Nasce no Porto uma Rede Popular de Apoio Mútuo em prol das vítimas económicas da Covid-19

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Muitos dos beneficiários são imigrantes oriundos do Brasil e de países lusófonos africanos

Mais de uma centena de pessoas, incluindo imigrantes, vão receber esta quinta-feira alimentos e bens essenciais a serem recolhidos pela Rede Popular de Apoio Mútuo, um movimento criado há um mês na freguesia de Bonfim (Porto), no contexto da crise provocada pela Covid-19.

“O local para recebimento e distribuição das doações será no Centro Social Auto-gerido (CSA A GRALHA) que fica na Travessa Anselmo Braamcamp, 74, Bonfim, Porto”, diz a Rede em nota enviada ao jornal É@GORA sobre um movimento que tem vindo a doar alimentos e bens essenciais a todos os necessitados, incluindo trabalhadoras de sexo.

A Rede, que congrega quatro movimentos sociais – o Núcleo Anti-Racista do Porto (NARP), a CSA A Gralha, a Rosa Imunda e o Grupo de Apoio à Habitação – atribui bens alimentares e produtos de higiene a todos os que se fazem presentes aos pontos de distribuição da freguesia de Bonfim, conhecida como bairro das artes, localizado no concelho do Porto, uma das regiões mais afetadas pela Covid-19 em Portugal.

“Assim, o NARP estará presente na próxima quinta-feira, 23/04/2020, das 11h às 15h recebendo doações de alimentos não-perecíveis e/ou produtos de higiene. A distribuição acontecerá no mesmo dia das 17h às 20h”, referiu Dori Nigro, que integra a Rede por via do Núcleo Anti-Racista do Porto.

Segundo Dori Nigro, muitos dos beneficiários são imigrantes oriundos do Brasil e de países lusófonos africanos, que passaram a estar em “situação de vulnerabilidade” após terem sido fortemente afetados economicamente pela crise causada pela Covid-19.

Muitas destas pessoas residem há anos no Porto – algumas das quais carecem de documentos – e “hoje não têm sequer alimentação regularizada” e “não têm condições para pagar a renda”, pelo que, parte delas “ficam na rua, porque não têm apoio” institucional das autoridades locais.

“Sente-se o desespero” destas pessoas, embora, “na verdade, a situação delas seja muito parecida com a nossa. Eu me revejo muito com aquilo que estão a passar”, afirma Dori Nigro, imigrante oriundo do Brasil, uma das comunidades estrangeiras em Portugal que está a ser mais atingida pela faceta económica da Covid-19.

Apesar de salientar o esforço empreendido pelas vários doadores singulares que têm vindo a auxiliar a Rede Popular de Apoio Mútuo com produtos de primeira necessidade, Dori Nigro considera que nada se com compara com o sofrimento dessas pessoas.

“O que a gente está a fazer aí (no Centro Social Auto-gerido) é pouco diante da necessidade que estão a passar”, conta Dori Nigro numa alusão às “urgências (que) são grandes” e que fazem com que os donativos se tornem poucos face “ao número de pessoas necessitadas (que) aumentam a cada semana”.

É por isso que “pensando nas pessoas que têm seus direitos vilipendiados pela doença da exclusão e do desprezo, presente desde sempre na sociedade, mas que recusamos olhar, e que a Covid-19 descortina” que “o NARP se integra à Rede” com um objetivo: “pedir ajuda na doação alimentar e de bens essenciais, bem como na indicação de pessoas necessitadas para comparecerem ao espaço de distribuição”, acrescenta.

Mas “quem não puder ajudar presencialmente”, a Rede garante que também recebe “donativos monetários solidários que serão revertidos para compras de alimentos e materiais de higiene para a distribuição coletiva”, refere a nota indicando os dados bancários para os donativos solidários:
MB Way 
968883640
Multibanco 
Entidade: 21312
Referência: 500 605 620
Transferência bancária:
IBAN: PT50-0033-0000-45555629797-05
BIC / SWIFT – BCOMPTPL

O movimento levado a cabo pelas quatro organizações naquela cidade invicta lembra que também possui “máscaras de proteção, confeccionadas por Vinicius Armstrong, que serão distribuídas gratuitamente para pessoas em situação de exposição, que precisam deslocar-se cotidianamente para a rua e/ou para o trabalho”. (MM)

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