Portugal: Investimento empresarial aumentará 4,9% em 2021, mas haverá dificuldade em contratar qualificados

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Manuel Matola

O investimento empresarial em termos nominais deverá aumentar 4,9% este ano, em Portugal, país que entrou no `top` 10 dos mais atrativo para Investimento Direto Estrangeiro (IDE), mas as empresas poderão ter “um aumento do peso relativo da dificuldade em contratar pessoal qualificado”, indicou hoje o INE.

Dados do Instituto Nacional de Estatítisca hoje divulgados dão conta de que de acordo com “as intenções manifestadas pelas empresas no Inquérito de Conjuntura ao Investimento de abril de 2021 (com período de inquirição entre 1 de abril e 30 de junho de 2021), o investimento empresarial em termos nominais deverá aumentar 4,9% em 2021, o que compara com a previsão inicial de aumento de 3,5% no inquérito de outubro de 2020 sobre as intenções para 2021”.

As previsões são dadas a conhecer numa altura em que Portugal passou da 11.ª para a 10.ª posição das economias mais atrativas para o investimento direto estrangeiro (IDE), em 2020, em termos de número de projetos, num total de 154, segundo um estudo sobre Attractiveness Survey Portugal 2021 divulgado em junho pela consultora Ernst & Young (EY).

Os dados do estudo do inquérito empresarial feito pelo INE indicam que, “relativamente a 2021, o aumento da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) deve-se principalmente aos contributos positivos de 5,9 pontos percentuais (p.p.) das empresas do 4º escalão (mais de 500 pessoas ao serviço), em resultado de uma variação de 14,6%, e de 2,4 p.p. das empresas do 3º escalão (entre 250 e 499 pessoas ao serviço), com um aumento de 15,0% do investimento”.

Mas “em sentido oposto”, refere a informação do INE hoje enviada ao jornal É@GORA, “as empresas do 1º escalão (menos de 50 pessoas ao serviço) apresentaram um contributo negativo de 3,5 p.p., refletindo uma contração do investimento empresarial de 16,2%”.

Ao organismo estatal responsável por produzir e divulgar informação estatística oficial de Portugal os empresários inquiridos identificaram, no entanto, um ” fator limitativo” do investimento empresarial em 2020 e 2021.

“O principal fator limitativo do investimento empresarial identificado pelas empresas em 2020 e 2021 foi a deterioração das perspetivas de venda”, pelo que “entre 2020 e 2021 prevê-se um aumento do peso relativo da dificuldade em contratar pessoal qualificado e uma redução do peso relativo da insuficiência da capacidade produtiva”, diz o INE.

Segundo o estudo da Ernst & Young, citado pela Lusa, no ano passado foram anunciados 154 projetos (IDE) no mercado português, dos quais 70% com fundos originários da Europa e 30% do resto do mundo.

Aqueles projetos foram responsáveis pela criação de, pelo menos, 9.000 postos de trabalho, segundo cálculos da consultora que avalia anualmente a perceção dos investidores estrangeiros relativamente à atratividade do país enquanto destino de Investimento Direto Estrangeiro.

No entanto, os 154 projetos representam um decréscimo de 3% em comparação com os 158 contabilizados em 2019, devido às incertezas causadas pela pandemia de Covid-19, que fizeram com que a atratividade do IDE nos países europeus tenha caído 13% face ao ano anterior.

Apesar da ligeira retração do IDE em Portugal, 37% dos inquiridos no estudo planeiam criar ou expandir operações em Portugal nos próximos 12 meses.

Nas primeiras três posições das economias mais atrativas para o IDE ficaram França, Reino Unido e Alemanha.

“Embora as perspetivas económicas ainda sejam influenciadas pela pandemia, Portugal começa a estar de regresso aos negócios e esperamos ver um aumento no número de oportunidades de operações de M&A [sigla inglesa para Fusões e Aquisições] em Portugal”, apontou o responsável pela área de Estratégia e Transações da EY Portugal, Miguel Farinha.

Nas intenções de investimento estrangeiro em 2020, a Manufatura foi a atividade mais atrativa, com 37 projetos anunciados (24%), embora tenha registado a maior queda quando comparado com 2019 (60 projetos anunciados).

A atividade da Investigação e Desenvolvimento, surge em segundo lugar, tendo atraído 21% do investimento estrangeiro (33 dos projetos anunciados), sobretudo nas áreas do Digital e das Tecnologias de Informação.

“Além de as áreas digitais e tecnológicas já representarem um terço dos projetos de IDE captados no ano passado, Portugal parece estar no caminho certo para atrair futuros investimentos nestas áreas, uma vez que 45% dos investidores consideram que a economia digital será o principal setor a impulsionar o crescimento do país nos próximos anos”, considerou o líder da EY-Parthenon, Miguel Cardoso Pinto.

Lisboa manteve-se como a região mais atrativa para o investimento estrangeiro, com um total de 68 projetos (62 em 2019), sobretudo nas áreas do Digital e dos Serviços Empresariais, seguindo-se a região Norte, com 55 projetos (51 em 2019), sobretudo nos setores do Digital e de Manufatura e Fornecimento de Equipamentos de Transporte.

O estudo EY Attractiveness Survey Portugal 2021 avalia anualmente a perceção dos investidores estrangeiros relativamente à atratividade do país enquanto destino de IDE. (MM e Lusa)

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