OIM: Cabo Delgado, a região do planeta em total contra-ciclo com restrições de mobilidade mundial

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FOTO: LUSA ©

Manuel Matola

A OIM diz que “9.200 pessoas” estiveram, num espaço de uma semana, em movimento dentro da província de Cabo Delgado fugindo aos ´jihadistas` que atacam o norte de Moçambique, região do planeta onde famílias inteiras continuam “desenraizadas de casa” em total contra-ciclo com as restrições de mobilidade impostas globalmente pela pandemia.

“Durante a semana de 28 de julho a 3 de agosto, mais de 9.200 pessoas deslocadas estiveram em movimento, metade das quais sofreram deslocamentos múltiplos”, estimou hoje a Matriz de Monitoria de Deslocamentos da Organização Internacional das Migrações (OIM).

“As famílias [em Cabo Delgado] continuam em movimento, procurando abrigo, assistência humanitária e meios de apoio enquanto são desenraizadas de casa”, onde a agência da ONU presta também assistência psicossocial e avaliação das necessidades de saúde mental aos que fogem aos ataques terroristas, lembra a OIM em nota enviada ao jornal É@GORA, que, entretanto, não faz qualquer menção à situação da Covid-19 no norte de Moçambique.

A OIM anunciou hoje que necessita de um “financiamento adicional significativo” de quase 50 milhões de euros para cumprir o Plano de Resposta à Crise humanitária em Moçambique, sobretudo, em Cabo Delgado onde “as operações da OIM estão subfinanciadas, especialmente, a Coordenação e Gestão de Campos, Abrigos e Artigos Não-Alimentares, Proteção, Saúde Mental e Apoio Psicossocial, WASH e Saúde em Emergências”.

A OIM lembra que, através destes programas, “fornece apoio essencial a indivíduos vulneráveis e afetados pelo conflito. Isto inclui, assistência psicossocial; avaliação das necessidades de saúde mental das pessoas deslocadas, e fornecimento de encaminhamentos e aumento da consciencialização dentro das comunidades”.

“As nossas respostas devem também abordar os fatores de fragilidade e violência, e promover a paz e recuperação sustentáveis”, disse António Vitorino que considera que “é necessário um apoio crítico à programação da OIM para a construção da paz; a necessidade é mais urgente do que nunca, considerando o contexto em rápida mudança nos distritos do norte de Cabo Delgado”.

Desde 2019, a pasta de Resiliência Comunitária e Construção da Paz da OIM tem trabalhado para reforçar a resiliência comunitária a fim de abordar as causas subjacentes à crise em apoio ao Nexo de Desenvolvimento Humanitário e Paz, refere aquela agência das Nações Unidas.

Diretor-geral da OIM, António Vitorino, em conversa com uma das famílias vítimas de terrorismo em Cabo Delgado. FOTO: OIM ©
O diretor-geral da OIM cumpriu hoje o segundo dos três dias de visita a Moçambique – que termina quarta-feira -, para avaliar e apoiar a resposta humanitária contínua de deslocamentos devido à insegurança, bem como as intervenções da agência na recuperação, resiliência comunitária e construção da paz.

No dia em visitou o distrito de Metuge, região que acolhe mais de 125.000 dos mais de 732.000 indivíduos deslocados desde finais de 2017, António Vitorino lançou um “apelo à rápida expansão da assistência humanitária para o apoio a centenas de milhares de indivíduos deslocados pela contínua insegurança em Cabo Delgado”.

“A OIM aumentou significativamente as operações para alcançar dezenas de milhares de famílias todos os meses. É necessário um financiamento adicional significativo para cobrir necessidades humanitárias de salvamento e trabalhar para soluções duradouras, especialmente antes da próxima época chuvosa e de ciclones em dezembro”, disse.

Segundo estimou, entre janeiro e julho de 2021, a OIM Moçambique prestou assistência a mais de 600.000 pessoas em Cabo Delgado, incluindo para a construção de abrigos ou apoio à reconstrução, abrigos de emergência, ou kits de cobertura e artigos não-alimentares ou domésticos.

Além do norte do país, a OIM Moçambique continua a operar no sul e, especialmente, no centro do país, onde “há ainda 73 locais de reassentamento que acolhem 93.000 pessoas deslocadas pelo ciclone Idai em 2019 e por ciclones mais recentes e por grandes eventos meteorológicos”.

O trabalho de cooperação com o Governo e parceiros humanitários visa o desenvolvimento e à construção da paz naquela zona de Moçambique face a “uma grande necessidade de se melhorar o acesso a soluções duradouras, uma vez que estas pessoas deslocadas continuam vulneráveis a futuros desastres naturais”. (MM)

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