NHA VAPOR DE IMIGRASON: Caso Mamadou Ba

0
555
Activista Mamadou Ba. Foto retirada do Facebook

Nádia Júlio (Engenheira Ambiental e Mestre em Estudos Internacionais)
Sempre fui apaixonada por histórias fascinantes sobre a migração, agora nem tanto, pois com as novas dinâmicas de trabalho não me sobra tempo para ler um livro sobre a temática. Aliás, a paixão por histórias de moçambicanos e outros imigrantes espalhados pelo mundo surgiu de uma adorável experiência de trabalho que tive na República sul-africana, que ainda dará um livro. Mas não é sobre isso que quero abordar aqui.

Hoje acordei com saudades da minha “linda Lisboa” – é assim como a trato -, porque para mim “ela” representa um lugar de dimensão íntima, um lugar que despertou com uma grande profundeza “o ser africano” e “moçambicano” que sou, como aquele que vive uma distância meramente física e gerindo saudades de uma Matapa.

Essa explicação, na verdade, é um mero desabafo de alguém que vive um “VAPOR DI IMIGRASON” com um coração apertado.

Mas o despertar de hoje foi um tanto ou quanto preocupante. Anda por aí uma petição contra o Mamadou Ba – uma voz sonante na defesa dos imigrantes -, que tive o prazer de o conhecer pessoalmente em aventuras académicas. Já lá vão quase 20.000 subscrições da tal petição para o expulsar de Portugal. Não me espanta de todo.

Calar-me? Não podia.

A lei prevê que qualquer petição subscrita por mais de 4000 cidadãos deve ser apreciada em reunião plenária da Assembleia da República de Portugal.

Esta petição representa, de uma forma intrínseca, uma daquelas histórias sobre uma dura e triste realidade semelhante à luta de Joacine Katar Moreira.

Várias são as lutas dos cidadãos que migram, que vão desde a dimensão local, onde muitos de nós sofre nos países de origem com a tal ideia que nos é colocada de “África um continente em desenvolvimento “, até global – onde se desafia os efeitos das mudanças climáticas e a ascensão da extrema direita em muitos países ocidentais.

Esses episódios, na verdade, vão se repetindo como lições de um Estado de Direitos Democrático em que a liberdade de expressão tem a sua dimensão quando se trata de um “foreign”.

São lutas daqui e de lá, são batalhas de uma dimensão global que impõe a um Estado Democrático uma grande reflexão. (X)

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here