PADEMA exorta Costa a tomar “medidas urgentes” no caso da imigrante angolana agredida pela PSP

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FOTO: PSP ©


A Plataforma para o Desenvolvimento da Mulher Africana (PADEMA) endereçou uma nota de protesto ao primeiro-ministro português, António Costa, e com o conhecimento do Presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, a apelar para a “tomada de medidas urgentes” e a abertura de “uma investigação rigorosa” ao caso de agressão da imigrante angolana por um agente da PSP.

A angolana Cláudia Simões acusa a PSP do Casal de São Brás, Amadora, de a ter espancado em frente à filha de 8 anos, após um desentendimento com um motorista de autocarros, por a menor se ter esquecido de passe num casaco que deixou em casa.

Na nota de contestação, a que o jornal É@GORA teve acesso, e que também foi enviada a quase totalidade dos grupos parlamentares, a PADEMA assinala que, “coincidência ou não, esta vil agressão policial acontece numa altura em que se assinala o primeiro aniversário dos indignos acontecimentos do bairro Jamaica, onde a PSP agrediu uma outra mulher angolana”.

Um vídeo posto a circular nas redes socais mostra um agente da PSP a tentar imobilizar a mulher numa paragem de autocarro, perante o olhar de transeuntes que protestavam contra a atuação do polícia chamado pelo motorista para intervir.

E “por se tratar de atos repetitivos”, a organização que é membro fundador da Rede Parlamentar do Conselho da Europa para as políticas das Diásporas, onde tem denunciado o racismo estrutural da sociedade portuguesa, pediu a intervenção direta do executivo português.

“Vimos por este meio manifestar o nosso protesto por mais um ato bárbaro e solicitar ao Sr. Primeiro Ministro a tomada de medidas urgentes para evitarmos a repetição de atos dessa natureza, bem como uma investigação rigorosa deste e de outros casos”, refere Luzia Moniz, presidente da agremiação, que se colocou à disposição das instituições do Governo português “para colaborar na melhoria constante do relacionamento entre as autoridades e as comunidades”.

A PADEMA considera que “esta agressão atinge a dignidade da cidadã em causa” e que, para a associação, o caso “parece uma clara violação dos Direitos Humanos”.

Na nota de protesto, a Plataforma para o Desenvolvimento da Mulher Africana lembra que, em situações do género, “o agente policial fardado e armado deve estar preparado para manter a lei e ordem e não agredir uma mulher indefesa como foi o caso da Cláudia Simões”, cujas imagens e o vídeo postos a circular “evidenciam uso excessivo da força por parte da Polícia”.

E mais: a PADEMA apresenta a contestação ao chefe do executivo português “porque esta agressão é traumatizante para a criança de oito anos que viu a mãe a ser espancada na via pública; E porque também este ato é contrário aos discursos de reforço da amizade, solidariedade e cooperação entre Angola e Portugal por um lado e/ou entre os países da CPLP”.

A associação lembra que “tendo em conta que Comissão Europeia contra o Racismo e a Intolerância (ECRI) tem alertado que a Polícia em Portugal estará infiltrada por elementos que simpatizam com discursos de ódio, racistas e homofóbicos; e lembrando ainda que, de acordo com o Comité Anti Tortura do Conselho da Europa, Portugal está no topo dos países da Europa Ocidental com o maior número de casos de violência policial e que os riscos dos abusos policiais são maiores para os afrodescendentes e imigrantes”, é necessário haver uma intervenção das autoridades portuguesas.

Por isso, “solicitamos também a criação de condições de justiça, bem como de melhor preparação, humanização da Polícia de forma que saiba lidar com a diferença”, sugere a PADEMA.

São várias as versões sobre a agressão de Cláudia Simões, a mulher que denunciou a caso, após ter estado internada no Hospital Amadora-Sintra.

“Nós entrámos no autocarro e quando a minha filha viu que não tinha o passe com ela, o motorista disse para sair. Eu respondi-lhe que ela tem o passe e que quando chegássemos ao nosso destino que o meu filho ia lá estar com o passe da menina”, relata Cláudia Simões, citada pelo jornal Contacto que fala de uma “noite de horror” que a mulher “viveu nas mãos da polícia, na Amadora, depois da filha de oito anos se ter esquecido do passe em casa”.

Segundo a publicação, o motorista terá chamado um PSP que estava em patrulha naquela rua, uma vez que a mulher se recusava “proceder ao pagamento da utilização do transporte da sua filha, e também pelo facto de o ter ameaçado e injuriado”.

Cláudia Simões alega que depois de entrar na viatura não se dirigiu mais ao motorista, mas quando o autocarro parou no seu destino, no Bairro do Bosque, o condutor saiu disparado em direção a um polícia que estava ali perto, escreve o Contacto.

Mas em nota, a PSP diz que “a cidadã, de imediato e sem que nada o fizesse prever, mostrou-se agressiva perante a iniciativa do Polícia em tentar dialogar, tendo por diversas vezes empurrado o Polícia com violência, motivo pelo qual lhe foi dada voz de detenção. A partir desse momento, alguns outros cidadãos que se encontravam no interior do transporte público tentaram impedir a ação policial, nomeadamente pontapeando e empurrando o Polícia”.

Segundo descreve a direção nacional de PSP, “o polícia, que se encontrava sozinho, para fazer cessar as agressões da cidadã detida, procedeu à algemagem da mesma, utilizando a força estritamente necessária para o efeito face à sua resistência”.

Em vídeos publicados nas redes sociais e que se tornou viral é visível a tentativa de Cláudia Simões lutar com agente, que, entretanto, consegue imobilizá-la.

Em comunicado, o PSP disse que “para se tentar libertar”, Cláudia Simões “mordeu repetidamente o polícia, ficando este com a mão e o braço direitos com marcas das mordidelas que sofreu e das quais recebeu tratamento hospitalar”.

Segundo a versão policial, só com reforço de agentes da PSP é que se conseguiu “conter as pessoas no local e promover a condução da cidadã à Esquadra para formalização da detenção”.

Mas nesse percurso, prosseguiu o desentendimento entre a imigrante angolana, que já foi notificada a comparecer esta terça-feira a tribunal, e os agentes da polícia, que tem uma versão diferente da de Cláudia Simões sobre o sucedido.

“Ele agarrou-me, fez um mata-leão e caiu comigo de costas”, denuncia a mulher, citada pelo jornal Contacto, que diz que Cláudia Simões tentou resistir enquanto sufocava e pediu ajuda ao sobrinho. (MM)

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