuste do orçamento familiar. Resta-me pedir-vos que façam a vossa parte e apenas saiam de casa para o essencial. Ao ficarem em casa cuidam de vocês, dos vossos e dos outros. Só assim poderemos contribuir para que tudo volte ao normal o mais rápido possível. Lembrem-se, contudo, que os novos hábitos devem ser mantidos. Finanças saudáveis, vida saudável. (X)

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