No Teatro dos Aloés, o entusiasmo pós-pandemia permitiu exibir a 4ª edição do AmadoraMostra

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Teatro dos Aloés nos Recreios da Amadora ©

Rodrigo Lourenço

No ‘abre e fecha’ que tem marcado as agendas culturais nos últimos meses, “retoma” foi a palavra de ordem para o Teatro dos Aloés, na Amadora, o concelho que alberga maioritariamente imigrantes. O espaço nos Recreios da Amadora recebeu a 4ª edição do AmadoraMostra durante o último fim-de-semana, depois de em 2020 o evento não se ter realizado. A direção do Teatro não escondeu o entusiasmo pelo regresso.

“É ainda com mais entusiasmo que preparámos esta Mostra porque quer criadores, quer espetadores estão ávidos de voltar às salas de espetáculo. Parece-nos particularmente importante a edição deste ano porque a pandemia veio retirar aos jovens atores, que terminaram a sua formação em 2019, a possibilidade de iniciarem a sua integração no mercado de trabalho”, diz Elsa Valentim, membro da direção do Teatro dos Aloés, em declarações ao Jornal É@GORA.

A realização desta oportunidade para o público ver os jovens criadores de teatro decorreu de 15 a 18 de junho. Durante os quatro dias, a sala do Teatro dos Aloés recebeu oito peças distribuídas de forma semelhante por todos os dias, com duas atuações diárias. Mas até os atores pisarem o palco, há todo um processo de seleção até a nomeação ser feita.

Interpretação da peça “Transposto”
“Decidimos alargar a Mostra a quatro dias em vez dos três dias que estavam programados para poder integrar o maior número possível de projetos. Considerámos que nas atuais circunstâncias devíamos dar oportunidade a que mais jovens pudessem mostrar o ser trabalho. O critério de seleção teve em conta a originalidade da proposta, a diversidade estética e a pertinência dos temas.”

Uma das selecionadas para a edição deste ano foi Maria Toscano. A recém-licenciada em Artes do Espetáculo – Interpretação criou “Transposto”, uma história sobre “uma pintora que se encontra num mundo que não lhe pertence, entra num estado de procrastinação e não consegue encontrar a criatividade e a motivação necessária para criar as suas obras de arte”, como esclarece a autora.

Questionada pelo Jornal É@GORA sobre a forma como surgiu a ideia para a peça, a jovem artista explicou.

“ O ‘Transposto’ surgiu há cerca de um ano e meio, e eu própria vi-me colocada numa posição de escolha da vida adulta. Vi-me comprometida a agir perante uma sociedade que não era o que eu tinha sonhado até ali. Eu própria enquanto criadora via-me a procrastinar em pensamentos, ideias que pareciam não fluir e estavam a ser colocadas em jogo”, explicou.

Decidindo agarrar nestes pensamento e sensações para realizar uma criação, Maria Toscano decidiu avançar.
“Inscrevi todos esses pensamentos numa pintora que servia perfeitamente para dar azo a uma metáfora imagética do uso de uma palete e das diversas cores que podem existir. Senti que fazia sentido pela plasticidade que poderia ter através do conceito de uma pintora”, afirma.
“Transposto” subiu ao palco do teatro amadorense no primeiro dia do evento (15 de julho) pelas 21:00. No entanto, a criadora contou que quando viu o anúncio do open call para jovens criadores de teatro enviou duas peças: “Black-Box” e “Transposto”.

“Na altura o projeto escolhido foi a ‘’Black-Box’’, uma peça que sugeri em conversações com a Daniela (Teatro dos Aloés) mas que ainda está em desenvolvimento. Entretanto sugeri levar o ‘’Transposto’’, uma das propostas, visto que já é um espetáculo criado e tinha a sua construção delineada”, referiu em conversa com o jornal É@GORA.
Depois de terminada a 4ª edição do AmadoraMostra, a direção do Teatro dos Aloés mostra-se animada mesmo com o facto de o evento se ter realizado em plena pandemia.

“O balanço da edição deste ano do Amadora Mostra foi extremamente positivo. Foi a mais longa (4 dias de apresentações), com maior número de apresentações (8 espetáculos) e, apesar da pandemia, com maior afluência de público”, diz Maria Toscano, assinalando a qualidade e originalidade das apresentações.

“Recebemos espetáculos de grande qualidade, com duas estreias absolutas – Lord Maximus de Tiago Dinis e Fora do Quadrado de Inês Mata a partir de textos originais criados pelos próprios participantes. Para além destas estreias, a grande maioria dos espetáculos apresentados tinha textos originais”, referiu a responsável, apontando os próximos passos do emblemático teatro da Amadora, onde a exibição da criatividade artística foi tramada pela Covid-19 em 2020.

“Foi surpreendente a qualidade e originalidade dos projetos e ficámos com a certeza de que é importante manter esta Mostra e dar oportunidade a estes jovens de apresentarem publicamente o seu trabalho de forma de trazer novas gerações ao teatro e também novas estéticas, problemáticas e ideias”, concluiu.(RL)

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