Músicos moçambicanos em Portugal reagem ao apoio internacional às vítimas de ciclones

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Imagem aérea da região centro (Moçambique) atingida por ciclone IDAI

Uma dezena de músicos moçambicanos residentes em Portugal acaba de gravar uma canção de agradecimento ao apoio internacional “sem precedentes” a Moçambique após ter sido fustigado pelos ciclones IDAI e Kenneth que causaram quase 700 mortos.

Intitulada “Kanimambo, Quero um Abraço”, a música e letra foram produzidas por Costa Neto, um dos mais conceituados artistas moçambicanos residentes na diáspora, que em declarações ao jornal É@GORA explicou as razões do videoclipe que acaba de estrear nas estações televisivas portuguesas e nas redes sociais.

“A ideia é agradecer a solidariedade internacional”, na verdade, a música é “um gesto que almeja repercutir a gratidão de Moçambique pela onda de solidariedade, sem precedentes, que se gerou no mundo a favor das vítimas das cheias e do ciclone IDAI”, disse Costa Neto.

O artista assinalou o hábito de as pessoas se esquecerem facilmente dos fatos que ocorrem quer para o bem (a reação de entidades individuais e coletivas em apoio às vítimas), quer para o mal, como foi o impacto dos fenómenos naturais, que, para o caso da Beira, destruiu 90 por cento daquela que é a segunda maior cidade moçambicana.

Em março do corrente ano, a região centro de Moçambique foi atingida por ciclone IDAI, que provocou 604 vítimas mortais e afetou um universo de 1,8 milhões de pessoas.

Em abril, um outro ciclone, o Kenneth, abateu-se sobre o norte do país, matando 45 pessoas e afetando outras 250 mil. Na sequência da passagem dos dois ciclones, acompanhadas de cheias, surgiu uma onda solidária a nível mundial, incluindo em Portugal que se destacou no ato da recolha de víveres para as vítimas dos fenómenos naturais.

“Senti sinceridade na solidariedade” portuguesa, disse ao jornal É@GORA Costa Neto, numa alusão ao facto de haver a perceção de uma posição paternalista por parte de Portugal em relação as antigas colónias e ser recorrente ouvir-se um discurso virado para o passado colonial na relação da parte dos cidadãos desses países em relação aos portugueses.

“Andamos divididos por coisas que não têm importância, com discursos virados para o passado colonial” quando “a convivência entre África e Europa é essa” que foi demonstrada, por exemplo, por Portugal, durante ocorrência dos ciclones em Moçambique, afirmou o autor da canção “Kanimambo, Quero um Abraço”, uma iniciativa que contou com o apoio da RTP-África, dos estúdios “Primetime Records” e da PAHD – Produções Audiovisuais.

“A música acaba implicitamente por reativar a campanha, para que não se esqueça de que há pessoas que ainda necessitam de apoios” nas zonas afetadas pelos ciclones e também serve para “procurar saber o que está a ser feito” no terreno volvidos três meses depois da passagem do IDAI e Kenneth, sublinhou Costa Neto.

Apesar de faltar suprir um défice de 1,7 mil milhões de euros, dos 2,8 mil milhões de euros necessários para reconstruir as zonas afetadas, Moçambique conseguiu promessas de pouco mais de mil milhões de euros da comunidade internacional.

Além de Costa Neto, que foi o compositor, intérprete e diretor musical, também participam na música feita “por sugestão de amigos”, os artistas moçambicanos Ildo Ferreira, João Afonso, Mirza Lauchand, Nina Fung, Malenga, Rubi Machado, Olga Santos, Zizy Vasconcelos e o percussionista Chico Fernandes. (MM)

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