Os imigrantes que planeiam se reposicionar no Algarve no pós covid-19

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FOTO: DR/Arquivo

Elisabeth Almeida

A eleição do Algarve pela Forbes como melhor lugar para se viver em Portugal no pós Covid-19 está a despertar interesse de vários quadrantes e há quem já tenha planos bem traçados para driblar a crise económica instalando-se naquela região portuguesa. Enquanto isso, as autoridades algarvias trabalham para atrair imigrantes ao país, visando voltar a movimentar o turismo.

A matéria divulgada pela Forbes, a revista mais conceituada na área de negócios e economia do mundo, só confirma os planos de Luíza Alba Freitas, de São Paulo, pensando já em como se recuperar sua saúde física e mental após tanto transtorno e privação, causados pelo covid-19.

“Acredito que o Algarve foi eleito devido à qualidade de vida que se pode ter, principalmente para os aposentados. Além de muito sol, a comida é fresca, com produtos diretos do mar. Tem sol o ano todo e Portugal é um país seguro e com acesso à saúde. Por fim, todos falam inglês e o português é muito hospitaleiro. Ou seja, quase todas as condições reunidas para um ótimo lugar para se viver!”, explica a farmacêutica.

Luíza já visitou a região várias vezes e a cada viagem, vê seu sonho de viver lá ficar ainda mais forte, sendo esta a mesma sensação vivida por Mayara Elisa da Silva, publicitária a dona de uma marca de roupas no interior de São Paulo e, vê na região Sul de Portugal uma chance também de ver novas oportunidades para sua loja.

“Como toda boa brasileira, eu amo cores, estampas e tecidos fluídos. Vejo a costa algarvia também com estes contornos alegres e vibrantes, somados à segurança, à inspiração diária de praias e falésias”, disse Mayara.

“Nós, brasileiros, vemos Portugal (como um todo) de uma maneira singular: fomos colonizados por eles e algo que eu sempre faço ao conversar com um português é buscar semelhanças entre as culturas, os ditados populares e até mesmo o jeito de ser. O país é bem visto pelos brasileiros também pela facilidade com o idioma, mas também por, mesmo em uma cidade pequena, pode-se conhecer pessoas de qualquer país do mundo; coisa que aqui no Brasil vemos mais nas grandes capitais”, relatou ao Jornal É@GORA.

“Além disso, eu vejo a região do Algarve como o local mais parecido com meu país, com dias de Sol quase o ano todo, praias, gente alegre e que vive também de maneira simples” concluiu.

A costa algarvia foi eleita pela colunista Kathleen Peddicord, da revista Forbes, como um dos três melhores lugares para se viver depois do período de pandemia.

Em ‘Viver e aposentar-se no exterior após o coronavírus – três opções principais’ a autora cita:

“Considerado da perspectiva pós-crise, onde o mundo oferecerá as melhores opções para se reposicionar no exterior? Diversificar seu estilo de vida e seu portfólio de investimentos para aproveitar as muitas oportunidades que nosso mundo continua a oferecer é uma agenda mais importante do que nunca. A maneira de garantir que você esteja preparado para o que quer que o amanhã traga é expandir onde você gasta seu tempo e seu dinheiro, para não ficar à mercê de qualquer governo, economia, mercado ou moeda”, reflete Kathleen.

O texto diz ainda sobre os pontos fortes do Algarve, como a simplicidade, a segurança, infraestrutura, custo de vida e a qualidade de vida “Imagine viver em um lugar onde você não é obrigado a dar notícias no minuto em que sai da cama porque tem coisas melhores a fazer e porque organizou sua vida para poder enfrentar qualquer tempestade com segurança e confortavelmente. É possível também acordar todas as manhãs ao som de pescadores anunciando as capturas da manhã e os sinos suaves de sinos de bicicleta, sinalizando o início do trajeto diário”, conclui a jornalista.

