Os quatro incentivos que Governo cabo-verdiano quer criar para a diáspora já em 2020

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Foto JCVDIA ©


O Governo de Cabo Verde pretende criar quatro iniciativas em prol da diáspora cabo-verdiana ao longo do próximo ano: uma lei que confere incentivo ao investimento imigrante, um sistema que visa estabelecer uma rede de investigação aplicada e um programa de mobilidade académica que integrará também pesquisadores e docentes universitários residentes no estrangeiro.

O convite aos docentes universitários jubilados, incluindo os que também vivem fora do país, para participarem na consolidação e internacionalização do sistema de ensino superior em Cabo Verde, tido hoje como uma referência, particularmente, na África Ocidental, é a quarta intenção das autoridade cabo-verdianas para 2020.

O diploma que confere incentivos ao investimento imigrante, e que “vai ser aprovado brevemente”, será semelhante à lei de estímulo ao investimento externo que já existe em Cabo Verde, anunciou o secretário de Estado da Educação, Amadeu Cruz.

“Esperamos que os nossos empreendedores jovens e também aqueles que já têm uma larga experiência, uma larga penetração empresarial na sociedade portuguesa, noutras sociedades de acolhimentos, tais como Estados Unidos da América, Holanda, Itália possam aproveitar os incentivos colocados à disposição do governo para realizem investimentos em Cabo Verde”, disse Amadeu Cruz.

No discurso proferido na Conferência dos Jovens Cabo-verdianos na Diáspora, realizada há dias na capital portuguesa, Lisboa, o governante incitou os jovens quadros cabo-verdianos, cientistas e investigadores a participarem naquilo que chamou de “esforço” que o executivo liderado por Ulisses Correia e Silva está a empreender no sentido de “construir um sistema de investigação aplicada”.

“Gostaria de salientar os esforços no sentido de construirmos em Cabo Verde o sistema de investigação aplicada”, pelo que “gostaríamos de incitar os jovens quadros cabo-verdianos cientistas e investigadores a participarem connosco nesse esforço de construção de um sistema de investigação aplicada”, apelou Amadeu Cruz.

O dirigente justificou o propósito de levar a cabo a criação de um sistema de investigação aplicada, que integra jovens académicos e cientistas cabo-verdianos da diáspora, incluindo Portugal.

“Temos em CV em desenvolvimento Agenda Nacional de Investigação que conta com a participação de ilustres académicos cabo-verdianos residentes, mas precisamos envolver os académicos e cientistas cabo-verdianos da diáspora para termos uma rede de investigadores e docentes universitários que possam partilhar as suas experiências, as suas metodologias de trabalho, os seus conhecimentos científicos com a nossa própria comunidade cabo-verdiana”, disse.

Para tal, as autoridades cabo-verdianas estão a empreender a reforma institucional do sistema de investigação nacional.

“Estamos, neste momento, a incidir sobre a área das ciências do Mar, da Terra, Agrárias e a própria cultura, e temos em andamento os programas de incentivos à investigação aplicada”, assegurou o secretário de Estado para a Educação de Cabo Verde.

Aliás, proximamente, anunciou Amadeu Cruz, o Governo de Cabo Verde vai lançar um programa de mobilidade académica que envolverá docentes e estudantes universitários cabo-verdianos que estão no estrangeiro, iniciativa semelhante aos programas financiadas pela União Europeia: o ERASMU e Horizonte 2020.

Segundo o governante, “infelizmente, Cabo Verde não tem tido capacidade de aproveitamento dos fundos colocados à disposição, porque, por um lado, é necessário a construção de parcerias interuniversitárias, e precisa igualmente que haja disponibilidade de docentes e alunos que queiram participar nesse programa de mobilidade”.

“E aqui os jovens e docentes universitários cabo-verdianos podem dar uma grande contribuição. Por um lado, é jogar nessas parcerias institucionais interuniversitárias; por outro, participando nos programas de concursos de mobilidade académica que acontecem aqui na Europa, mas que podem acontecer em África, em particular, em Cabo Verde”, sugeriu.

No rol dos projetos virados para a comunidade cabo-verdiana espalhada pelo mundo inclui-se a pretensão do Governo cabo-verdiano de convidar os docentes universitários jubilados para participarem na consolidação do sistema de ensino superior em Cabo Verde, que tem poucos anos.

“Foi iniciado há 40 anos, mas, verdadeiramente, a nossa Universidade tem 13 anos de existência, portanto, é um sistema que está em construção. E gostaríamos que os jovens, mais particularmente os professores universitários, investigadores residentes aqui em Portugal, nos EUA e noutros países, pudessem participar connosco igualmente no desenvolvimento na consolidação do sistema de ensino superior em CV numa ótica institucional, mas particularmente, académico-científica, para nos ajudar na dimensão de qualidade, relevância de ensino, mas também na internacionalização do ensino superior cabo-verdiano, que hoje já é uma referência em África Ocidental, em particular”, disse Amadeu Cruz.

A ideia do executivo de Cabo Verde visa cada vez mais fazer com que o sistema de ensino seja “robusto, com qualidade e relevância”.

“Por isso que gostaríamos que os nossos jovens quadros pudessem participar connosco no desenvolvimento na consolidação do sistema de ensino superior em Cabo Verde”, afirmou. (MM)

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