OIM diz que 3.361 deslocados internos fugiram de “aldeias em chamas” em Cabo Delgado

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Manuel Matola

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) estimou hoje em
3.361 o número de pessoas deslocadas internamente que fugiram de “aldeias em chamas” em Cabo Delgado onde sons de tiros e granadas de homens armados ecoavam pelas ruas de Palma na última quarta-feira.

A agência da ONU para as migrações aponta o moçambicano Omar Adremar como um dos rostos sobreviventes no universo das 672 famílias que saíram a pé, de autocarro, avião e barco de Palma para Nanagde, Mueda, distritos de Montepuez e cidade de Pemba, no norte de Moçambique, onde “muitas pessoas (ainda) estão desaparecidas”.

Aos 28 anos, Omar Adremar conta ter fugido “com a esposa e o filho de 18 meses enquanto os sons de tiros e granadas ecoavam pelas ruas de Palma na última quarta-feira”.

“Caminhamos três horas pela floresta para evitar as áreas de conflito”, disse Omar Adremar à equipa da IOM em Cabo Delgado, após chegar, na manhã desta terça-feira, num vôo que teve como destino a cidade de Pemba.

“Muitos dos meus amigos e vizinhos escaparam, mas outros desapareceram. Ficamos muito tristes com o que aconteceu”, diz o jovem moçambicano, segundo se lê no comunicado da OIM que “está profundamente preocupada com os relatos de violência contínua no norte de Moçambique que deslocou milhares de pessoas, a maioria das quais mulheres e crianças, de Palma para distritos vizinhos”.

Aliás, as mulheres e crianças são mais de três quartos das pessoas que chegaram à capital provincial de Cabo Delgado.

Sobreviventes disseram à equipa da OIM que fugiram para as florestas enquanto homens armados matavam seus familiares e queimavam suas casas. Muitos foram separados de seus entes queridos, ficando apenas com as roupas do corpo.

Citado na nota, o director-geral da OIM, António Vitorino, lançou um apelo urgente aos doadores para ajudar a fazer face à situação dramática que se assiste naquela região de Moçambique.

“Denunciamos com a maior veemência estes ataques condenáveis ​​a civis inocentes”, disse António Vitorino, assinalando que as equipas da agência estão prestar auxílio aos “sobreviventes que chegam em distritos vizinhos”, até porque “muitos foram separados de seus entes queridos, ficando apenas com as roupas do corpo”.

“Estamos a expandir os nossos esforços para atender às necessidades crescentes conforme mais pessoas chegam de Palma. Apelamos urgentemente à comunidade de doadores para nos ajudar a auxiliar as milhares de pessoas que fogem de homens armados e aldeias em chamas”, disse o diretor-geal da OIM.

Contudo, aquela agência das Nações Unidas admite que “o número de pessoas que foram deslocadas é provavelmente e significativamente maior”.

“Acredita-se que outros milhares estejam na floresta, indo a pé para áreas mais seguras. Um total de 670.000 pessoas foram deslocadas internamente no norte de Moçambique desde o início da violência em outubro de 2017”, refere a OIM.

Esta situação atual “agrava as vulnerabilidades” de uma comunidade que já se recupera do impacto do ciclone Eloise em janeiro e de desastres naturais anteriores.

A IOM está a conduzir uma grande operação humanitária para salvar vidas e para responder às necessidades imediatas dos deslocados e outras comunidades vulneráveis ​​em todo o país, além de estar a intensificar sua resposta à situação que deterio de forma acentuada no norte de Moçambique, refere a agência.

Face à gravidade do conflito que tem provocado danos na saúde de muitos moçambicanos e não só, a OIM garante estar a preparar cadeiras de rodas e muletas para os feridos, a fazer distribuição de suplementos médicos de emergência, incluindo máscaras, baldes de água, tabletes purificadores de água e sabão para ajudar a prevenir a propagação de Covid-19 e cólera, e está preparando abrigo básico e utensílios domésticos para distribuir a população local. (MM)

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