O ideal de um corpo perfeito

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Claudina Correia
(Consultora de Imagem)
Há dias vi nas redes sociais uma mulher a colocar enchimentos nas calças para dar volume e formato de nádegas formosas. Isso, para mim, vem confirmar (mais uma vez) as ideias ilusórias que são criadas de uma vida e corpos perfeitos.
Tal como os jornais, as revistas e a televisão fizeram em propagar os ideais de beleza, agora são as redes sociais que têm esse poder.

Quantas pessoas idealizam seus corpos nas imagens divulgadas? Quantas pessoas não se sentem inadequadas, sem amor próprio por não estarem dentro dos padrões considerados perfeitos? Verdade também que as redes sociais trouxeram o outro lado, o body positivity, o conceito de que todos os corpos são bonitos e promovem a auto-aceitação.
Mas qual será que tem mais peso na sociedade?

São muito anos de construção de padrões de beleza, onde jornais, revistas, televisão, cinema, as maiores industrias de moda e beleza divulgam constantemente imagens e promovem corpos e belezas idealizadas. Criando assim um núcleo de segregação.

São anos de sofrimento para pessoas que são humilhadas por pessoas próximas, por estranhos, recusas de emprego, a terem de usar a roupas pouco estéticas, a rejeitarem-se a si próprias e onde muitas chegam ao suicídio.

Apesar de muitos anos se passarem, de os tempos apresentarem alterações nos padrões de beleza, das lutas para implementação de novos paradigmas, da promoção da auto-aceitação e os movimentos de que todos os corpos importam, ainda existem milhares de pessoas insatisfeitas com o seu corpo, a acharem que apenas pessoas magras podem “vestir-se bem”, a recorrerem a dietas ditas “milagrosas”, a submeterem-se a cirurgias de risco e perderem a vida, a consumirem suplementos prejudiciais para a saúde, para alcançarem o tão desejado corpo perfeito.

Além da insatisfação com o próprio corpo, existe o julgamento alheio com manifestações cruéis, mesmo em pleno século XXI, há sempre quem comente ou opine sobre o corpo do outro e quando não se manifestam verbalmente, o olhar denuncia.

Certo é que todos temos o direito de mudar o que quer que seja que não nos satisfaça, principalmente com métodos que estejam ao nosso alcance.
As dietas existem para nos ajudar a gerir o peso. As cirurgias existem para fazermos as alterações que desejamos no nosso corpo. Mesmo os acessórios de enchimentos estão à nossa disposição para nos auxiliar a sentir mais confortável com a nossa imagem. As tecnologias existem para nos permitir encontrar soluções para os “problemas” nas nossas vidas. E , acima de tudo, existe o livre arbítrio.
Mas é importante salientar que a falta de amor próprio não é saudável e antes de qualquer mudança precisamos ter amor por nós e aceitarmo-nos.

A partir do momento que existe amor próprio e auto-aceitação, reduz-se ou elimina-se a necessidade de aprovação alheia e o recorrer a métodos extremos para alteração do físico. E mesmo quando há necessidade de mudança de imagem, esta será realizada de forma mais consciente. (X)

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