Os Tubarões – Lendas vivas do funaná

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Após um interregno de quase 20 anos, Os Tubarões – os reis do funaná – retornaram à ativa. Isso aconteceu há 3 anos, em 2015. E essa foi a primeira vez, desde 1994 que pisavam num palco.

Porém desde essa data a esta parte, a grande banda cabo-verdiana só tem vindo a dar cartas nos concertos e festivais a que é frequentemente convidada.

A sua mais recente aparição num grande evento foi no passado mês de Setembro, aquando da 11ª edição do festival português Milhões de Festa, decorrido em Barcelos, onde o grupo dividiu o palco com bandas tão “dissemelhantes”, como os Squarepusher, ou os Electric Wizard.

Ainda assim, os Tubarões nessa ocasião não deixaram de espalhar o seu perfume, de tal forma que o organizador do festival, Joaquim Durães, emocionado disse aos Media:
“Nós enquanto fãs de música temos o funaná no topo das nossas preferências. Ter uma banda histórica e única da música cabo-verdiana é um motivo de muito prazer e orgulho.

É muito importante termos Os Tubarões, que são o paradigma daquilo que é o Milhões neste cruzamento de linguagens e de sons. Ligar o funaná ao punk cai-nos no gosto porque é isso que queremos propor: este cruzamento infindável de géneros e linguagens”

Já em Agosto do ano transacto (2017) a banda tinha sido um sucesso, num outro festival de grande dimensão em Portugal: o festival Sol da Caparica.

Mário Bettencourt (ou Mário Russo, como é conhecido), baixista e um dos fundadores do grupo, é sucinto quando explica o que originou o (não planeado) regresso dos Tubarões aos palcos.

“Não decidimos reunir-nos: um convite reuniu-nos. Nem estávamos à espera, mas foi quando aconteceu aquele concerto Labanta Braço, Grita Bo Liberdade (no encerramento do festival Rotas & Rituais, a 29 de Maio de 2015, no Cinema São Jorge, em Lisboa] e alguém, ao saber disso, com uma visão mais arguta disse: se vocês vão lá, porque é que não aproveitam e tocam uma semana antes no Festival da Gamboa (em Cabo Verde)?
E assim foi. E três anos depois, aqui estamos de pedra e cal.”

Refira-se que a banda cabo-verdiana (na sua 1ª fase) esteve activa entre 1976 e 1994, e ficou famosa pelas suas mornas, coladeiras, mas sobretudo pelo funaná.
Foi um dos grupos mais representativos da música de Cabo Verde no período de transição rumo à independência e democracia.

O seu vocalista era o famoso Ildo Lobo.

Depois do desmembramento da banda, em 1994, Lobo construiu uma carreira a solo, até à data da sua morte em 2004.

Não obstante, Ildo Lobo juntamente com os Tubarões foram homenageados em 2012.
Ninguém imaginava porém que a banda pudesse renascer três anos depois…

DISCOGRAFIA

Eis os álbuns dos Tubarões (lançados todos eles na sua “1ª fase”):

1976 – Pepe Lopi

1976 – Tchon Di Morgado

1979 – Djonsinho Cabral

1980 – Tabanca

1982 – Tema Para Dois

1990 – Os Tubarões

1993 – Os Tubarões Ao Vivo

1994 – Porton D’ Nôs Ilha

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