Papa/Dia Mundial do Imigrante e do Refugiado: “O futuro das nossas sociedades é um futuro «a cores»”

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Papa Francisco. FOTO: Franco Origlia/Getty Images ©

Manuel Matola

O Papa Francisco apelou para criação de “um mundo cada vez mais inclusivo”, na mensagem alusiva ao 107º Dia Mundial do Imigrante e do Refugiado, que se assinala este domingo, e criticou “os nacionalismos fechados e agressivos” e “o individualismo radical” que se nota, sobretudo, na era pandémica.

“O futuro das nossas sociedades é um futuro «a cores», enriquecido pela diversidade e as relações interculturais. Por isso, hoje, devemos aprender a viver, juntos, em harmonia e paz”, diz o Papa Francisco na carta que escreve sobre o Dia Mundial do Imigrante e do Refugiado sob lema «Rumo a um nós cada vez maior».

“Na carta encíclica Fratelli tutti deixei expressa uma preocupação e um desejo, que continuo a considerar importantes: «Passada a crise sanitária, a pior reação seria cair ainda mais num consumismo febril e em novas formas de autoproteção egoísta. No fim, oxalá já não existam ´os outros`, mas apenas um ´nós`»”, escreve o Santo Padre sobre a carta datada de 2020, para assinalar, de seguida, que a sua preocupação atual passa por indicar “um horizonte para o caminho comum” assente na “história do «nós»”.

“Assim, a história da salvação vê um nós no princípio e um nós no fim e, no centro, o mistério de Cristo, morto e ressuscitado «para que todos sejam um só» (Jo 17, 21). Mas o tempo presente mostra-nos que o nós querido por Deus está dilacerado e dividido, ferido e desfigurado. E isto verifica-se sobretudo nos momentos de maior crise, como
agora com a pandemia. Os nacionalismos fechados e agressivos (cf. Fratelli tutti, 11) e o individualismo radical (cf. ibid., 105) desagregam ou dividem o nós, tanto no mundo como dentro da Igreja. E o preço mais alto é pago por aqueles que mais facilmente se podem tornar os outros: os estrangeiros, os migrantes, os marginalizados, que habitam as periferias existenciais”, diz o Papa Francisco.

Lembrando que neste Planeta, “na realidade”, os cidadãos estão “todos no mesmo barco” e são chamados a empenhar-se “para que não existam mais muros” que os separe, “nem existam mais os outros, mas só um nós, do tamanho da humanidade inteira”, o Papa Francisco aproveita a ocasião deste Dia Mundial para lançar um duplo apelo.

Primeiro: “a caminharmos juntos rumo a um nós cada vez maior, dirigindo-me em primeiro lugar aos fiéis católicos e depois a todos os homens e mulheres da terra”.

Segundo, exorta à construção de “uma Igreja cada vez mais católica”, até porque, refere, “os fiéis católicos são chamados, cada qual a partir da comunidade onde vive, a comprometer-se para que a Igreja se torne cada vez mais inclusiva, dando continuidade à missão que Jesus Cristo confiou aos Apóstolos [dizendo]: «Pelo caminho, proclamai que o Reino do Céu está perto. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demónios. Recebestes de graça, dai de graça» (Mt 10, 7-8)”, refere a mensagem do líder da Igreja Católica Apostólica Romana a que o jornal É@GORA teve acesso.

“Hoje, a Igreja é chamada a sair pelas estradas das periferias existenciais para cuidar de quem está ferido e procurar quem anda extraviado, sem preconceitos nem medo, sem proselitismo, mas pronta a ampliar a sua tenda para acolher a todos. Entre os habitantes das periferias existenciais, encontraremos muitos migrantes e refugiados, deslocados e vítimas de tráfico humano, aos quais o Senhor deseja que seja manifestado o seu amor e anunciada a sua salvação”, afirma o Papa.

Lembrando o seu discurso para aos Diretores Nacionais da Pastoral dos Migrantes proferido em 2017, o Papa Francisco considera que “os fluxos migratórios contemporâneos constituem uma nova ´fronteira` missionária, uma ocasião privilegiada para anunciar Jesus Cristo e o seu Evangelho sem se mover do próprio ambiente, para testemunhar concretamente a fé cristã na caridade e no respeito profundo pelas outras expressões religiosas”.

Por isso, acrescenta: “O encontro com migrantes e refugiados de outras confissões e religiões é um terreno fecundo para o desenvolvimento de um diálogo ecuménico e inter-religioso sincero e enriquecedor”.

Segundo o Relatório Global da OIM-2020, a nível global existe 272 milhões de imigrantes – dos quais dois terços são trabalhadores – correspondem a 3,5 por cento da população mundial, o que significa que a grande maioria das pessoas globalmente (96,5 %) ainda reside no país em que nasceu, de acordo com a ONU.

“A todos os homens e mulheres da terra, apelo a caminharem juntos rumo a um nós cada vez maior, a recomporem a família humana, a fim de construirmos em conjunto o nosso futuro de justiça e paz, tendo o cuidado de ninguém ficar excluído”, afirma o Papa por ocasião da efeméride que, desde 1914, é comemorada no último domingo de setembro, sendo que esta ano será no dia 26. (MM)

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