Por que vestimos o que vestimos?

0
321

Claudina Correia
(Consultora de Imagem)
Quem escolhe os que vestimos? De facto podemos achar estranho esta pergunta, quando somos nós mesmos que compramos nossas roupas. Faço então outra pergunta: Somos nós que escolhemos nossas roupas ou são as tendências? Podemos ainda responder que não seguimos tendências e só compramos aquilo que realmente gostamos.
As tendências não são só o que vemos nas passerelles ou nas revistas de moda, é o que está também nas ruas. Já há muito tempo que os protagonistas de moda são os Street Style, pessoas que se manifestam, através das roupas, a forma se sentem, que reivindicam seus diretos ou recusam seguir o sistema.

Evidentemente que nós seguimos tendências com as quais nos identificamos, mas será que isso é consciente?
Escolhemos usar as mesmas roupas que as outras pessoas porque gostamos do estilo e imagem dessas pessoas, acreditando que essas mesmas roupas ficam bem a nós também, mas nem sempre!
A roupa que vestimos emite uma mensagem, seja para nos destacarmos ou, eventualmente, escondermo-nos. A roupa que vestimos nos posiciona em um lugar ou grupo (diz-me com quem andas ou o que vestes e dir-te-ei quem és).

Acontece que a escolha daquilo que vestimos nem sempre é consciente, pensamos que sim, mas na maior parte das vezes é a sociedade que dita o que devemos vestir, o que é chic, qual a combinação certa, o que é estar bem ou mal vestido. Tentamos seguir à risca com receio dos julgamentos, observações e/ou para nos sentirmos aceites. Ou então recusamos seguir padrões para não nos sentirmos “reféns” de um estrutura, mas essa atitude nos leva automaticamente para outro grupo.

A verdade é que a partir do momento que tomamos consciência do por que vestimos o que vestimos e como vestimos, estaremos mais perto do autoconhecimento e faremos, certamente, escolhas mais assertivas. Aí sim estaremos, ou chegaremos, ao lugar onde realmente queremos com a nossa imagem alinhada à nossa personalidade.

Nós já somos programados com imensas crenças que nos limitam em diversas áreas da nossa vida e isso também se reflete na forma como nos relacionamos com a roupa e, especialmente, com o consumo.

Quantas vezes nos vemos preocupados com o que vestir para ir a determinado evento ou cerimónia. Qual a roupa mais adequada? Não podemos repetir a roupa que usamos no evento anterior. Será que alguém irá levar um vestido igual? Se assim for, como reagir? Não podemos usar a roupa do dia a dia para um evento especial.

Nem precisamos apontar uma ocasião em especial, pois quantas vezes nos deparamos no nosso dia a dia sem roupa para vestir quando temos o armário a abarrotar?

A relação com a nossa imagem é muito delicada porque a consideramos como um dos elementos importantes na relação não só connosco, mas também com os outros. Somos seres em constante procura de aceitação e pertença e quando consideramos que a nossa imagem não corresponde ao meio envolvente onde estamos inseridos, ou queremos nos inserir, afeta a nossa auto-estima.

É importante o trabalho de desconstrução de crenças para o desenvolvimento de uma relação saudável com a nossa roupa, consumo e consequentemente com a nossa imagem.
Esse trabalho nem sempre é fácil, por vezes é necessário ajuda de um profissional e não devem hesitar se sentirem essa necessidade.

Trabalhem no autoconhecimento, libertem-se de crenças e permitam que a vossa imagem expresse toda a vossa essência e personalidade.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here