PJ detém uma inspetora e funcionários do SEF, das Finanças e Segurança Social envolvidos em rede de imigração ilegal

0
200
Instituição que assegura o controlo de entrada de estrangeiros em Portugal


A Polícia Judiciária fez hoje buscas na zona da Grande Lisboa e deteve mais de 20 pessoas, incluindo uma inspetora do SEF colocada da delegação de Alverca, funcionárias das Finanças, uma das quais chefe, e um funcionário da Segurança Social alegadamente envolvidos em rede de imigração ilegal.

Segundo refere o Diário de Notícias, perto de meia centena de operacionais que no terreno tinha como missão angariar “clientes” fazem parte desta organização criminosa liderada por advogados – pelo menos três estão detidos -, cujo esquema era legalizar imigrantes à margem da lei.

As autoridades acreditam que o esquema tinha lugar, pelo menos, desde 2015, ano a partir do qual conseguiram começar a identificar os milhares de imigrantes que foram alvo desta rede, diz a publicação, que explica como funcionavam os membros desta rede que foi agora apanhada pela PJ.

“O grupo suspeito criava empresas fantasma para criar contratos de trabalho, também fictícios, para os imigrantes; conseguia furar as demoras nos serviços do Estado, pagando a funcionários, para acelerar a obtenção dos necessário números de contribuinte e de segurança social; e no SEF tinham a garantia da celeridade das autorizações de residência”, escreve o DN, exemplificando com o papel que o funcionário da segurança social tinha no grupo.

“Era corrompido com cerca de 200 euros por cada número novo que atribuísse aos ‘clientes’ do gangue. Em alguns casos registados pela PJ, houve também a angariação de noivas para os chamados `casamentos brancos` – um imigrante casava com uma mulher de nacionalidade portuguesa e obtinha assim o visto comunitário. Os valores pagos chegaram a atingir os 12 mil euros”, conta.

Segundo o jornal, estão ainda identificados casos de goeses que obtiveram nacionalidade portuguesa através do esquema fraudulento destes advogados.

A maior parte das vítimas estava fora do espaço comunitário e estes vistos permitiam-lhes, através de Portugal, entrarem na União Europeia (UE). Boa parte nem sequer chegou a entrar no nosso país.

Em causa está a prática dos crimes de auxílio à imigração ilegal, falsificação de documentos, corrupção ativa e passiva, falsidade informática, acesso indevido, branqueamento de capitais e associação criminosa.

Alguns dos detidos já estavam referenciados por vários crimes da mesma natureza. Um dos advogados que liderava o grupo já tinha sido condenado em 2013.

A inspetora do SEF, que estava colocada da delegação de Alverca, foi alvo de um processo disciplinar enquanto decorria esta investigação, mas por causa de outro caso, e constituída arguida no âmbito de um processo-crime com um esquema semelhante. Está suspensa de funções.

Em troca de avultadas somas de dinheiro e com a cumplicidade de funcionários do SEF, das Finanças e da Segurança Social, estes advogados facilitaram a entrada e a permanência de imigrantes ilegais no nosso país, principalmente brasileiros, africanos, paquistaneses, indianos, nepaleses e bangladeshianos.

“Segundo as autoridades esta associação criminosa complexa, muito profissional, aproveitou-se sem escrúpulos da vulnerabilidade dos imigrantes. Os investigadores registaram ainda a impunidade sentida pelos suspeitos, ouvidos em escutas a comentar que nunca seriam apanhados”, escreve o jornal. (Redação e DN)

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here