O Presidente da República clama pela qualidade de ensino em Angola

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Chefe de Estado angolano, João Lourenço. FOTO: Presidência da República de Angola

João Muteteca Nauege, Docente da Universidade Lueji A´Nkonde
No passado dia 12 de Junho, o Presidente da República João Lourenço conferiu posse ao recém-nomeado Secretário de Estado para o Ensino Secundário. Na sua alocução, João Lourenço disse e citamos: “estamos a brincar com o futuro do nosso país… o futuro não está no petróleo, nem nos diamantes, mas no homem”. Com essas palavras, o Presidente clama pela qualidade de ensino ministrado no nosso país. Com ar sisudo, o alto mandatário do país destapou as “cubas” e deixou claro que devemos mudar a forma de actuação.

Permitam-nos dizer que Ensino de Qualidade, nos dias de hoje, é a porta para o crescimento e desenvolvimento de qualquer sociedade, por via da escola, a educação é transmitida do ponto de vista formal, ou seja, o ensino, onde as famílias- pais, encarregados da educação, alunos e professores – partilham funções de dimensão social, política e cultural. Todas as instituições envolvidas na educação e ensino pugnam, naturalmente, pela qualidade, atendendo às expectativas que se levantam em prol do desenvolvimento do ser humano.

Afinal de contas, o que é a Qualidade de Ensino?

A UNESCO (2011) ao referir-se à qualidade de ensino explicita que: “A qualidade transformou-se em um conceito dinâmico que se deve adaptar permanentemente a um mundo que experimenta profundas transformações sociais e económicas. É cada vez mais importante estimular a capacidade de previsão e de antecipação”.

É perceptível a multidimensionalidade da palavra Qualidade, quando a empregamos como termo no ensino, ou seja, Qualidade de Ensino. Mas quem anda a brincar com a Qualidade de Ensino e o futuro do nosso país? De quem é a culpa pela falta da Qualidade de Ensino em Angola? Todas as respostas são válidas para quem clama por um futuro melhor da sua pátria.

Como fazemos parte desta sociedade, cujo futuro está a ser comprometido, associamo-nos à preocupação levantada para perguntarmos, mesmo que seja retoricamente, embora o façamos cheios de boa intenção:

(i) É possível ter-se Qualidade de Ensino sem termos bons professores (qualificados e motivados)?

(ii) É possível termos qualidade de ensino sem termos material didáctico com qualidade e em quantidade?

(iii) É possível termos Qualidade de Ensino sem infra-estruturas à altura da demanda (escolas, dignas deste nome)?

Desta vez a culpa não morre solteira, sim!. Gostávamos de lembrar que a primeira culpa pela má qualidade de ensino recai sobre quem planifica o Ensino e a Educação do país; o Estado, ou seja, o Governo.

Na nossa opinião, sem pedantismo, a Qualidade de Ensino resume-se em CAPACITAR TODOS que estão no sistema de Ensino, HOMENS E MULHERES para o exercício pleno da cidadania. É verdade, há mesmo estudantes do Ensino Superior que não Sabem Ler, Escrever, nem Falar, isso é pura verdade. Mas se quisermos afastar esse quadro, como o senhor Presidente apregoa, muito terá de ser feito, a começar com aposta na qualificação e motivação dos formadores (esses fazem toda a diferença), pondo à sua disposição as condições universalmente exigidas para se trabalhar na moldagem das mentes.

Senhor Presidente, é justo que clame por um Ensino de Qualidade, se a maioria dos angolanos for à universidade e “arrancar” uma licenciatura meritoriamente nada mal! Podemos ter muitos universitários, isso não faz mal a nenhum país, seria uma mais-valia para alavancar o crescimento e desenvolvimento de Angola, desde que as Universidades os forme com todo o rigor necessário e de lá saiam competentes, de FACTO e não de FATO, como simples “doutores ou licenciados faz de conta ou PAPAGAIOS”.

A vergonha já é conhecida, corajosamente o senhor Presidente destapou as “cubas” todas cálidas. Agora e para todo o sempre, que o Estado aloque mais verbas para este parente pobre que é a Educação, em Angola, pelo menos, 10% do OGE para a formação e qualificação de angolanos, acho que 10% não é pedir muito, senhor Presidente, já que queremos Qualidade.

Somos, ao nível da SADC, os únicos a espezinhar a Educação e o Ensino. Como podemos ter Qualidade? A Qualidade no Ensino não é um mero ACASO, é PLANIFICADA, APOIADA para ser MATERIALIZADA. Dados indicam que o nosso OGE é o que atribui a cota mais baixa ao sector da Educação na região, só para o exercício 2020, cerca de: 2% do PIB, muito abaixo de outros países da região.

Senhor Presidente, estamos solidários consigo, também queremos qualidade do nosso Ensino, temos de actuar diferente, o diferente é investir de forma série na Educação e no Ensino, não só com palavras bonitas. Mais acção!

Clamemos todos pela qualidade de ensino, mas operando mudanças. (X)

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