O olhar do PR Marcelo às “qualidades excecionais” do amigo Máximo Dias

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Máximo Dias (1937-2020)

Manuel Matola

O Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, destacou as “qualidades excecionais” do amigo e ex-colega de Faculdade, Máximo Dias, que foi hoje a enterrar em Lisboa, numa cerimónia que contou com a presença de dois chefes de Estado e dois embaixadores, incluindo o de Moçambique em Portugal, Joaquim Bule, que lembrou “o homem de convicções” que foi o advogado e político moçambicano.

Falando em exclusivo ao jornal É@GORA, Marcelo Rebelo de Sousa contou alguns episódios do convívio com Máximo Dias na Faculdade de Direito, onde ambos partilharam vários momentos de forte amizade ao ponto de o causídico moçambicano ter tido a oportunidade de escolher o nome de um dos filhos do estadista português.

“Havia várias propostas de nomes”, mas Nuno foi o nome escolhido por Máximo Dias para primogénito do então colega de escola Marcelo Rebelo de Sousa, que hoje usou vários adjetivos elogiosos para descrever uma amizade de mais de 50 anos.

Numa conversa com o jornal É@GORA, quando já terminava a cerimónia fúnebre no cemitério do Lumiar, Marcelo Rebelo de Sousa reconheceu um dos momentos ímpares da boa relação que sempre teve com Máximo Dias: “Foi ele quem deu nome ao meu filho mais velho”, revelou.

No entanto, foram vários outros qualificativos positivos que o presidente português escolheu para descrever Máximo Dias, que não só foi “aluno brilhante” no curso que ambos tiraram na Universidade de Lisboa, como também era “um homem dedicado” em todas as coisas que abraçava, nomeadamente “a família”.

“Era o único que já tinha mulher e filhos”, mas que conseguiu estender este grau de parentesco aos amigos que fez “em todo os cantos do mundo” ao longo de vida, disse Marcelo Rebelo de Sousa sobre o causídico que foi uma das mentes mais brilhantes e respeitadas em Moçambique.

“Era mais velho de todos nós. Trabalhava muito. Ajudava as pessoas. Era muito rápido a pensar. Escrevia de forma brilhante”, disse Marcelo Rebelo de Sousa, ao assinalar quase que de forma telegráfica o perfil de Máximo Dias que sempre demonstrou entusiamo por debater o futuro de Moçambique.

FOTO: Presidência da República ©
“Fui visitá-lo no Hospital Santa Maria” e “de repente” estava a falar de política e Moçambique, gracejou o Presidente de Portugal.

Aliás, o advogado Máximo Dias, além de “homem de convicções”, era uma pessoa “resistente” e “com próprias ideias sobre o futuro de Moçambique”, disse anteriormente o embaixador de Moçambique em Portugal, Joaquim Bule, numa mensagem lida na Igreja de São João de Brito em nome da comunidade moçambicanana residente no território português.

Joaquim Bule contou que mesmo na reforma e já doente, Máximo Dias mantinha-se colaborativo na busca de soluções para fazer face aos desafios do país, de tal forma que sempre que possível ia à embaixada para “transmitir esses conhecimentos e ideias para o progresso de Moçambique”.

“Não é fácil ver partir um grande homem como Máximo Dias”, reconheceu o diplomata moçambicano.

O político moçambicano de 83 anos, que se reformou em 2017, após quase 50 anos de exercício advocacia, é dos nacionalistas moçambicanos que participou em todo o processo de construção de Estado desde o fim do colonialismo, em 1975.

Mas antes era um pai: “Nunca precisamos de pedir nada a ninguém. Tu sempre nos deste tudo”, disse Carla Dias, filha do advogado, assegurando ter recebido “mensagens de todas as partes do mundo” após a notícia do desaparecimento do pai que, em meio século de carreira, se tornou num dos causídicos mais carismáticos de Moçambique.

Nesta quarta-feira, foram dezenas de pessoas, incluindo Presidentes português e cabo-verdiana, bem como familiares e amigos de Portugal, Moçambique e Cabo Verde que se despediram de Máximo Dias, cujos restos mortais repousam no cemitério de Lumiar num espaço que dista há quase 400 metros de onde jaz outro moçambicano: Eusébio da Silva Ferreira.(MM)

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