Portugal na lista de Estados europeus onde mais pessoas acreditam que a imigração melhorou o país

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Aeroporto de Lisboa

Portugal é dos países onde a opinião pública se tornou mais favorável à entrada de imigrantes não-europeus oriundos de regiões mais pobres, como África, indica um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

De acordo com uma pesquisa da OCDE, que compara opiniões recolhidas em 23 Estados europeus, entre 2002 e 2017, “alguns países, como a Alemanha, Noruega, Portugal e Espanha, tornaram-se mais favoráveis à imigração neste período, enquanto outros, como Itália e Hungria, se tornaram mais negativos”.

A análise é feita com base nas respostas a uma das perguntas do barómetro European Social Survey (ESS) sobre o impacto positivo ou negativo da imigração nas suas sociedades, refere o jornal Expresso que, citando o mesmo estudo, assegura que os inquiridos também “defendem maior generosidade nas políticas de aceitação dos requerentes de asilo”.

“Houve um aumento da divergência de atitudes entre os países europeus em relação a esta questão. Ou seja, a Europa tornou-se menos unida. Além disso, também houve países onde a polarização interna aumentou, com um número crescente de apoiantes e opositores da imigração”, indica a publicação.

De acordo com os autores da pesquisa que avaliou as mudanças de perceção sobre a imigração entre na última década e meia, Portugal é um dos países onde mais aumentou o número de pessoas a acreditar que a imigração melhorou o país e um dos poucos onde a crise de refugiados de 2015 não degradou a opinião pública, escreve o Expresso.

Há quatro anos, a Europa assistiu a uma crise migratória com a chegada de milhões de pessoas provenientes de Afeganistão, Iraque ou Síria, bem como no Norte de África.

Essas entradas concorreram para o aumento de número de pedidos de asilo na Alemanha, Hungria, Suécia e Áustria onde as solicitações quase que duplicaram, pois ao todo os países receberam cerca de dois terços dos 1,2 milhões de requerimentos.

Apesar de também terem as portas para acolherem os milhões de pessoas que vieram nessa onda migratória, Portugal, Irlanda, Espanha e Reino Unido receberam refugiados e migrantes em menor número.

No entanto, o impacto da crise de refugiados terá degradado as perceções sobre a imigração.

“As opiniões públicas na Europa tornaram-se significativamente mais negativas”, conclui autores do estudo da OCDE, que assinalaram que a percentagem de pessoas a defender mais generosidade nas políticas públicas de aceitação de refugiados caiu de 41% em 2014/15 para 35% em 2016/17.

A queda foi mais acentuada nos Estados que receberam maior fluxo de imigrantes.

“Só quatro países — Irlanda, Portugal, Lituânia e Reino Unido — tornaram-se mais positivos”, afirmam os pesquisadores, que consideram inegável o impacro ddas migrações.

Entre os inquiridos, os mais jovens e os cidadãos com mais habilitações são os que demonstram  maior abertura à imigração — sendo que a aceitação pelos jovens portugueses é uma das mais altas.

Mas países como a França, Áustria e Finlândia “são alguns dos casos com climas de polarização interna mais intensos”, segundo refere o Expresso, que acrescenta que  o estudo mostra ainda que “existe uma preferência por migrantes da mesma raça, grupo étnico ou contexto cultural, mas as competências profissionais são tidas como um critério mais importante do que a religião”.

Partindo da comparação dos barómetros europeus de 2002/03 e 2016/17, os autores não têm dúvidas: os países do Norte da Europa tendem a ser mais favoráveis à imigração do que os de Leste, escreve a publicação.

“Países nórdicos como a Islândia, Suécia e Noruega tendem a estar no topo da lista, enquanto países como a República Checa, Hungria e Rússia ocupam os últimos lugares. A Polónia desceu na lista, juntando-se aos restantes países de Leste, enquanto Portugal subiu, tornando-se um dos países mais generosos”, adianta o Expresso

A OCDE conclui ainda que Portugal, Espanha, Noruega e Reino Unido são os países onde a opinião pública se tornou mais favorável à imigração no intervalo de 15 anos. Pelo contrário, Áustria, República Checa, Hungria e Itália, além de Israel, Eslovénia e Suíça, tornaram-se mais desfavoráveis.

“Perante os níveis tão positivos de Portugal, os autores levantam a hipótese de a proximidade histórica aos países de língua portuguesa, como Cabo Verde ou Brasil, poder contribuir para essa ‘generosidade’”, sublinha.

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