Palop pode ter um título inédito na Liga dos Campeões Africanos

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O 1.º de Agosto (Angola) continua a sonhar com a conquista do inédito titulo da Liga dos Campeões Africanos apos derrotar na primeira mão dos quartos de finais o Espérance de Tunes (Tunísia), por uma 1-0.

O jogo disputado no Estádio 11 de Novembro, em Luanda, com muitas faltas, na maioria por parte da equipa tunisina, o 1.º de Agosto viu coroados os esforços feitos ao longo do encontro com o golo do suplente Buah, que tinha entrado cerca de dez minutos antes.

Com esta presença na meia-final da Liga dos Campeões Africanos, o 1.º de Agosto torna esta época inesquecível para o futebol dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP). Sendo que até agora, só por duas vezes equipas lusófonas haviam alcançado a fase de grupos da principal competição africana de clubes e, numa dessas ocasiões (em 2017), os moçambicanos do Ferroviário da Beira.

A regra tem sido ficar pelo caminho cedo, espelhando as dificuldades de afirmação internacional que poderá estar em vias de ser ultrapassada. Mas a histórica debilidade dos PALOP nas competições da Confederação Africana de Futebol (CAF) só será ultrapassada “se forem criadas condições de estabilidade, organização e motivação, e isso só será conseguido com medidas estruturais”, defende o treinador Daúto Faquirá, o último português a orientar o 1.º de Agosto, em 2013 e 2014. O clube, onde também trabalhou Vítor Manuel, está agora entregue ao sérvio Zoran Manoljovic.

“Acredito que as coisas tenham melhorado entretanto, mas no meu tempo faltavam infraestruturas, a calendarização não era a melhor e sobretudo havia deficiências na formação de base”, recorda Daúto Faquirá, referindo-se de forma genérica ao futebol africano e, em particular, ao dos PALOP, que ele bem conhece, até porque nasceu em Moçambique.

“Há muita qualidade e habilidade nos miúdos, mas falta-lhes outras competências e um pensamento mais profissional, virado para o rendimento. Há jogo bonito mas anárquico”, resume Faquirá.

Assinalando o papel dos treinadores portugueses no salto que se verificou no futebol de Angola e Moçambique nos últimos anos, Daúto Faquirá identifica Cabo Verde como paradigma de uma realidade oposta. Tendo uma presença internacional irrelevante – aliás, inexistente, no patamar cimeiro – em termos de clubes, o arquipélago consegue bons resultados com a seleção, “porque os jogadores recebem a formação no estrangeiro e isso depois faz toda a diferença em campo.”

Incapaz de prever o desfecho da meia-final que oporá o 1.º de Agosto ao Espérance de Tunes (com decisão agendada para o dia 23, na capital tunisina), Daúto Faquirá está ciente das dificuldades que esperam os campeões angolanos, os únicos das quatro equipas semifinalistas que não são do Norte de África. O outro finalista da Liga dos Campeões sairá do confronto entre os egípcios do Al-Ahly e os argelinos do ES Sétif.

 

Fonte: O Jogo

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