“É uma região acessível, em que em qualquer momento estamos ao alcance de uma praia, da serra e de uma refeição saborosa. Temos um estilo calmo que nos faz viver a um ritmo que permite apreciar o sol e o mar, e desfrutar da tranquilidade e beleza que um passeio a pé na ria de alvor ou na costa vicentina proporcionam”, completa o português Pedro Vera Cruz, filho de pai Cabo-Verdense e que viu em Portimão um bom lugar para formar sua família.

A musicista Kinga Somogyi gosta de dizer que nasceu em Veszprém, na Hungria, mas que carrega dentro de si um pouco de cada país em que já morou, como Portugal e atualmente no Brasil, onde lembra com do ritmo calmo e alegre do Sul de Portugal “Eu fui duas vezes para o Algarve, a primeira vez fiquei alguns dias, principalmente na parte leste da região, onde visitei as cidades de Tavira, Faro e descobri a Ilha de Tavira, Ilha da Culatra e a ilha de Faro”, relembrou Kinga, que morou em Lisboa para fazer mestrado sobre a cultura portuguesa.

“A tranquilidade, a paz destas ilhas e a beleza do verão algarvio impressionaram-me. Como se o tempo tivesse parado. Além das paisagens deslumbrantes, das maravilhosas praias achei que as cidades e vilas da região tinham charme. Quanto a minha segunda estadia, descobri as grutas de Benagil e me faltam palavras para dizer quanto é encantador a natureza desta região de Portugal. Uma pérola no fim do continente europeu”, contou ao Jornal É@gora.

A tranquilidade da região é de fato uma unanimidade, Lin Yu Qing é chinesa e vive em Lisboa já há 4 anos e ao ser questionada sobre o Sul do país, até suspirou, “Viver em Portugal e não conhecer o Algarve poderia ser considerado um pecado. É uma região muito bonita e, de certa maneira, selvagem, onde a calmaria e a natureza imperam”, relatou Lin Yu.

A região Algarvia, localizada no extremo Sul de Portugal, já é uma das mais famosas de Portugal, com destinos super disputados principalmente no verão, como Quarteira e Vilamoura; Lagos; Faro; Albufeira; Lagoa; Tavira; Portimão; Silves; Olhão e a vila de Monchique.
Conta com cerca de 3.300 horas de sol por ano, não sofrendo assim grandes interferências no Outono e no Inverno; a dieta mediterrânea é um capítulo a parte, baseada com mariscos, enquanto os doces típicos levam amêndoa e alfarroba, confirmando o dito regional “O mar que manda à mesa e a amendoeira à sobremesa”.

O Algarve é dividido basicamente em 11 cidades e tem o turismo multiplicado entre os meses de junho a setembro, durante o verão europeu, quando todo o litoral, famoso pelas falésias e formações rochosas, se tornam grandes atrações para ingleses, alemães, franceses, espanhóis e brasileiros. A proximidade com a capital portuguesa, Lisboa, cerca de 250 km e Sevilha, cidade espanhola, também fazem da região ainda mais especial para os imigrantes.

A cada dia, o olhar dos brasileiros se volta ainda mais não só Para Portugal, mas para o Algarve, por ser considerada por muitos um ‘Brasil muito melhorado’, por conta das semelhanças com relação ao clima, praias e a animação de seu povo; com a bonificação de um sistema de saúde público eficiente, segurança, diversidade cultural e uma tranquilidade que, infelizmente, já não é vista em terras tupiniquins.

O estilo de vida ‘sombra e água fresca’ é o que vislumbram os turistas, após tanto tempo de reclusão e problemas na economia mundial “Eu vejo que uns 4 anos atrás, Cascais era a ‘menina dos olhos’ para nós e vimos dezenas de brasileiros largando tudo no Brasil para ir viver lá, incluindo celebridades; agora não vejo mais este desejo nas pessoas, que está se voltando para o Sul, com dias quentes, dignos de um país tropical como o Brasil”, ressaltou Mayara. (EA)

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