Na manifestação contra Bolsonaro em Lisboa lembrou-se que “a fome é uma realidade hoje no Brasil”

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Manuel Matola

A comunidade brasileira em Portugal juntou-se sábado à manifestação internacional da diáspora brasileira que em várias capitais ocidentais exigiram a destituição do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, único líder mundial com “mais de 100 impeachments protocolados” contra si, o que o torna “um perigo internacional e inimigo da humanidade”.

Só na capital portuguesa, Lisboa, quase 500 pessoas demonstraram apoio ao movimento #ForaBolsonaro em dois protestos que decorreram, o primeiro, no Rossio, com aproximadamente 300 pessoas, e, o segundo, no Largo Camões onde participaram à volta de 200 pessoas.

“O Brasil é muito maior do que o fascismo de Bolsonaro”, gritou Artur Henrique do Movimento Acredito no Largo Camões onde houve batucada, dança e discursos dos organizadores e participantes de uma manifestação cuja palavra genocida foi a mais proferida e mais estampada um pouco por todo lado: desde T-Shirts, dísticos às máscaras usadas pelos presentes em respeito ao facto de se estar ainda em plena época pandémica.

A pandemia que, de resto, foi um dos motivos que levou à rua centenas de manifestantes brasileiros serviu de argumento para se fazer o contraponto do modelo de gestão de Portugal, elogiado a nível mundial, com o tipo de gestão feita pelo presidente do Brasil, onde mais de 450 mil pessoas morreram de Covid-19.

No Largo Camões, onde foi lido o manifesto “Solidariedade Internacional ao Brasil: Portugal denuncia Bolsonaro genocida”, o jornal É@GORA questionou Samara Azevedo do Coletivo Andorinha se acredita na destituição do Presidente brasileiro, ao que lembrou que no Brasil há “uma série de situações dentro da política brasileira principalmente no que concerne à gestão da pandemia que daria um impeachment ao Bolsonaro durante 50 anos”.

Mas, disse: “Fazer futurologia no Brasil está muito difícil, porque num minuto a gente acha uma coisa e passados cinco minutos ´desacha` o que acabou de achar, dado que existe uma série de situações dentro da política brasileira principalmente no que concerne à gestão da pandemia que levantou uma série de questões que daria um impeachment ao Bolsonaro durante 50 anos”.

Lembrando o recente escândalo da empresa Prevent Senior, acusada de receber do Governo autorização para matar idosos, Samara Azevedo resumiu o caso dos 12 médicos que trabalharam na seguradora Prevent Senior cuja advogada denunciou à Comissão Parlamentar de Inquérito CPI as alegadas falhas e pediu que se investigue se realmente esses profissionais eram obrigados a receitar fármacos como a hidroxicloroquina a pacientes com covid-19.

“Tudo aquilo que foi comprovado que mata as pessoas ao invés de curá-las. Quando os pacientes idosos ligavam, os médicos desses idosos mandavam-nos para casa. Não os medicavam, não faziam nada. Há relatos absurdamente dolorosos de médicos que foram coagidos inclusivamente a usar essa medicação. Então, este é um dos 450 mil escândalos que envolvem Bolsonaro”, disse a ativista apontando uma das muitas omissões cometidas pelo Governo brasileiro na gestão da pandemia.

“Porém, a classe política brasileira, sobretudo a Direita, o poder económico no Brasil, é muito perverso. A gente teve 13 anos de algum alívio com o governo do PT, de uma possibilidade, quem sabe de medidas embora tímidas, foram muito significativas para a população brasileira. Mas sabemos que essa foi uma exceção à regra”, disse Samara Azevedo, lembrado que “há mais de 100 impeachments protocolados contra o Bolsonaro”.

“A nossa constituição enquanto sociedade é a partir da colonização. Muita coisa mudou desde então: há muita concentração de renda, pobreza, miséria, muitas pessoas mandadas para periferia e marginalizadas, desde os negros, a população LGBT. É um país que de tradição é conservador, reacionário e tirou os fascistas do armário com Bolsonaro. É muito triste falar nisso mas a gente sabe que há um discurso de que o Brasil é um país do futuro, no entanto, há uma competição muito interna de vertentes retrógradas, conservadores e reacionários no país. Então, é difícil”.

Mas há muito mais do que a gestão da pandemia que Elisângela Rocha, militante do Partido Trabalhista (PT)
pretendeu denunciar na manifestação.

“A fome é uma realidade hoje no Brasil”, disse a militante trabalhista num discurso por vezes interrompido por aplausos e a palavra de ordem #ForaBolsonaro e, no fim, remetido à própria que acabou por retribuir o grito com uma frase mais longa.

“Fora Bolsonaro que é um perigo internacional e inimigo da humanidade. Precisamos denunciar. Está na hora de dar um Basta. Não aguentamos mais. Esse grito nosso é para mandar um recado para o Brasil”, disse Elisângela Rocha.

Em declarações ao jornal É@GORA a presidente da Casa do Brasil, Cyntia de Paula, disse que a manifestação aconteceu um pouco por todo o mundo.

Embora crente de que o Presidente brasileiro seja destituído, reconheceu que “é uma questão complexa” também “porque há um interesse de uma elite de retrocesso que também o vai mantendo” no poder.

“Para nós é extremamente importante essa luta. Estarmos aqui, ocupar espaço. Essa manifestação acontece um pouco por todo o mundo. A nossa crença é que o Bolsonaro de facto caia porque é um fascista que não representa em nada a luta pela igualdade pela defesa dos direitos das pessoas. É uma pessoa que, de facto, não nos representa e a nossa luta vai ser até ele cair”, afirmou Cyntia de Paula.

Questionada novamente se acredita que Bolsonaro cairá e se haverá impeachment, Cyntia de Paula respondeu: “Sim acreditamos. É uma questão complexa mas é fundamental que esse movimento seja feito, independentemente que ele caia ou não. Pela denúncia deste governo e sobretudo pela necessidade de lutar. O povo tem a rua como espaço de luta e de denúncia. Nós queremos acreditar que é possível até porque há várias provas de que de facto existem e que poderiam levar ao impeachment e nós temos que fazer essa pressão. É muito complexo porque há um interesse de uma elite de retrocesso que também o vai mantendo. Também há interesses políticos que fogem a isso. Infelizmente não estamos em todos os espaços de decisão e há quem também ganhe com o Bolsonaro no poder”.

A próxima manifestação a decorrer em várias capitais ocidentais será no dia 15 de novembro. (MM)

1 COMENTÁRIO

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