O LIVRE e a Joacine: o assunto*

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Deputada do LIVRE, Joacine Katar Moreira, intervindo, pela primeira vez, no Parlamento

Por Ulika Paixão Franco

1.º A vitória é dela. Joacine Katar Moreira foi quem ganhou nas eleições legislativas contra tudo e contra todos, tendo conseguido, inclusive, ganhar ao seu partido.

2.º O LIVRE utilizou a candidata de forma clara e sem pudor. Desde o minuto 1 que ficou claro que o LIVRE não estava a preparar a candidata para ganhar pois se o fizesse teria tempo de melhorar a dicção da mesma de forma a diminuir as suas fragilidades e tornar mais fluído o se discurso. O LIVRE aproveitou-se de todas as fragilidades da Joacine Katar Moreira, deu-lhe um palco e disse-lhe: “agora dança até que nós ganhemos a subvenção.” E ela dançou!

3.º Joacine Katar Moreira não estava de tecnicamente preparada para ser Deputada (não é vergonha nenhuma e tudo se aprende), os Portugueses não estavam emocionalmente preparados para ter Joacine Katar Moreira como Deputada, a Assembleia da República mostrou-se completamente impreparada para receber Joacine Katar Moreira como seu par.

4.º Acontece que no meio de tudo isto ela superou-se. Resiliente, foi mais inteligente que todos e mostrou as suas fragilidades sem complexos. Ela não teve vergonha dos seus pontos mais frágeis e assumi-os. Ela assumiu a diferença e só por isso é que chegou lá, por ser radicalmente diferente, provando assim que quem quiser também pode. Basta empoderar-se e ser positiva.

5.º Para se manter no poder, agora mais do que nunca Joacine Katar Moreira terá de continuar a ter aquela coragem que a caracteriza, aquela força que rasga as palavras, desprender-se de qualquer compromisso e ser única, eventualmente sem o apoio do partido, mas no lugar que os Portugueses lhe deram: o de Deputada à Assembleia da República. Para tal, terá de continuar a assumir a discriminação diária, o insulto, a má propaganda, a inveja, a intriga, o mal-dizer pois isso diz muito mais do nível de quem está contra ela do que do nível dela. Se o LIVRE quisesse realmente proteger a candidata nunca a teria deixado sozinha logo na largada, com aquela caixa de comentários que destrói qualquer Ser Humano.

6.º Ao bom estilo da esquerda caviar, o LIVRE alimentou a caixa de comentários de forma cínica. Por um lado, esfregavam-lhe nos olhos as suas diminutas capacidades (pensavam eles), por outro lado, alimentavam o conceito de “coitadinha”, que a fez ganhar votos, e o conceito de racismo estrutural, que fez com que muitos Portugueses se auto-punissem nas urnas e votassem nela para limpar a sua alma de tantos pecados. Se o LIVRE apoiasse verdadeiramente a sua candidata, toda a sua estratégia de comunicação teria sido diferente. Não se bastava a um post a repudiarem o racismo, teriam avançado com formas claras de protecção de Joacine Katar Moreira nas redes sociais, filtrando e bloqueando comentários, recorrendo à jurisdição Portuguesa para proteger a sua candidata, apresentado várias queixas nos lugares próprios, obrigando a Assembleia da República a um unânime voto de repulsa em defesa do exercício das funções dos Deputados da Nação, enfim, expondo o problema até ao mais alto nível, equiparando comentários nas redes sociais a práticas criminosas e expondo a sua gravidade perante o mais alto dignatário e representante da nação: Sua Exa. o Presidente da República Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa – Presidente da República.

7.º Nada disto aconteceu. Vimos ataques sucessivos saírem sem resposta legal. Incrédulos, fomos assistindo a um achincalhar do ser humano em praça pública onde, por mais analíticos que quiséssemos ser, a verdade é que a lágrima no olho caía ao assistirmos a tudo aquilo. Eu chorei muitas vezes ao vê-la fragilizada. Bem que podem dizer que o problema era meu, talvez o fosse, talvez o seja, mas custa-me assistir ao vivo ao duelo entre o Homem e o animal feroz largado na Arena. O LIVRE permitiu-o, sendo o único e maior culpado de todo este filme dantesco. Tudo o que eles fizeram ou não fizeram teve um objectivo: fazer com que a Deputada caísse exausta e dependente do partido, eles viessem salvá-la, resgatando o seu lugar para um outro qualquer Deputado que assumiria o discurso do racismo estrutural com toda a legitimidade resultante de ser um Deputado branco que apostou na eleição de uma Deputada negra que, perante o feroz e desconcertante racismo estrutural e as aumentadas e galopantes críticas pessoais preferiu sair de cena, desconseguindo. E alguém iria condenar o partido por tal atitude? Ninguém! E alguém iria criticar Joacine Katar Moreira pelo cansaço? Ninguém!
Todo aquele circo estava milimetricamente pensado…

8.º A determinada altura percebe-se completamente que o lugar dela começava a fazer falta a alguém e que ela não se daria por vencida. Demasiado senhora do seu nariz, por mais de uma vez provou que dali jamais sairia, que estava disposta a tudo para fazer uma carreira na política, que iria a todos os programas da manhã para não deixar cair o votos dos consternados, das mulheres sofridas, dos homossexuais ciosos por alguém tão diferente que os fizesse sentir cada vez mais iguais. Joacine Katar Moreira estava ali, armada, contra tudo e contra todos, carregando uma bandeira que ninguém poderá dizer que não era a dela. Todos sabemos que não foi o LIVRE, não foi Rui Tavares, muito menos foram os ecologistas que venceram as eleições: foi ela. Uma mulher negra, empoderada, com suficientes habilitações académicas, vinda de um País onde o horizonte combina com fome, mãe de uma filha pequena, sem companheiro que se conheça, com visíveis perturbações Neurológicas e Psicológicas, que chega a Assembleia da República sem um discurso surpreendente, sem o brilhantismo da oratória, mas suficientemente manipuladora e subversiva para meter medo a toda a esquerda. Está mais do que claro que com esta Deputada o Partido Socialista não arrisca uma coligação pois pode ser arrastado por alguém que dorme e acorda com a palavra estrela nos ouvidos. O excesso de protagonismo de Joacine Katar Moreira fará qualquer partido fugir dela pois ela deixa tudo claro: eu não jogo em equipas; sempre que for preciso levantar a taça, quem o fará serei primeiro eu, segundo eu, terceiro eu.

9.º Quem esperava esta postura vinda de uma mulher negra? Ninguém! Joacine Katar Moreira, não sendo um animal político – porque não tem capacidade para ser associar, para fazer trabalho de equipa, para jogar mais valias colectivas e para galvanizar tudo e todos à volta da sua pessoa – ela assume-se como uma felina devoradora de quem quer que lhe passe em frente ao espelho. Será um caso de estudo, este de David e Golias a repetir-se, como nos vem habituando Joacine Katar Moreira, numa sala de espectáculos em São Bento: a da Política Portuguesa ao seu mais baixo nível.(x)

Título da responsabilidade do Jornal É@GORA

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